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O Ferrari de Michael Jordan desapareceu durante 24 anos. Finalmente foi encontrado

Francisco Laranjeira

Na noite de 13 de junho de 1997, Michael Jordan acabava de conquistar o seu quinto título da NBA pelos Chicago Bulls

Na noite de 13 de junho de 1997, Michael Jordan acabava de conquistar o seu quinto título da NBA pelos Chicago Bulls. Saiu do United Center com um charuto, o troféu e entrou num Ferrari 550 Maranello praticamente novo, pintado em Rosso Barchetta e com uma matrícula que dispensava apresentações: “MJ 5”.

A imagem tornar-se-ia uma das mais conhecidas da relação de Michael Jordan com os automóveis. Mas, alguns anos depois, o Ferrari desapareceu da vista do público.

Durante praticamente um quarto de século, não houve qualquer aparição pública confirmada do carro. Colecionadores procuraram-no durante anos e a busca só terminou em 2026, quando uma pequena pista encontrada num antigo fórum da internet permitiu finalmente localizar o 550 Maranello.

Agora sabemos onde estava. E o Ferrari que acompanhou Michael Jordan durante alguns dos anos mais importantes da sua carreira vai voltar a mudar de mãos.

Uma pista na internet resolveu um mistério de décadas

Michael Jordan vendeu o Ferrari em dezembro de 2002, através da Lake Forest Sportscars, no Illinois.

A partir daí, o 550 Maranello saiu praticamente por completo do radar público. O automóvel acabou numa coleção privada na Califórnia, onde permaneceu entre 2002 e 2026 sem ser publicamente colocado à venda.

Não estava, portanto, literalmente perdido. Mas para colecionadores e especialistas que tentavam descobrir o seu paradeiro, era como se tivesse desaparecido.

John Temerian, cofundador da CURATED, dedicou cerca de uma década à procura do Ferrari.

A descoberta aconteceu graças a um detalhe aparentemente insignificante: parte do número do chassis apareceu numa publicação antiga num fórum online.

A equipa conseguiu reconstruir a partir daí o VIN completo e cruzá-lo com registos históricos da Ferrari. Nesses documentos, o chassis 108712 continuava associado a Michael Jordan e à matrícula “MJ 5”.

O rasto acabou por conduzir ao proprietário que guardava o automóvel na Califórnia.

Temerian comprou o Ferrari sem sequer o ver pessoalmente.

E há uma coincidência difícil de melhorar: o carro regressou a Chicago a 29 de maio de 2026, exatamente 29 anos depois do dia em que tinha sido originalmente entregue a Michael Jordan.

Michael Jordan não cabia num Ferrari normal

O antigo proprietário é impossível de esconder quando se olha para alguns dos detalhes deste 550 Maranello.

Michael Jordan mede cerca de 1,98 metros e isso criou um problema: o habitáculo não oferecia espaço suficiente para que conduzisse confortavelmente.

A solução terá passado pela própria Ferrari.

Segundo a documentação do leilão, o banco do condutor recebeu calhas mais compridas e um enchimento mais fino do que o habitual, permitindo recuar a posição de condução tanto quanto possível.

Não era a única característica especial.

O Ferrari foi configurado em Rosso Barchetta, com interior em pele castanha e jantes Speedline cromadas, e recebeu a matrícula personalizada “MJ 5” — uma referência aos cinco campeonatos que Jordan já tinha conquistado quando recebeu o automóvel.

O cartão de garantia original também sobreviveu e conserva a assinatura de Michael Jordan e a morada que o jogador tinha então em Durham, na Carolina do Norte.

Não ficou guardado na garagem

Ao contrário de muitos Ferrari associados a celebridades, este foi efetivamente utilizado pelo seu famoso proprietário.

Jordan percorreu cerca de 6.400 milhas — aproximadamente 10.300 quilómetros — no 550 Maranello, levando-o para jogos dos Bulls, treinos e aparições públicas.

Foi também ao volante deste carro que deixou o United Center depois de conquistar o quinto campeonato da NBA, em 1997.

Debaixo do capot está um V12 atmosférico de 5,5 litros com 485 cv, ligado a uma caixa manual de seis velocidades com a clássica grelha metálica Ferrari.

O 550 Maranello consegue atingir aproximadamente 320 km/h e marcou, na década de 1990, o regresso da Ferrari aos grandes GT de motor V12 dianteiro.

Foram produzidas apenas 3.083 unidades entre 1996 e 2001.

Mas nenhuma outra tem esta história.

O Ferrari acabou transformado… numas Air Jordan

A influência deste automóvel ultrapassou inclusivamente o mundo dos carros.

Tinker Hatfield, um dos mais famosos designers da Nike, utilizou o 550 Maranello de Jordan como inspiração para criar as Air Jordan XIV.

Há referências ao Ferrari espalhadas pelo desenho das sapatilhas: a pele acolchoada recorda o habitáculo, existem elementos inspirados nas entradas de ar e nos pneus e o símbolo Jumpman aparece dentro de um escudo que evoca o emblema da marca italiana.

E a ligação acabaria por produzir outra coincidência histórica.

Michael Jordan utilizou as Air Jordan XIV no sexto jogo das Finais da NBA de 1998 contra os Utah Jazz.

Foi com essas sapatilhas que marcou o famoso lançamento conhecido como “The Last Shot”, a 5,2 segundos do fim, garantindo o sexto título dos Chicago Bulls e concretizando o seu último cesto pela equipa.

O Ferrari que inspirou as sapatilhas tinha, assim, ficado indiretamente ligado a dois dos momentos mais famosos da carreira de Jordan.

Quanto vale um Ferrari de Michael Jordan?

É precisamente isso que o mercado vai agora decidir.

A Joopiter, plataforma de colecionáveis fundada por Pharrell Williams, vai colocar o 550 Maranello em leilão, com os lances a abrirem a 15 de setembro.

A estimativa situa-se entre 700 mil e 1,3 milhões de dólares — aproximadamente 600 mil a 1,1 milhões de euros.

É substancialmente mais do que valeria um 550 Maranello semelhante sem esta proveniência. Segundo valores da Hagerty citados pela Forbes, um exemplar de 1997 em estado de concurso ronda os 298 mil dólares.

Neste caso, porém, o comprador não estará apenas a levar para casa um Ferrari V12.

Está a comprar o carro que Michael Jordan conduzia no auge dos Chicago Bulls, que teve de ser modificado para os seus 1,98 metros, que inspirou umas das Air Jordan mais famosas de sempre e que passou 24 anos longe da vista pública até uma pista esquecida num fórum permitir encontrá-lo.

E ainda conserva na traseira aquelas duas letras e aquele número que ajudam a explicar por que razão pode valer mais de um milhão: “MJ 5”.