Há carros que desaparecem dos concessionários, mas nunca saem da memória dos condutores. Neste Halloween, abrimos as portas de um cemitério muito especial para recordar seis modelos que marcaram gerações e que muitos entusiastas gostariam de voltar a encontrar nas estradas. Entre pequenos desportivos, coupés e máquinas nascidas para vencer nos ralis, há verdadeiras lendas à espera de uma segunda vida.
A seleção foi feita pelo jornal espanhol ‘El País’, que aproveitou a noite mais assustadora do ano para recuperar alguns dos automóveis que deixaram saudades. São seis modelos com personalidades muito diferentes, mas com algo em comum: continuam a despertar emoções décadas depois de terem chegado ao mercado.
E, num setor cada vez mais dominado pelos SUV, pela eletrificação e pela tecnologia digital, a ideia de voltar a conduzir algumas destas máquinas tem um encanto especial.
SEAT Fura Crono: pequeno no tamanho, grande na personalidade
Nem todos os desportivos precisam de centenas de cavalos para deixar uma marca.
O SEAT Fura Crono era um pequeno utilitário de três portas, derivado do Fiat 127, que apostava numa receita simples: pouco peso, dimensões compactas e um motor a gasolina de 1,4 litros com 75 cv.
Hoje, estes números podem parecer modestos, mas a combinação de leveza e agilidade tornava-o particularmente divertido de conduzir.
Com uma decoração própria e uma imagem assumidamente jovem, o Fura Crono representa uma época em que os pequenos desportivos procuravam conquistar os condutores através das sensações, mais do que das fichas técnicas.
Peugeot 205 GTI: o pequeno desportivo que se tornou uma lenda
Poucos automóveis conseguem despertar tanta nostalgia como o Peugeot 205 GTI.
Disponível com motores de 1,6 e 1,9 litros, que chegaram aos 115 e 130 cv, respetivamente, este pequeno francês conquistou uma reputação graças ao seu comportamento em estrada.
Leve, ágil e com uma ligação muito direta entre o condutor e o automóvel, tornou-se uma das grandes referências dos desportivos compactos.
O seu segredo não estava numa potência extraordinária, mas na forma como aproveitava cada cavalo disponível.
É precisamente essa simplicidade que continua a alimentar o entusiasmo em torno do 205 GTI.
Toyota Celica: um nome que nasceu para durar
O Toyota Celica atravessou sete gerações e conquistou um lugar especial entre os coupés desportivos japoneses.
Ao longo da sua história, combinou linhas desportivas com a reputação de fiabilidade da Toyota, oferecendo versões que podiam ser utilizadas diariamente sem abdicar do prazer de condução.
Mas foi sobretudo através das versões GT-Four, equipadas com motores turbo e tração integral, que o Celica ganhou estatuto de lenda.
Os sucessos nos ralis ajudaram a transformar o modelo num dos nomes mais reconhecidos do desporto automóvel japonês.
O seu eventual regresso teria um significado especial para quem cresceu a acompanhar as máquinas japonesas nas provas do Mundial de Ralis.
Opel Calibra: quando um coupé parecia vindo do futuro
O Opel Calibra foi um dos automóveis que melhor representaram a ambição desportiva dos anos 90.
Derivado do Vectra, destacava-se por uma carroçaria baixa, elegante e especialmente aerodinâmica, com um desenho que parecia muito mais caro do que realmente era.
A gama incluía motores com potências entre 115 e 204 cv, incluindo uma versão turbo com tração integral.
O Calibra conseguiu algo que hoje se tornou bastante raro: oferecer a imagem de um coupé desportivo a um preço relativamente acessível.
Numa altura em que este tipo de carroçaria praticamente desapareceu das gamas de muitas marcas generalistas, o regresso do Calibra seria uma boa notícia para quem sente falta de alternativas aos SUV.
Ford Sierra RS Cosworth: um alerão impossível de ignorar
Há automóveis que se reconhecem imediatamente pelo som do motor. Outros, pela silhueta. No caso do Ford Sierra RS Cosworth, basta olhar para o gigantesco alerão traseiro.
Criado para cumprir os requisitos de homologação de um modelo de competição, o Sierra RS Cosworth levou para a estrada uma boa parte do espírito das corridas.
O motor turbo de 2,0 litros desenvolvia entre 204 e 220 cv, dependendo da versão, valores que lhe garantiam prestações impressionantes para a época.
A combinação de potência, imagem agressiva e ligação ao desporto automóvel transformou-o num verdadeiro objeto de culto.
Hoje, continua a representar uma geração de automóveis em que as versões desportivas das berlinas familiares podiam ser tão desejadas como os coupés mais exclusivos.
Lancia Delta Integrale: o fantasma que ainda assombra os ralis
Se existe um automóvel que merece figurar numa lista de possíveis regressos, o Lancia Delta Integrale dificilmente poderia ficar de fora.
Com o seu motor turbo de 2,0 litros, tração integral e uma carroçaria musculada, tornou-se um dos grandes símbolos da época dourada dos ralis.
As versões mais evoluídas chegaram aos 215 cv, mas os números contam apenas uma pequena parte da história.
O verdadeiro legado do Delta Integrale está nas vitórias, na tecnologia e na capacidade de transformar um automóvel compacto numa máquina de competição extraordinariamente eficaz.
Décadas depois, continua a ser um dos modelos mais admirados pelos apaixonados por automóveis.
Ressuscitar estes carros seria possível. Mas seriam os mesmos?
A indústria automóvel mudou profundamente desde o tempo em que estes seis modelos circulavam nas estradas.
As exigências de segurança, as normas ambientais, a eletrificação e as expectativas dos consumidores tornam praticamente impossível recuperar estas máquinas exatamente como eram.
Mas isso não significa que os seus nomes e a sua filosofia tenham de ficar definitivamente no passado.
Um novo Peugeot 205 GTI poderia recuperar a ideia de um pequeno desportivo leve e divertido. Um Toyota Celica moderno poderia voltar a aproximar os condutores do universo dos ralis. E um Lancia Delta Integrale reinterpretado para os dias de hoje teria certamente uma enorme responsabilidade às costas.
Por enquanto, estes seis regressos pertencem apenas ao mundo da imaginação e da nostalgia.
Mas, nesta noite de Halloween, talvez não seja preciso muito para os trazer de volta: basta recordar a primeira vez que vimos um deles passar na estrada, ouvir o som de um motor antigo ou encontrar uma fotografia esquecida.
Há fantasmas que metem medo. Estes seis só deixam saudades.






