A Tesla voltou a surpreender com o seu futuro Roadster, desta vez ao divulgar novas imagens das acrobacias realizadas pelo protótipo equipado com propulsores de nitrogénio. O automóvel elétrico surge a levantar voo, a rodar no ar e a regressar ao solo, numa demonstração que despertou curiosidade, mas também dúvidas sobre a viabilidade da tecnologia – pode ver o vídeo aqui.
Segundo o ‘Motor1’, a marca disponibilizou diferentes ângulos das manobras apresentadas durante o evento de revelação do modelo, permitindo observar melhor o comportamento do automóvel. A demonstração decorreu sem qualquer ocupante a bordo.
O resultado está longe de ser um automóvel voador convencional. O Roadster utiliza um sistema de propulsão a gás frio, concebido para produzir impulsos capazes de alterar o movimento do veículo e, na configuração mais extrema, fazê-lo levantar momentaneamente do solo.
Como consegue o Tesla Roadster levantar voo?
A tecnologia assenta na utilização de nitrogénio armazenado a alta pressão, que é libertado através de propulsores instalados em diferentes zonas do automóvel.
O sistema pode trabalhar com pressões até cerca de 690 bar, equivalentes a 10.000 psi, armazenando uma quantidade considerável de energia num depósito concebido especificamente para suportar estas condições.
Quando o gás é libertado através dos propulsores, produz uma força de reação que pode ser utilizada para acelerar o automóvel, modificar a sua trajetória ou, na versão mais radical, permitir pequenos saltos e manobras no ar.
Não se trata, portanto, de um sistema de voo contínuo, como o de um avião ou helicóptero, mas de uma solução experimental que permite ao automóvel abandonar momentaneamente o contacto com o solo.
Um depósito de 200 litros que pode demorar horas a abastecer
Um dos maiores desafios desta tecnologia está precisamente no armazenamento e reabastecimento do nitrogénio.
Na configuração equipada com propulsores traseiros, o Roadster utiliza um depósito de 200 litros, cujo enchimento pode demorar atualmente entre duas e seis horas.
A Tesla pretende reduzir esse período para menos de 30 minutos, embora ainda não tenha esclarecido como funcionará o processo de abastecimento numa eventual versão comercial.
A necessidade de armazenar gás a pressões tão elevadas levanta igualmente questões relacionadas com a segurança, o peso e a utilização quotidiana do automóvel.
Três versões previstas, mas nem todas poderão circular na estrada
A Tesla prevê três configurações distintas para o novo Roadster, com características e objetivos bastante diferentes.
A versão Performance será a proposta convencional, sem propulsores a gás frio, destinada à utilização em estrada.
Acima desta surgirá a variante Thrust, equipada com propulsores traseiros para proporcionar uma aceleração adicional. Segundo os objetivos anunciados pela marca, esta tecnologia poderá permitir atingir os 100 km/h em menos de dois segundos.
No topo da gama estará a versão Rocket, concebida para realizar manobras extremas e equipada com um sistema de propulsão mais complexo.
Esta configuração terá apenas um lugar e deverá ficar limitada a demonstrações ou utilização em ambientes controlados, uma vez que a sua homologação para circulação em vias públicas enfrenta obstáculos técnicos e regulamentares significativos.
Produção prevista para 2028, mas o Roadster continua a ser um protótipo
Apesar das demonstrações, o Roadster equipado com propulsores de nitrogénio continua numa fase experimental.
A Tesla aponta para 2028 como objetivo para o início da produção do novo desportivo, mas não existe garantia de que as configurações mais radicais venham a chegar efetivamente ao mercado.
A versão Performance apresenta-se como a proposta mais próxima de uma utilização convencional, enquanto as variantes com propulsores continuam a levantar dúvidas sobre a sua viabilidade prática e legal.
Para já, as novas imagens mostram aquilo que a Tesla conseguiu apresentar numa demonstração controlada. Saber se esta tecnologia terá alguma aplicação real nos automóveis de produção é uma questão que permanece em aberto.
Até lá, o Roadster já conseguiu algo que poucos automóveis conseguem: fazer com que o mundo discuta não apenas a sua velocidade, mas também a possibilidade de um desportivo elétrico abandonar o chão.
Leia também: O novo Tesla Roadster continua a dar que falar na Automonitor. Já mostrámos o vídeo em que o desportivo sobe uma rampa de cabeça para baixo, revelámos o que está escondido atrás dos bancos e explicámos porque pode demorar até seis horas a voltar a levantar voo. E há ainda uma questão importante para quem pensa comprá-lo: pagar mais de 200 mil euros não garante que venha a receber o automóvel.






