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Esta bicicleta elétrica é feita com redes de pesca retiradas do mar. E promete até 120 km de autonomia

Francisco Laranjeira

A nova versão elétrica da igus:bike aproveita a experiência acumulada com o modelo convencional e combina um motor instalado na roda traseira com uma bateria que permite percorrer até 120 quilómetros. O preço anunciado começa nos 2.500 euros

Uma bicicleta elétrica feita, em grande parte, de plástico e com redes de pesca recicladas entre as matérias-primas. É a proposta da igus para a mobilidade urbana, apresentada pela primeira vez na feira Eurobike, em Frankfurt.
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A nova versão elétrica da igus:bike aproveita a experiência acumulada com o modelo convencional e combina um motor instalado na roda traseira com uma bateria que permite percorrer até 120 quilómetros. O preço anunciado começa nos 2.500 euros.
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A ideia é pouco habitual até na própria construção: cerca de 50% da bicicleta é feita de plástico, incluindo componentes como o quadro, as rodas, o espigão do selim e o guiador. O metal fica reservado sobretudo para os pontos onde continua a ser tecnicamente necessário, como a forqueta de suspensão, os discos e os cabos dos travões.
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Das redes de pesca para o quadro de uma bicicleta
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A componente mais curiosa está na origem de parte do material utilizado.
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A igus trabalha com um parceiro belga que recolhe redes perdidas por embarcações de pesca junto à costa. Depois de recuperado, o material é limpo e transformado em pó plástico, que pode então ser utilizado na produção da bicicleta.
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Segundo a empresa, 50% do plástico utilizado nos quadros tem origem neste material reciclado.
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A aposta procura dar uma segunda vida a resíduos particularmente problemáticos. A igus cita dados da organização ambiental WWF segundo os quais cerca de um terço dos resíduos plásticos presentes nos oceanos corresponde a materiais relacionados com a pesca, como redes e cordas.
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O processo de fabrico permite produzir componentes ocos, robustos e sem soldaduras. A empresa afirma ter ainda conseguido aumentar a rigidez do quadro, reduzindo simultaneamente a espessura das paredes e tornando o desenho mais estreito.
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Motor com 60 Nm e até 120 quilómetros de autonomia
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Concebida sobretudo para deslocações urbanas, a nova igus:bike elétrica utiliza apenas uma velocidade e pesa aproximadamente 20 quilos.
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O motor está integrado na roda traseira e disponibiliza 60 Nm de binário. A transmissão recorre a uma correia dentada produzida em fibra de carbono e plástico.
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A bateria oferece uma autonomia anunciada de até 120 quilómetros.
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A produção em série arrancou no terceiro trimestre de 2026 e a bicicleta elétrica estará disponível a partir de 2.500 euros.
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A igus prepara igualmente uma nova versão sem assistência elétrica, equipada com um cubo de oito velocidades.
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Antes da versão elétrica, houve uma viagem por 25 países
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A nova bicicleta não nasceu do zero. A empresa utilizou como ponto de partida a experiência acumulada com a versão convencional da igus:bike, que realizou uma viagem mundial durante cerca de um ano e meio.
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Ao longo dessa digressão, a bicicleta passou por 25 países e percorreu quase 6.000 quilómetros em diferentes condições climáticas.
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Jens Boldt, diretor da unidade de negócio igus:bike, explica que a experiência permitiu testar a resistência dos componentes em condições reais e aproveitar essa informação no desenvolvimento da nova versão elétrica.
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Antes de serem utilizados, os componentes são também sujeitos a ensaios no laboratório de testes da empresa.
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Uma bicicleta pensada para ficar à chuva
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Há outra característica que a igus utiliza para distinguir a bicicleta das alternativas convencionais: a reduzida necessidade de manutenção.
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Numa bicicleta tradicional, elementos como a corrente, os aros das rodas, o espigão do selim ou as soldaduras do quadro podem sofrer corrosão quando ficam repetidamente expostos à chuva.
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A utilização extensiva de plástico procura eliminar grande parte desse problema. Segundo a empresa, a igus:bike pode permanecer exposta à chuva durante anos sem sofrer corrosão.
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Os pontos de apoio utilizam ainda casquilhos deslizantes produzidos em polímeros de elevado desempenho e dispensam lubrificação. Estes componentes são utilizados, por exemplo, nas manetes dos travões, pedais e amortecedores.
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Lubrificantes sólidos microscópicos integrados no próprio material permitem o funcionamento a seco, sem necessidade de aplicação de óleos ou massas lubrificantes.
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A combinação pretende responder a dois problemas urbanos diferentes: reduzir a manutenção necessária numa bicicleta utilizada diariamente e transformar resíduos de plástico que poderiam permanecer nos oceanos durante anos numa nova forma de mobilidade.