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Parece um superdesportivo, mas gasta 0,9 litros aos 100 km: o extraordinário Volkswagen XL1 está em leilão

Parece um superdesportivo, mas gasta 0,9 litros aos 100 km: o extraordinário Volkswagen XL1 está em leilão
Automonitor

Exemplar em causa é de 2016 e apresenta apenas 1.672 quilómetros no conta-quilómetros, um valor particularmente reduzido para um automóvel com uma década de existência

Parece um superdesportivo, tem portas de abertura vertical e uma carroçaria construída com materiais de competição. Mas o Volkswagen XL1 não foi concebido para bater recordes de velocidade: o seu objetivo era percorrer 100 quilómetros com menos de um litro de combustível. Agora, um dos cerca de 250 exemplares produzidos está em leilão, com uma avaliação que pode chegar aos 125 mil euros.

Segundo o jornal espanhol ‘El Economista’, o raro híbrido plug-in está disponível na plataforma Catawiki, numa venda que decorre até 12 de novembro.

O exemplar em causa é de 2016 e apresenta apenas 1.672 quilómetros no conta-quilómetros, um valor particularmente reduzido para um automóvel com uma década de existência.

A plataforma de leilões estima que possa alcançar entre 110 mil e 125 mil euros, embora o valor final dependa das licitações. Trata-se de uma estimativa, não de um preço de venda confirmado.

O Volkswagen que nasceu para gastar o mínimo possível

Apresentado em 2013, o XL1 foi um dos projetos mais ambiciosos da Volkswagen na área da eficiência energética.

Numa época em que a indústria procurava melhorar o desempenho dos motores de combustão e começava a acelerar a eletrificação, a marca alemã decidiu explorar uma abordagem diferente: reduzir ao máximo a energia necessária para deslocar um automóvel.

O resultado foi um pequeno híbrido plug-in de dois lugares, equipado com um motor turbodiesel de dois cilindros e 800 cm³, associado a um motor elétrico e a uma caixa automática DSG de sete velocidades.

O conjunto permitia homologar um consumo combinado de apenas 0,9 litros de gasóleo por cada 100 quilómetros, segundo os dados oficiais da Volkswagen.

Importa recordar que este valor foi obtido num ciclo de homologação e beneficiava da contribuição da bateria carregada externamente, pelo que não representa necessariamente o consumo em utilização quotidiana.

O XL1 anunciava ainda uma autonomia elétrica de até 50 quilómetros, emissões homologadas de 21 g/km de CO₂ e uma velocidade máxima de 160 km/h.

Aerodinâmica de outro mundo e apenas 795 quilos

Grande parte do segredo do XL1 estava na forma como a Volkswagen desenhou a carroçaria.

O automóvel apresenta uma silhueta em forma de gota de água, com uma dianteira baixa, traseira estreita, rodas posteriores parcialmente cobertas e uma superfície inferior praticamente plana.

Cada detalhe foi pensado para reduzir a resistência à passagem do ar.

O resultado foi um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,189, um valor extraordinariamente baixo, mesmo quando comparado com o de muitos automóveis modernos.

A redução do peso foi igualmente levada ao extremo.

A Volkswagen recorreu extensivamente à fibra de carbono, tanto na estrutura como na carroçaria, permitindo que o XL1 apresentasse um peso de aproximadamente 795 quilos.

Até os vidros laterais foram concebidos para poupar peso, utilizando policarbonato e pequenas aberturas manuais em vez de mecanismos convencionais.

As portas de abertura vertical completavam uma imagem futurista, mais próxima da de um superdesportivo exótico do que da de um automóvel concebido para consumir o mínimo possível.

Um dos 250 exemplares procura novo dono

O Volkswagen XL1 foi produzido em quantidades muito reduzidas, entre 2013 e 2016, com uma série de aproximadamente 250 unidades.

O exemplar agora colocado em leilão foi entregue ao primeiro proprietário no Luxemburgo, em março de 2016, e encontra-se atualmente matriculado nos Países Baixos.

Além da quilometragem reduzida, conserva elementos característicos do modelo, incluindo jantes de magnésio e travões carbocerâmicos.

A raridade, a tecnologia utilizada e o papel que desempenhou na história da Volkswagen ajudam a explicar a sua valorização no mercado de coleção.

O leilão termina a 12 de novembro e será nessa altura que se conhecerá o valor que os interessados estão efetivamente dispostos a pagar.

Mais de uma década depois da apresentação, o XL1 continua a ser uma demonstração de engenharia difícil de comparar com qualquer outro automóvel da marca.

Não tinha centenas de cavalos, não pretendia conquistar Nürburgring e nunca foi pensado para se tornar um sucesso comercial. Queria apenas demonstrar até onde era possível levar a eficiência de um automóvel.

E conseguiu fazê-lo de uma forma que ainda hoje impressiona.