Foi concebido para enfrentar a Ferrari nas pistas, pertenceu ao próprio Carroll Shelby e é um dos seis exemplares construídos. Agora, um Shelby Cobra Daytona Coupe de 1964 entrou para a história ao atingir 42,9 milhões de dólares, cerca de 37 milhões de euros, tornando-se no automóvel dos EUA mais caro de sempre vendido em leilão.
O protagonista desta história é o Shelby Cobra Daytona Coupe com o número de chassis CSX2300, vendido pela Gooding Christie’s durante os leilões de Pebble Beach, na Califórnia, em agosto.
Segundo o ‘Supercar Blondie’, que recuperou esta história, o valor final ultrapassou largamente as expectativas iniciais, que apontavam para uma venda superior a 25 milhões de dólares.
Mas o que torna este Shelby tão especial não é apenas a sua raridade.
Nasceu com uma missão: derrotar a Ferrari
Nos anos 60, Carroll Shelby queria enfrentar os melhores automóveis de competição europeus. Entre os principais adversários estava o Ferrari 250 GTO, um dos grandes protagonistas das corridas de GT da época.
Para conseguir competir com a Ferrari, o designer Peter Brock desenvolveu uma carroçaria mais aerodinâmica para o Cobra, dando origem ao Daytona Coupe.
O resultado foi um automóvel concebido para atingir velocidades elevadas e competir em alguns dos circuitos mais exigentes do mundo.
O exemplar agora vendido participou em provas como o Tour de France Automobile, Sebring, Nürburgring e Reims, integrando também a história desportiva da Shelby American.
O Daytona Coupe desempenhou um papel importante na conquista do Campeonato Mundial de GT da FIA em 1965 pela equipa de Carroll Shelby.
Apenas seis exemplares e uma ligação especial ao criador
O CSX2300 é o terceiro dos seis Daytona Coupe construídos e distingue-se por uma particularidade que nenhum dos restantes pode reivindicar: foi o único exemplar que pertenceu pessoalmente a Carroll Shelby.
O criador da marca foi proprietário deste automóvel entre 1975 e 1998, acrescentando uma ligação histórica particularmente importante ao seu percurso.
O carro continuou também a competir depois de terminar o programa oficial da Shelby American, prolongando a sua carreira desportiva até ao final da década de 1960.
Esta combinação de raridade, historial competitivo e ligação direta a Carroll Shelby ajuda a explicar o interesse dos colecionadores.
Um recorde que quase duplicou o anterior
O valor final da venda foi de 42.905.000 dólares, incluindo comissões, superando em mais de 20 milhões de dólares o anterior recorde para um automóvel dos EUA vendido em leilão.
Essa marca pertencia a um Duesenberg SSJ de 1935, vendido por 22 milhões de dólares em Pebble Beach, em 2018.
O Shelby Daytona tornou-se também no automóvel mais caro alguma vez vendido pela Gooding Christie’s.
Importa, contudo, distinguir este recorde do título de carro mais caro do mundo vendido em leilão, que continua a pertencer ao Mercedes-Benz 300 SLR Uhlenhaut Coupé de 1955, vendido em 2022 por 135 milhões de euros.
Mais de seis décadas depois de ter sido concebido para desafiar a Ferrari, o Shelby Cobra Daytona Coupe voltou a vencer uma corrida. Desta vez, não precisou de entrar em pista: bastou-lhe subir ao palco de um leilão.
Há mais de 60 anos, este Shelby queria deixar a Ferrari para trás. Agora, deixou os outros clássicos a olhar para o preço. Acompanhe estas histórias no LinkedIn da Automonitor e no Instagram da Automonitor.






