O novo Tesla Roadster voltou a aparecer em público, mas desta vez não foi a promessa de acelerações extraordinárias nem a possibilidade de voar que despertou a curiosidade. Durante um evento em Los Angeles, a Tesla abriu a parte traseira do superdesportivo elétrico e mostrou um dos componentes mais invulgares do projeto: um grande depósito de alta pressão instalado imediatamente atrás dos bancos.
A estrutura faz parte do sistema de propulsores de gás frio que a fabricante pretende utilizar para melhorar o desempenho do Roadster. É uma tecnologia inspirada no setor aeroespacial e ajuda a perceber até onde a Tesla quer levar um automóvel que, por enquanto, continua a ser um protótipo.
O que está escondido atrás dos bancos?
O momento ocorreu durante um evento associado à apresentação pública do Roadster no Petersen Automotive Museum, em Los Angeles.
Segundo o TeslaNorth, Franz von Holzhausen, responsável pelo design da Tesla, conduziu o automóvel até ao local. Depois da chegada, foi aberta a secção traseira para permitir aos convidados observar o depósito instalado atrás do habitáculo.
As imagens divulgadas nas redes sociais mostram um reservatório envolvido numa estrutura de material compósito, concebido para armazenar gás a elevada pressão.
Este tipo de componente é conhecido pela sigla COPV, correspondente à designação inglesa de reservatório de pressão revestido por compósito.
A tecnologia também é utilizada em aplicações aeroespaciais, incluindo sistemas desenvolvidos pela SpaceX.
No Roadster, o objetivo é armazenar o gás necessário ao funcionamento de propulsores que podem produzir impulsos adicionais sem depender exclusivamente da tração dos pneus.
Para que precisa um carro elétrico de um depósito destes?
Ao contrário de um automóvel convencional, o Tesla Roadster não necessita de um depósito de gasolina ou gasóleo para alimentar o motor.
O reservatório agora mostrado destina-se a uma função completamente diferente.
A Tesla pretende utilizar propulsores de gás frio para gerar força adicional, permitindo ao automóvel realizar acelerações e manobras que ultrapassam as capacidades habituais de um desportivo.
O sistema funciona através da libertação controlada de gás sob pressão, produzindo uma força de reação.
Na prática, a ideia é complementar a potência dos motores elétricos com impulsos que não dependem diretamente da aderência dos pneus ao asfalto.
A fabricante apresentou também um sistema de sucção por ventoinhas, destinado a aumentar a força que mantém o automóvel pressionado contra a superfície.
São soluções diferentes, mas ambas procuram ultrapassar os limites tradicionais do desempenho automóvel.
A Tesla continua a prometer um Roadster capaz de voar
O novo Roadster foi apresentado este mês, no Texas, numa demonstração em que a Tesla voltou a apostar em números e capacidades pouco habituais na indústria automóvel.
A fabricante anunciou diferentes configurações do modelo, incluindo versões equipadas com sistemas adicionais de propulsão.
Segundo as informações divulgadas pelo Petersen Automotive Museum, o protótipo Roadster Thrust conseguiu acelerar dos 0 aos 96 km/h em menos de um segundo durante a apresentação.
A versão Rocket, mais extrema, foi descrita pela marca como capaz de utilizar propulsores de gás frio para realizar movimentos no ar.
Estas capacidades, porém, devem continuar a ser tratadas como demonstrações e afirmações da fabricante. Não equivalem a resultados de ensaios independentes de um automóvel de produção.
O público já pode ver o protótipo, mas ainda não o pode comprar
O exemplar está exposto no átrio principal do Petersen Automotive Museum, em Los Angeles, numa apresentação de curta duração que decorre entre 24 e 27 de outubro.
Trata-se do protótipo Roadster Thrust, associado à geração que a Tesla pretende colocar em produção em 2028.
O modelo tem uma história particularmente longa: a segunda geração do Roadster foi anunciada originalmente em 2017, mas acumulou sucessivos adiamentos.
Agora, a marca procura demonstrar que o projeto está a avançar para além das apresentações digitais e das promessas de Elon Musk.
A presença pública do automóvel e a divulgação de componentes como o depósito de alta pressão são sinais concretos de desenvolvimento, mas ainda não permitem concluir que todas as tecnologias demonstradas estarão disponíveis, sem alterações, nos veículos entregues aos clientes.
Por enquanto, a Tesla mostrou algo que poucos esperariam encontrar atrás dos bancos de um carro elétrico: um componente associado à tecnologia de foguetões.
Resta saber até que ponto essa solução chegará às estradas.
O novo Roadster continua a ser uma das apostas mais ambiciosas da Tesla. A Automonitor já acompanhou a longa espera pelo superdesportivo elétrico e os sucessivos adiamentos da sua apresentação. Uma história que começou em 2017 e ainda está longe de terminar.
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