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Williams FW16 de Ayrton Senna vai a leilão: Frank Williams cumpriu o contrato e ofereceu o carro à família do piloto

Williams FW16 de Ayrton Senna vai a leilão: Frank Williams cumpriu o contrato e ofereceu o carro à família do piloto
Automonitor

Estimativa de venda situa-se entre cerca de 3,6 e 5,3 milhões de euros

A RM Sotheby’s vai leiloar o Williams FW16B-01, o chassis que a Williams entregou à família de Ayrton Senna no final de 1994, em cumprimento de um contrato assinado com o piloto. Segundo o ‘El Economista’, a estimativa de venda situa-se entre cerca de 3,6 e 5,3 milhões de euros.

O que torna este carro invulgar não é apenas a ligação ao piloto brasileiro, que morreu no Grande Prémio de San Marino, a terceira corrida da temporada de 1994. É a forma como foi parar às mãos da família.

O contrato de Senna com a Williams previa que, se a equipa conquistasse o Campeonato do Mundo de Construtores, o piloto receberia um dos chassis utilizados nessa temporada. A Williams venceu o título e Frank Williams honrou o compromisso: o carro foi entregue à família de Senna no final de 1994, depois de uma inspeção minuciosa.

O chassis escolhido foi o FW16B-01, por ter sido extensivamente testado por Senna e utilizado no warm-up da manhã do Grande Prémio do Brasil, em Interlagos, diante do público do piloto. Hoje, é um dos dois únicos Williams de Fórmula 1 que Senna conduziu nessa temporada e que ainda existem.

Uma temporada de regras novas

Senna deixara a McLaren em 1993 para se juntar à Williams, então campeã de construtores. Mas a mudança chegou num momento difícil: no final dessa época, o regulamento da Fórmula 1 foi alterado e o FW15C, que tinha vencido em 1993, ficou proibido para 1994. O FW15 era uma maravilha tecnológica, com suspensão hidráulica controlada eletronicamente, travões ABS, controlo de tração e caixa totalmente automatizada.

Em 1994, tudo isso desapareceu. Regressaram a suspensão passiva e uma condução mais pura, e o FW16, desenhado por Adrian Newey e Patrick Head, nasceu nesse contexto. Era um carro difícil: a janela de afinação era tão estreita que qualquer uma de doze variáveis podia alterar o comportamento. Damon Hill teve dificuldades para encontrar ritmo, mas Senna conseguiu a pole position na abertura, em Interlagos, com mais de 1,5 segundos de vantagem sobre o companheiro de equipa.

A corrida não correu como esperava. Depois da paragem nas boxes, foi ultrapassado por Michael Schumacher, da Benetton-Ford, e acabou por sair de pista na volta 55. Na corrida seguinte, no Japão, voltou a conquistar a pole, mas foi tocado por Häkkinen e depois por Larini e teve de abandonar.

Em Imola, no Grande Prémio de San Marino, Senna conquistou a terceira pole position consecutiva. Foi nessa corrida que sofreu o acidente que lhe custou a vida.

Depois do acidente, o carro evoluiu para o FW16B. Com Damon Hill ao volante, acabou o campeonato de pilotos em segundo lugar, a apenas um ponto de Schumacher, e a Williams garantiu o título de construtores.

Três décadas intocado

O chassis FW16B-01 permaneceu 30 anos na posse da família Senna. Segundo o ‘El Economista’, encontra-se em estado totalmente preservado, sem restauro. O atual proprietário adquiriu-o em 2024, através da RM Sotheby’s, e o carro não voltou a ser usado desde então. Agora é oferecido ao público pela primeira vez.

Há ainda um pormenor que reforça o seu valor histórico: só três campeões do mundo o conduziram, o próprio Senna, Nigel Mansell e Damon Hill.

Resta saber quanto estará alguém disposto a pagar por um carro que é mais do que uma máquina de corrida. É um capítulo da história da Fórmula 1 e uma promessa cumprida.