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Ninguém lhe apagou as marcas do tempo: raro carro de luxo aparece num celeiro 98 anos depois

Automonitor

Há descobertas em celeiros que escondem carros antigos. E depois há aquelas em que, debaixo do pó, aparece um automóvel que já era reservado aos mais ricos há quase 100 anos

Há descobertas em celeiros que escondem carros antigos. E depois há aquelas em que, debaixo do pó, aparece um automóvel que já era reservado aos mais ricos há quase 100 anos.

Foi o que encontrou o especialista em clássicos Steve Magnante no Massachusetts, nos EUA: um Pierce-Arrow Model 81 de 1928, parado há décadas e que nunca foi restaurado.

O tempo deixou marcas, naturalmente. Há desgaste e ferrugem superficial. Mas as rodas com raios de madeira sobreviveram, tal como o tablier em madeira e, sobretudo, o conjunto mecânico original que permanece debaixo do capot. A descoberta foi documentada por Magnante e divulgada esta semana pela ‘Autoevolution’.

Um carro para muito poucos

O nome Pierce-Arrow pode hoje ser desconhecido para muitos condutores, mas nos anos 20 fazia parte da aristocracia automóvel dos EUA.

Pierce-Arrow, Packard e Peerless ficaram conhecidas como os “três P” do automóvel de luxo, numa época em que os clientes da primeira incluíam milionários, estrelas de Hollywood e membros da realeza. A marca acabaria por desaparecer em 1938.

E este Model 81 mostra bem a distância que separava um Pierce-Arrow de um automóvel comum.

Em 1928, custava cerca de 3.300 dólares. Um Ford Model A começava nos 385 dólares.

Por outras palavras, pelo preço de um destes Pierce-Arrow seria possível comprar mais de oito Ford novos.

E este é dos mais raros

Foram construídos perto de 5.000 Model 81 em 1928, número confirmado também pela RM Sotheby’s, mas o carro encontrado por Magnante é uma versão bastante menos comum: coupé de duas portas com “rumble seat”.

O “rumble seat” é um pequeno banco exterior escondido na traseira do automóvel. Abre-se uma tampa onde hoje esperaríamos encontrar apenas a bagageira e surgem lugares adicionais, completamente expostos aos elementos.

Debaixo do enorme capot encontra-se um seis cilindros em linha de 4,7 litros com 75 cv, associado a uma caixa manual de três velocidades. Foi também o último modelo da Pierce-Arrow equipado com um seis cilindros em linha.

Restaurar ou deixar exatamente assim?

Essa é agora provavelmente a pergunta mais interessante.

Um restauro poderia devolver ao Pierce-Arrow o aspeto luxuoso de 1928. Mas significaria também apagar a pátina e muitas das marcas que permitem olhar para este automóvel quase como uma cápsula do tempo.

Não se sabe se o proprietário pretende vendê-lo ou restaurá-lo. Exemplares em mau estado podem ficar abaixo dos 10 mil dólares, enquanto raros coupés com “rumble seat” e descapotáveis restaurados podem ultrapassar os 70 mil dólares, segundo a Autoevolution.