Quanto tempo dura uma bateria? Porque é que a autonomia anunciada nem sempre corresponde aos quilómetros que conseguimos percorrer? Carregar rapidamente prejudica o automóvel? E será possível usar a energia guardada no carro para alimentar uma casa?
A popularidade dos veículos elétricos aumentou, mas algumas das dúvidas em torno da tecnologia continuam a acompanhar quem pondera abandonar um automóvel a gasolina ou gasóleo.
A Nissan decidiu responder a algumas delas numa nova série de cinco pequenos vídeos, denominada “EV? Easy!”, lançada esta quarta-feira, por ocasião do Dia Mundial do Veículo Elétrico.
A Automonitor reuniu as principais explicações da marca — e os cinco vídeos podem ser vistos diretamente ao longo deste artigo.
1. Afinal, como funciona um carro elétrico?
A diferença fundamental começa na forma como a energia chega às rodas.
Num veículo 100% elétrico, a eletricidade armazenada na bateria alimenta um ou mais motores elétricos. Ao contrário de um automóvel convencional, desaparecem componentes associados ao motor de combustão e a cadeia cinemática torna-se significativamente mais simples.
Isso ajuda também a explicar duas das características que normalmente se notam imediatamente ao conduzir um elétrico: a entrega praticamente instantânea do binário e a ausência das tradicionais mudanças de velocidade em muitos modelos.
A Nissan dedica o primeiro episódio precisamente ao funcionamento básico de um elétrico e às diferenças sentidas ao volante.
Ver o episódio 1 — Como funciona um veículo elétrico?
2. O que existe realmente dentro de uma bateria?
Aquilo a que habitualmente chamamos “a bateria” é, na realidade, um sistema bastante mais complexo.
As células são agrupadas em módulos que, por sua vez, formam o conjunto da bateria. Um sistema eletrónico de gestão — habitualmente conhecido pela sigla BMS, de Battery Management System — acompanha parâmetros fundamentais para o seu funcionamento, incluindo temperatura e estado de carga.
Esta gestão é particularmente importante para controlar o funcionamento da bateria e preservar o seu desempenho ao longo do tempo.
E o fim da utilização num automóvel também não significa necessariamente o fim da bateria. Dependendo do seu estado, existem possibilidades de reutilização, aplicações de segunda vida e, finalmente, reciclagem.
É este o tema do segundo episódio.
Ver o episódio 2 — Como funciona a bateria de um elétrico?
3. Porque é que a autonomia real pode mudar tanto?
É provavelmente uma das primeiras perguntas de quem compra um elétrico.
A autonomia homologada serve como referência comparável entre automóveis, mas não significa que o veículo vá percorrer exatamente aquele número de quilómetros em todas as situações.
Velocidade, temperatura exterior, percurso, condições da estrada, utilização da climatização e estilo de condução podem influenciar o consumo de energia e, consequentemente, os quilómetros disponíveis.
Existe, contudo, uma particularidade dos elétricos que permite recuperar parte da energia que normalmente seria desperdiçada.
Durante as desacelerações, a travagem regenerativa permite utilizar o motor elétrico como gerador, transformando parte da energia cinética em eletricidade e devolvendo-a à bateria.
O terceiro vídeo explica precisamente os fatores que condicionam a autonomia e o que o condutor pode fazer para melhorar a eficiência.
Ver o episódio 3 — Autonomia e eficiência
4. Porque é que um elétrico nem sempre carrega à velocidade anunciada?
Outra dúvida recorrente nasce dos números cada vez maiores apresentados pelos fabricantes para a potência de carregamento.
Mas ligar um automóvel capaz de receber determinada potência a um posto que a disponibiliza não significa necessariamente que essa potência seja mantida durante todo o carregamento.
A velocidade depende do próprio veículo, do carregador, do estado de carga da bateria, da temperatura e da curva de carregamento definida pelo fabricante.
Há também diferenças importantes entre carregar em corrente alternada, situação habitual em casa e em muitos postos públicos, e recorrer ao carregamento rápido em corrente contínua durante uma viagem.
É por isso que os automóveis elétricos mais recentes integram cada vez mais sistemas de planeamento de rotas que calculam onde carregar durante o percurso. No caso da Nissan, a marca destaca o seu Intelligent Route Planner.
Ver o episódio 4 — Como funciona o carregamento?
5. E se a bateria do carro pudesse alimentar a sua casa?
É aqui que o automóvel elétrico deixa de ser apenas um meio de transporte.
Alguns veículos permitem que a energia armazenada na bateria seja utilizada externamente, embora as possibilidades dependam do automóvel, da infraestrutura e da disponibilidade da tecnologia em cada mercado.
O chamado Vehicle-to-Load (V2L), por exemplo, permite utilizar a bateria para alimentar equipamentos elétricos.
O Vehicle-to-Home (V2H) vai mais longe: com equipamento compatível, a eletricidade armazenada no automóvel pode ser utilizada numa habitação.
Existe ainda o Vehicle-to-Grid (V2G), pensado para uma relação bidirecional com a própria rede elétrica. Em teoria, milhares de automóveis ligados poderiam funcionar como uma enorme reserva distribuída de energia, recebendo eletricidade quando existe disponibilidade e devolvendo-a à rede quando necessário.
É precisamente esta relação entre automóvel, casa e rede elétrica que encerra a série.
Ver o episódio 5 — Como um elétrico pode partilhar energia?
E há um novo elétrico Nissan a caminho
A escolha desta semana para lançar a série não acontece isoladamente.
A Nissan confirmou esta quarta-feira que recuperará o nome PIXO para um novo citadino 100% elétrico destinado à Europa.
A marca revelou por enquanto poucos detalhes técnicos, mas confirmou que será um automóvel do segmento A, produzido na Europa para clientes europeus e apresentado integralmente no próximo dia 23 de setembro. O modelo representa também o regresso da Nissan ao segmento dos pequenos citadinos no mercado europeu.
O PIXO ficará na entrada da gama elétrica, juntando-se aos novos MICRA e LEAF e ao ARIYA. Mais tarde chegará também um JUKE totalmente elétrico.
Ou seja, enquanto prepara mais um modelo para tentar convencer os europeus a trocar a combustão pela bateria, a Nissan decidiu começar por uma questão anterior à compra.
Explicar exatamente aquilo que muda quando se passa para um elétrico.






