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Preocupado com a possibilidade de o seu carro ser atacado por hackers? Devia estar, seja qual for a marca

Automonitor

O risco não depende de o carro ser elétrico, híbrido ou a combustão. E também não desaparece por ter sido fabricado na Europa, nos EUA, na China ou noutro lugar

Os automóveis modernos transformaram-se em autênticos computadores sobre rodas. Estão ligados à internet, recebem atualizações remotamente, comunicam com servidores dos fabricantes e podem guardar informação sobre os locais por onde passamos. E tudo isso significa também que podem ser atacados por hackers.
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O risco não depende de o carro ser elétrico, híbrido ou a combustão. E também não desaparece por ter sido fabricado na Europa, nos EUA, na China ou noutro lugar.
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É precisamente esse o alerta deixado por Dennis B. Desmond, professor de Ciberinteligência e Investigação de Cibercrime na University of the Sunshine Coast, num artigo publicado no ‘The Conversation’: qualquer automóvel conectado pode apresentar vulnerabilidades.
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Um caso recente mostrou até onde o problema pode chegar. A ‘ABC’ revelou que um especialista em cibersegurança conseguiu atacar informaticamente um BYD Shark 6 e assumir o controlo das fechaduras, faróis e sistemas de áudio e imagem. Segundo o especialista, a tarefa foi “mais fácil do que esperávamos”.
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O caso surgiu acompanhado de preocupações sobre a quantidade de informação recolhida por automóveis da BYD e de outros fabricantes chineses e sobre a possibilidade de esses dados, incluindo áudio, imagem e localização, poderem ser acedidos pelas autoridades chinesas.
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Mas Desmond chama a atenção para uma questão mais abrangente: praticamente todos os automóveis modernos recolhem grandes quantidades de informação pessoal e muitos transmitem esses dados para servidores localizados noutros países. E não são apenas os governos que podem tentar chegar a essa informação. Os hackers também podem fazê-lo.
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Um carro moderno é uma rede de computadores sobre rodas
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Um automóvel atual pode conter dezenas de computadores responsáveis por diferentes funções. Alguns tratam do entretenimento e das comunicações, enquanto outros estão associados aos travões, direção, funcionamento do motor, sensores ou sistemas de assistência à condução.
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Todos estes sistemas comunicam entre si e alguns estabelecem ligações com o exterior.
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Bluetooth e Wi-Fi permitem ligar telemóveis e outros dispositivos ao veículo. Um cartão SIM ou eSIM integrado pode ligar diretamente o próprio automóvel à internet, às redes móveis e aos sistemas informáticos do fabricante.
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Muitos carros recebem ainda atualizações de software remotamente, através das chamadas atualizações “over-the-air”.
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A cibersegurança automóvel deixou, por isso, de significar apenas proteger um veículo individual. Os fabricantes precisam também de garantir a segurança das infraestruturas que comunicam com milhares ou milhões de automóveis e distribuem software por toda a frota.
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Por onde pode entrar um hacker?
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O cartão SIM ou eSIM não é, normalmente, a vulnerabilidade. É antes uma das portas de acesso a uma cadeia muito maior que envolve o modem do automóvel, sistemas telemáticos, operadores móveis e a infraestrutura online do fabricante.
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É ao longo dessa cadeia que podem surgir fragilidades.
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Investigadores já encontraram vulnerabilidades enquanto analisavam modelos como o Tesla Model 3 e o Cybertruck. Segundo o especialista, é provável que problemas semelhantes existam noutros automóveis.
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Há ainda uma dificuldade particular na indústria automóvel. Um carro pode permanecer em circulação durante muitos anos, utilizando tecnologias que envelhecem enquanto continua ligado à internet e depende de uma cadeia complexa de fornecedores e sistemas.
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Um atacante pode, assim, tentar explorar tanto a ligação móvel do próprio veículo como os sistemas informáticos do fabricante.
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O que pode acontecer se alguém conseguir entrar?
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Os investigadores de cibersegurança têm demonstrado que as possibilidades vão bastante além de interferir com o sistema multimédia.
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Em agosto, a Kaspersky identificou uma campanha de malware dirigida a unidades centrais de entretenimento baseadas no sistema operativo Android. O ataque utilizava um serviço automático de atualização de firmware.
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Também já foram demonstradas diferentes formas de atacar automóveis que utilizam o sistema operativo QNX, comum na indústria automóvel.
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Noutro caso, investigadores conseguiram contornar proteções antirroubo e explorar vulnerabilidades do Bluetooth para obter acesso profundo aos sistemas de um Nissan Leaf.
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As consequências potenciais dependem naturalmente da vulnerabilidade explorada e do nível de acesso conseguido. Mas, se um atacante chegar a funções associadas à iluminação ou à direção, podem existir riscos para a segurança física.
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O acesso indevido também pode ser utilizado para roubar o automóvel ou informação pessoal.
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E há outra informação valiosa: saber onde esteve
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Os dados recolhidos pelos carros conectados constituem outra parte do problema.
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Históricos de viagens, dados de geolocalização e aplicações associadas ao veículo podem ser utilizados para acompanhar os movimentos de uma pessoa. Dependendo do automóvel, as funções remotas podem ainda permitir operar portas, climatização, buzina, faróis e outros equipamentos.
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O comissário australiano para a segurança online já identificou os veículos conectados entre as tecnologias que podem facilitar situações de controlo coercivo, precisamente devido à capacidade de localização e operação remota.
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É por isso que Desmond considera que o país onde um automóvel foi fabricado pode ser um fator a ponderar, mas não deve ser confundido com uma garantia de segurança.
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O problema fundamental é mais amplo: quanto maior for a conectividade de um veículo, maior é a superfície tecnológica que precisa de ser protegida.
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Europa já exige medidas de cibersegurança
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A regulamentação também não é igual em todos os mercados.
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A Austrália, onde se centra o artigo do ‘The Conversation’, não tem atualmente uma norma mínima obrigatória de cibersegurança especificamente destinada aos automóveis, e a adoção de novas regras poderá ainda demorar vários anos.
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Outros mercados, incluindo a China e a União Europeia, já exigem aos fabricantes que demonstrem como gerem riscos de cibersegurança e protegem as atualizações de software ao longo da vida dos veículos.
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Para Desmond, quanto mais conectados ficam os automóveis, mais importante se torna fazer duas perguntas: não apenas que informação está a sair do carro, mas também o que pode conseguir entrar através dessas mesmas ligações.
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O que pode fazer para reduzir o risco?
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Evitar completamente os riscos associados à cibersegurança e à privacidade num automóvel conectado é cada vez mais difícil. Mas existem cuidados que podem reduzir a exposição.
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O Australian Cyber Security Centre recomenda manter atualizado o software do automóvel e das aplicações associadas, pesquisar a forma como o fabricante aborda a cibersegurança e avaliar os riscos antes de utilizar serviços conectados.
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Há ainda um cuidado especialmente importante na compra ou venda de um automóvel usado: repor o veículo nas definições de fábrica, eliminando contas, dispositivos e informação pessoal que possam ter ficado associados ao anterior proprietário.
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A origem do automóvel pode entrar na equação, mas está longe de contar toda a história. À medida que os carros ganham ligações permanentes à internet, aplicações e funções controladas remotamente, a segurança deixa de depender apenas de uma chave e de portas trancadas. Há agora todo um sistema informático que também precisa de ficar fechado a quem não deve entrar.