Há automóveis exclusivos e depois há aqueles que são literalmente impossíveis de encontrar noutro lugar. O GFG Peralta D pertence à segunda categoria: foi criado por encomenda para o empresário mexicano Carlos Peralta, utiliza a base de um Maserati GranTurismo e tem uma carroçaria revestida a cobre, trabalhada à mão por artesãos. E esta nem sequer é a primeira vez que Peralta pede um automóvel único à família Giugiaro.
O dinheiro pode comprar muitos automóveis raros, mas Carlos Peralta decidiu ir mais longe: encomendou um carro que não existe em qualquer catálogo, que leva o seu próprio apelido e que foi desenhado por um dos nomes mais importantes da história do design automóvel.
O resultado chama-se GFG Peralta D e foi apresentado durante o Pastejé Automotive Invitational, no México.
Segundo o ‘El Economista’, trata-se da segunda criação exclusiva desenvolvida para o empresário pelo estúdio GFG Style, fundado por Giorgetto Giugiaro e pelo filho Fabrizio Giugiaro.
A primeira foi o Peralta S, um superdesportivo baseado no Maserati MC20 e inspirado no lendário Maserati Boomerang de 1972. Agora, a família regressou com uma proposta ainda mais invulgar.
Se o “S” do primeiro modelo homenageava os filhos de Peralta, a letra “D” desta nova criação é uma referência às suas filhas.
Um Maserati GranTurismo vestido de cobre
Por baixo da carroçaria encontra-se a estrutura de um Maserati GranTurismo, com elementos em fibra de carbono e um chassis de alumínio.
Mas basta olhar para o exterior para perceber que o parentesco com o modelo italiano termina praticamente aí.
O Peralta D apresenta uma carroçaria de formas geométricas e angulares, inspirada nos protótipos desportivos da década de 1970.
A verdadeira particularidade está no material utilizado: toda a secção inferior da carroçaria, desde a linha das janelas, é revestida a cobre genuíno, moldado e martelado manualmente por artesãos especializados.
O processo confere à superfície uma textura própria, com reflexos que mudam consoante a incidência da luz.
Na parte superior, uma grande área envidraçada com acabamento espelhado prolonga visualmente a tonalidade do cobre, criando a impressão de uma estrutura quase contínua.
O resultado é um automóvel que parece ter saído diretamente de um salão de protótipos dos anos 70, mas construído com uma base mecânica contemporânea.
Não tem portas convencionais: abre como uma nave espacial
Se a carroçaria já é invulgar, o sistema de acesso ao habitáculo consegue ser ainda mais surpreendente.
Em vez de portas convencionais, o Peralta D utiliza uma grande cúpula que integra o teto e as secções laterais da carroçaria.
Quando aberta, esta estrutura permite aceder ao interior de uma forma pouco habitual, deixando à vista os quatro lugares do automóvel, numa configuração 2+2.
Na traseira existem ainda elementos com abertura vertical, inspirados no De Tomaso Mangusta de 1967, outro automóvel desenhado por Giorgetto Giugiaro.
É uma solução que combina espetáculo visual com a necessidade de facilitar o acesso aos lugares posteriores.
Um toucador, couro metalizado e champanhe a bordo
O interior foi concebido para acompanhar a identidade do exterior, com revestimentos em couro de acabamento metalizado, aplicações em Alcantara perfurada e costuras realizadas com fio de cobre genuíno.
Mas há um pormenor que dificilmente passará despercebido.
O painel de instrumentos apresenta uma configuração simétrica: do lado do condutor estão concentrados os comandos necessários à condução, enquanto a zona do passageiro incorpora um pequeno toucador.
Este espaço inclui um monitor que pode funcionar como espelho iluminado e um compartimento destinado a produtos de cosmética.
E as particularidades não terminam aqui.
Atrás da consola central encontra-se um pequeno frigorífico retrátil, preparado para guardar uma garrafa de champanhe e quatro taças de cobre.
São detalhes pensados especificamente para esta encomenda, que ajudam a explicar a diferença entre um automóvel de produção limitada e um exemplar verdadeiramente feito à medida.
Quanto custa um automóvel destes?
A GFG Style não revelou o preço do Peralta D, nem especificou qual a motorização do Maserati GranTurismo utilizada no projeto.
Também não existem indicações de que venha a ser produzida uma segunda unidade.
Na prática, o seu valor está tanto no trabalho artesanal e nos materiais utilizados como na exclusividade de uma criação concebida para um único proprietário.
O Peralta D demonstra até onde pode chegar o design automóvel quando os constrangimentos habituais da produção em série deixam de ser uma prioridade.
E há um último pormenor que torna a história ainda mais curiosa: Carlos Peralta já tem dois automóveis exclusivos criados pela família Giugiaro, ambos com o seu apelido.
Para a maioria dos colecionadores, ter um Maserati raro seria suficiente. Para este empresário mexicano, a solução foi mandar construir um Maserati que mais ninguém pode comprar.
Uns escolhem a cor do carro no configurador. Outros mandam martelar uma carroçaria inteira em cobre. Para mais histórias onde a imaginação não conhece limites de orçamento, acompanhe a Automonitor no LinkedIn e no Instagram.






