O Tesla Roadster continua a alimentar expectativas com promessas de acelerações extraordinárias e até de breves voos. Mas há um pormenor menos espetacular: os clientes que reservarem o desportivo elétrico não têm qualquer garantia de que o automóvel lhes seja entregue. E essa possibilidade está expressamente prevista no contrato.
Quase uma década depois da apresentação inicial do Roadster, a Tesla voltou a colocar o modelo no centro das atenções, com novas promessas e reservas. No entanto, segundo o ‘L’Automobile Magazine’, que cita documentação obtida pelo InsideEVs, as condições contratuais deixam claro que o projeto continua rodeado de incertezas.
A cláusula que pode surpreender os compradores
O ponto mais revelador surge na quarta cláusula do contrato de reserva. A Tesla informa os interessados de que o Roadster ainda está em desenvolvimento e que não pode garantir quando, ou sequer se, o veículo será entregue.
Na prática, o pagamento não assegura a compra de um automóvel. Garante apenas um lugar na lista de espera, caso o Roadster venha efetivamente a entrar em produção.
Os valores associados às reservas podem atingir 250 mil dólares, aproximadamente 215 mil euros, embora esse montante não deva ser confundido com o preço definitivo do automóvel.
A própria Tesla admite que o preço final ainda não está estabelecido, uma vez que o desenvolvimento dos equipamentos e das funcionalidades permanece em curso.
Para acompanhar a atualidade automóvel, siga a Automonitor no LinkedIn e no Instagram.
E se o Roadster nunca chegar a ser produzido?
Há, pelo menos, uma salvaguarda importante para os clientes: o contrato prevê a possibilidade de reembolso dos montantes pagos, tanto em caso de cancelamento da reserva como se o projeto acabar por não avançar.
A posição na lista de espera também não pode ser transferida para terceiros, afastando a possibilidade de comercializar a reserva como um investimento especulativo.
Entretanto, a Tesla aponta para 2028 como horizonte de produção, depois de sucessivos adiamentos desde a apresentação do conceito original, em 2017.
As dúvidas aumentam quando se considera a ambiciosa versão Rocket, que promete realizar breves voos, mas não deverá estar autorizada a circular nas vias públicas. As exigências de segurança e homologação colocam obstáculos adicionais a esta proposta.
Por enquanto, o Roadster continua a ser um automóvel anunciado, mas sem uma data de entrega garantida. E o contrato deixa uma mensagem inequívoca: mesmo quem está disposto a pagar uma pequena fortuna terá de aceitar que pode nunca chegar a conduzi-lo.
O Tesla Roadster tem sido acompanhado de perto pela Automonitor, desde a promessa de atingir 531 km/h à demonstração em que ficou de cabeça para baixo. Pelo meio, explicámos porque poderá ser o último Tesla concebido para ser conduzido por humanos, revelámos o problema das seis horas de espera para voltar a utilizar os propulsores e recordámos os sucessivos adiamentos desde 2017. Mas será que o maior desafio ainda está por superar?






