Imagine entrar num táxi sem motorista, escolher a temperatura do habitáculo, decidir que música quer ouvir e até selecionar o perfume que vai acompanhar a viagem. Parece uma cena de um filme de ficção científica, mas é precisamente o que a fabricante chinesa Xpeng está a começar a testar na cidade de Guangzhou, com um novo serviço de robotáxis que promete transformar a experiência dos passageiros.
A empresa recebeu autorização para realizar testes de demonstração de condução autónoma de nível 4 com o serviço Yoyo, uma plataforma que pretende integrar veículos sem condutor no quotidiano das cidades.
Segundo o ‘El País’, a iniciativa representa mais um passo na expansão dos robotáxis, numa altura em que a condução autónoma está a avançar sobretudo através de serviços de mobilidade, em vez de automóveis particulares.
A grande diferença é que estes veículos não se limitam a transportar passageiros sem intervenção humana. Também permitem personalizar vários aspetos da viagem, incluindo um pormenor inesperado: o aroma do interior.
Um táxi que conduz sozinho e até deixa escolher o perfume
O funcionamento do serviço foi pensado para oferecer uma experiência semelhante à de uma aplicação convencional de transporte de passageiros, mas sem a presença de um motorista ao volante.
Através da aplicação Yoyo, integrada no WeChat, os utilizadores podem solicitar uma viagem e configurar antecipadamente algumas das condições do habitáculo.
É possível escolher a temperatura, selecionar a música e até definir a fragrância pretendida, entre diferentes aromas disponibilizados pelo veículo.
Assim, quando o passageiro entra no automóvel, encontra um ambiente ajustado às suas preferências.
Por enquanto, o acesso ao serviço é limitado. Como se trata de um programa-piloto, apenas os utilizadores com um código de convite podem experimentar os robotáxis.
O que significa condução autónoma de nível 4?
A tecnologia de condução autónoma é habitualmente classificada em seis níveis, do 0 ao 5, de acordo com a capacidade do automóvel para assumir as tarefas de condução.
Nos níveis mais baixos, o condutor continua responsável pelo veículo, mesmo quando existem sistemas de assistência, como o controlo de velocidade adaptativo ou o apoio à manutenção na faixa de rodagem.
No nível 2, o automóvel consegue combinar funções de direção, aceleração e travagem, mas exige que o condutor supervisione permanentemente a condução.
O nível 3 permite que o sistema assuma determinadas tarefas em condições específicas, embora o condutor tenha de estar disponível para recuperar o controlo quando solicitado.
Já o nível 4, alcançado pelo programa de demonstração da Xpeng, permite que o automóvel execute todas as tarefas de condução dentro das condições e áreas para as quais foi concebido, sem depender da intervenção de um condutor humano.
Isso não significa que possa circular autonomamente em qualquer estrada ou situação. Essa capacidade universal corresponde ao objetivo do nível 5.
Um SUV transformado em robotáxi
Para desenvolver o serviço, a Xpeng utiliza como base o GX, um SUV de grandes dimensões equipado com a tecnologia de condução autónoma da marca.
O veículo dispõe de quatro chips de processamento, com uma capacidade combinada anunciada de 3.000 TOPS, uma medida utilizada para avaliar o número de operações que os sistemas informáticos conseguem executar por segundo.
As decisões de condução são geridas pelo sistema Vision-Language-Action 2.0, desenvolvido pela fabricante chinesa para interpretar o ambiente envolvente e determinar as ações do automóvel.
Mas a fase de testes não serve apenas para avaliar a capacidade de circular sem motorista.
A Xpeng pretende também perceber como os veículos respondem aos pedidos de transporte, como recolhem os passageiros e de que forma lidam com os imprevistos da circulação urbana.
A utilização em condições reais permitirá recolher dados para melhorar o serviço antes de uma eventual expansão.
E quando chegam estes táxis à Europa?
Para já, o Yoyo está limitado à China, onde a Xpeng iniciou os testes de demonstração em Guangzhou.
No entanto, segundo o ‘El País’, a fabricante já mantém contactos com plataformas de mobilidade que operam na Europa, com o objetivo de estudar a introdução dos seus veículos autónomos noutros mercados.
Ainda não existe uma data anunciada para o lançamento do serviço no continente europeu, nem confirmação de que Portugal esteja incluído nos planos.
A expansão dependerá também das regras aplicáveis à circulação de veículos autónomos e das autorizações necessárias em cada mercado.
Até lá, a experiência chinesa oferece um vislumbre de como poderão ser as viagens de táxi nos próximos anos.
E, se a tecnologia cumprir o prometido, talvez a pergunta mais importante antes de entrar no carro deixe de ser “para onde vamos?” e passe a ser “que perfume prefere?”.






