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Halloween sobre rodas: seis carros que desapareceram das estradas, mas mereciam voltar à vida

Halloween sobre rodas: seis carros que desapareceram das estradas, mas mereciam voltar à vida
Francisco Laranjeira

Há carros que desaparecem dos concessionários, mas nunca saem da memória dos condutores

Há carros que desaparecem dos concessionários, mas nunca saem da memória dos condutores. Neste Halloween, abrimos as portas de um cemitério muito especial para recordar seis modelos que marcaram gerações e que muitos entusiastas gostariam de voltar a encontrar nas estradas. Entre pequenos desportivos, coupés e máquinas nascidas para vencer nos ralis, há verdadeiras lendas à espera de uma segunda vida.

A seleção foi feita pelo jornal espanhol ‘El País’, que aproveitou a noite mais assustadora do ano para recuperar alguns dos automóveis que deixaram saudades. São seis modelos com personalidades muito diferentes, mas com algo em comum: continuam a despertar emoções décadas depois de terem chegado ao mercado.

E, num setor cada vez mais dominado pelos SUV, pela eletrificação e pela tecnologia digital, a ideia de voltar a conduzir algumas destas máquinas tem um encanto especial.

SEAT Fura Crono: pequeno no tamanho, grande na personalidade

Nem todos os desportivos precisam de centenas de cavalos para deixar uma marca.

O SEAT Fura Crono era um pequeno utilitário de três portas, derivado do Fiat 127, que apostava numa receita simples: pouco peso, dimensões compactas e um motor a gasolina de 1,4 litros com 75 cv.

Hoje, estes números podem parecer modestos, mas a combinação de leveza e agilidade tornava-o particularmente divertido de conduzir.

Com uma decoração própria e uma imagem assumidamente jovem, o Fura Crono representa uma época em que os pequenos desportivos procuravam conquistar os condutores através das sensações, mais do que das fichas técnicas.

Peugeot 205 GTI: o pequeno desportivo que se tornou uma lenda

Poucos automóveis conseguem despertar tanta nostalgia como o Peugeot 205 GTI.

Disponível com motores de 1,6 e 1,9 litros, que chegaram aos 115 e 130 cv, respetivamente, este pequeno francês conquistou uma reputação graças ao seu comportamento em estrada.

Leve, ágil e com uma ligação muito direta entre o condutor e o automóvel, tornou-se uma das grandes referências dos desportivos compactos.

O seu segredo não estava numa potência extraordinária, mas na forma como aproveitava cada cavalo disponível.

É precisamente essa simplicidade que continua a alimentar o entusiasmo em torno do 205 GTI.

Toyota Celica: um nome que nasceu para durar

O Toyota Celica atravessou sete gerações e conquistou um lugar especial entre os coupés desportivos japoneses.

Ao longo da sua história, combinou linhas desportivas com a reputação de fiabilidade da Toyota, oferecendo versões que podiam ser utilizadas diariamente sem abdicar do prazer de condução.

Mas foi sobretudo através das versões GT-Four, equipadas com motores turbo e tração integral, que o Celica ganhou estatuto de lenda.

Os sucessos nos ralis ajudaram a transformar o modelo num dos nomes mais reconhecidos do desporto automóvel japonês.

O seu eventual regresso teria um significado especial para quem cresceu a acompanhar as máquinas japonesas nas provas do Mundial de Ralis.

Opel Calibra: quando um coupé parecia vindo do futuro

O Opel Calibra foi um dos automóveis que melhor representaram a ambição desportiva dos anos 90.

Derivado do Vectra, destacava-se por uma carroçaria baixa, elegante e especialmente aerodinâmica, com um desenho que parecia muito mais caro do que realmente era.

A gama incluía motores com potências entre 115 e 204 cv, incluindo uma versão turbo com tração integral.

O Calibra conseguiu algo que hoje se tornou bastante raro: oferecer a imagem de um coupé desportivo a um preço relativamente acessível.

Numa altura em que este tipo de carroçaria praticamente desapareceu das gamas de muitas marcas generalistas, o regresso do Calibra seria uma boa notícia para quem sente falta de alternativas aos SUV.

Ford Sierra RS Cosworth: um alerão impossível de ignorar

Há automóveis que se reconhecem imediatamente pelo som do motor. Outros, pela silhueta. No caso do Ford Sierra RS Cosworth, basta olhar para o gigantesco alerão traseiro.

Criado para cumprir os requisitos de homologação de um modelo de competição, o Sierra RS Cosworth levou para a estrada uma boa parte do espírito das corridas.

O motor turbo de 2,0 litros desenvolvia entre 204 e 220 cv, dependendo da versão, valores que lhe garantiam prestações impressionantes para a época.

A combinação de potência, imagem agressiva e ligação ao desporto automóvel transformou-o num verdadeiro objeto de culto.

Hoje, continua a representar uma geração de automóveis em que as versões desportivas das berlinas familiares podiam ser tão desejadas como os coupés mais exclusivos.

Lancia Delta Integrale: o fantasma que ainda assombra os ralis

Se existe um automóvel que merece figurar numa lista de possíveis regressos, o Lancia Delta Integrale dificilmente poderia ficar de fora.

Com o seu motor turbo de 2,0 litros, tração integral e uma carroçaria musculada, tornou-se um dos grandes símbolos da época dourada dos ralis.

As versões mais evoluídas chegaram aos 215 cv, mas os números contam apenas uma pequena parte da história.

O verdadeiro legado do Delta Integrale está nas vitórias, na tecnologia e na capacidade de transformar um automóvel compacto numa máquina de competição extraordinariamente eficaz.

Décadas depois, continua a ser um dos modelos mais admirados pelos apaixonados por automóveis.

Ressuscitar estes carros seria possível. Mas seriam os mesmos?

A indústria automóvel mudou profundamente desde o tempo em que estes seis modelos circulavam nas estradas.

As exigências de segurança, as normas ambientais, a eletrificação e as expectativas dos consumidores tornam praticamente impossível recuperar estas máquinas exatamente como eram.

Mas isso não significa que os seus nomes e a sua filosofia tenham de ficar definitivamente no passado.

Um novo Peugeot 205 GTI poderia recuperar a ideia de um pequeno desportivo leve e divertido. Um Toyota Celica moderno poderia voltar a aproximar os condutores do universo dos ralis. E um Lancia Delta Integrale reinterpretado para os dias de hoje teria certamente uma enorme responsabilidade às costas.

Por enquanto, estes seis regressos pertencem apenas ao mundo da imaginação e da nostalgia.

Mas, nesta noite de Halloween, talvez não seja preciso muito para os trazer de volta: basta recordar a primeira vez que vimos um deles passar na estrada, ouvir o som de um motor antigo ou encontrar uma fotografia esquecida.

Há fantasmas que metem medo. Estes seis só deixam saudades.