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Bom tempo, luz do dia e uma estrada reta: é nestas condições que acontece a maioria dos acidentes em Portugal, revela estudo

Automonitor

Entre 2021 e 2023, 84,4% dos acidentes analisados ocorreram com bom tempo, cerca de 72% durante o dia e 70,9% em estradas retas. Além disso, 77% aconteceram fora de cruzamentos e entroncamentos

Quando pensamos nas situações mais perigosas ao volante, é fácil imaginar chuva, noite, curvas ou estradas em mau estado. Mas um estudo realizado pela NOVA Information Management School (NOVA IMS) mostra uma realidade diferente: a maioria dos acidentes rodoviários analisados em Portugal aconteceu em condições aparentemente favoráveis à condução.
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Entre 2021 e 2023, 84,4% dos acidentes analisados ocorreram com bom tempo, cerca de 72% durante o dia e 70,9% em estradas retas. Além disso, 77% aconteceram fora de cruzamentos e entroncamentos.
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Os números resultam de uma investigação baseada em dados oficiais da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) e não significam que conduzir com bom tempo, durante o dia ou numa estrada reta seja mais perigoso.
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Há um fator essencial para interpretar os resultados: a exposição. É precisamente nos períodos de bom tempo e de luz do dia que existe também maior mobilidade e volume de tráfego, enquanto as estradas retas representam uma parcela significativa das vias utilizadas.
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Ainda assim, os dados mostram que os acidentes estão longe de acontecer apenas nas circunstâncias que habitualmente associamos a maior risco.
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Mais de oito em cada 10 acidentes aconteceram com bom tempo
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A diferença é particularmente expressiva quando são analisadas as condições meteorológicas.
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Com bom tempo, foram registadas 46.143 colisões, 27.264 despistes e 11.592 atropelamentos. Nos períodos de chuva, os números desceram para 6.072 colisões, 7.248 despistes e 1.788 atropelamentos.
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As colisões representam mais de metade dos acidentes analisados no estudo. Os despistes surgem depois, correspondendo a cerca de 34,4% dos casos, enquanto os atropelamentos têm um peso bastante inferior.
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Também o estado e a configuração das estradas ajudam a contrariar algumas ideias intuitivas sobre a sinistralidade: aproximadamente dois terços dos acidentes aconteceram em estradas planas e as vias classificadas como estando em mau estado representam menos de 3% dos casos analisados.
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Situações rotineiras também exigem atenção
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Para Tomás Francisco Ribeiro, autor do estudo, um dos aspetos mais relevantes dos resultados é precisamente a concentração de acidentes em circunstâncias que os condutores podem não identificar imediatamente como perigosas.
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“Isso não significa que o bom tempo, a luz do dia ou uma estrada reta aumentem o risco, mas reforça a importância de manter a atenção também nas situações mais rotineiras de condução”, explica.
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Os resultados revelam ainda uma forte concentração geográfica da sinistralidade. Cerca de 84% dos acidentes analisados ocorreram nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.
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Segundo o investigador, este resultado reflete o impacto da densidade populacional e da intensidade do tráfego na sinistralidade rodoviária.
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Três anos de acidentes analisados
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O estudo, intitulado “Time-space analysis of car accidents in Portugal: A spatio-temporal approach to understanding road accident dynamics in Portugal”, foi desenvolvido por Tomás Francisco Ribeiro no âmbito do Mestrado em Data Science and Advanced Analytics, com especialização em Business Analytics, da NOVA IMS.
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A investigação, orientada pelos professores Marco Painho e Ana Cristina Marinho da Costa, analisou dados oficiais da ANSR relativos aos acidentes rodoviários registados em Portugal entre 2021 e 2023.
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Além das condições meteorológicas e da luminosidade, foram consideradas características como o tipo e configuração da estrada, o estado de conservação da via e a natureza de cada acidente.