Um adulto e um saco de compras. É esta a lotação do Peel P50, reconhecido como o automóvel de produção mais pequeno do mundo, que vai agora a leilão no Reino Unido com uma estimativa entre cerca de 46 e 69 mil euros, como noticia o ‘The Independent’.
O exemplar será vendido a 14 de novembro pela casa de leilões Iconic Auctioneers, de Ashorne, no Warwickshire. É de cor verde-azeitona e chegou recentemente da Finlândia, para onde tinha sido importado novo em 1964 e onde ficou até este ano. A casa de leilões descreve-o como não restaurado e em estado muito original, pronto para uma restauração completa.
Três rodas, motor de 49 cc e nenhuma marcha-atrás
Com cerca de 1,4 metros de comprimento e 1,1 de largura, o P50 foi pensado como um carro de cidade, com uma velocidade máxima de cerca de 64 km/h. Tem três rodas e um motor de dois tempos de 49 cc, de origem Zweirad Union/DKW, que acionava a roda traseira através de uma caixa manual de três velocidades.
Não tem marcha-atrás. Para inverter, o condutor tem de usar uma pega na traseira para levantar o carro e fazê-lo girar à mão. A publicidade da época garantia que era “quase mais barato do que andar a pé”, graças ao baixo consumo. Novo, custava 199 libras, cerca de 230 euros, o equivalente a cerca de 4 200 euros em valores de hoje.
Do salão de Earl’s Court ao Guinness
O P50 nasceu na Peel Engineering Company, sediada na cidade de Peel, na ilha de Man, e especializada em barcos e carenagens para motos de marcas como a Norton e a BMW. Foi idealizado pelo fundador, Cyril Cannell, e apresentado em 1962 no salão de bicicletas e motociclos de Earl’s Court, ainda com uma roda à frente e duas atrás. A disposição foi invertida pouco depois e o modelo de produção chegou em 1963. Em 2010, o Guinness Book of Records reconheceu-o oficialmente como o carro de produção mais pequeno do mundo.
Raro e cobiçado por colecionadores
O modelo nunca singrou. Foram construídas cerca de 50 unidades entre 1962 e 1965, antes de ser abandonado, e restam menos de 30 exemplares. Alex Lucocq, especialista em automóveis da Iconic Auctioneers, explica que nas últimas duas décadas o P50 ganhou estatuto de culto, com elogios de personalidades como Jeremy Clarkson, por representar a criatividade e a excentricidade da indústria britânica do início dos anos 60.
A raridade e a procura dos colecionadores fazem com que um P50 autêntico valha hoje, muitas vezes, mais do que muitos desportivos britânicos da mesma época. O leilão realiza-se a 14 de novembro.






