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Mesmo na terra dos supercarros, encher o depósito no Mónaco pode em breve tornar-se um luxo

Mesmo na terra dos supercarros, encher o depósito no Mónaco pode em breve tornar-se um luxo
Automonitor

Ferrari, Lamborghini, Bentley ou McLaren. Basta passear pelas ruas do Mónaco para perceber por que razão o Principado é frequentemente associado a alguns dos automóveis mais caros do mundo

É um dos lugares do mundo onde os supercarros fazem parte da paisagem. Mas o Mónaco enfrenta um problema inesperado: os postos de combustível estão a desaparecer e o Principado pode ficar com apenas dois locais para abastecer. As autoridades já receiam consequências para o trânsito e para os preços.

Ferrari, Lamborghini, Bentley ou McLaren. Basta passear pelas ruas do Mónaco para perceber por que razão o Principado é frequentemente associado a alguns dos automóveis mais caros do mundo.

Mas há um paradoxo a ganhar forma neste território de pouco mais de dois quilómetros quadrados: encontrar uma bomba de gasolina pode tornar-se cada vez mais difícil.

Segundo a revista francesa ‘L’Automobile Magazine’, a situação já chegou ao Conselho Nacional do Mónaco, onde os responsáveis políticos manifestaram preocupação com a redução do número de postos de abastecimento.

E o cenário pode agravar-se nos próximos meses.

Um Principado com apenas duas bombas de gasolina?

A 31 de agosto, o posto Esso situado junto ao Estádio Louis II, no bairro de Fontvieille, encerrou definitivamente depois de quase 50 anos de atividade.

O espaço terá de dar lugar a trabalhos de requalificação do complexo desportivo e não está prevista a sua reabertura.

Mas existe outro encerramento no horizonte.

O posto situado nas proximidades do cemitério deverá fechar temporariamente devido às obras de desenvolvimento do futuro complexo Îlot Charles III.

Se esse encerramento avançar, o Mónaco ficará com apenas dois postos de combustível operacionais: Romano Energy, no Boulevard Charles III, e Pit Stop, junto à entrada do parque de estacionamento do Grimaldi Forum.

Para um território conhecido pela concentração de automóveis de luxo, a situação é, no mínimo, invulgar.

O problema não é apenas encontrar combustível

A preocupação das autoridades vai além da comodidade dos automobilistas.

Thomas Brezzo, presidente do Conselho Nacional, alertou para a possibilidade de cada vez mais condutores terem de sair do Principado para abastecer, procurando alternativas em localidades francesas próximas, como Cap-d’Ail ou Roquebrune-Cap-Martin.

Isso poderá aumentar a pressão sobre acessos rodoviários que já enfrentam congestionamentos frequentes.

Há também uma questão económica.

Jean-Louis Grinda, vice-presidente do Conselho Nacional, manifestou preocupação com a redução da concorrência entre distribuidores. Com apenas dois postos disponíveis, os automobilistas terão menos possibilidades de comparar preços.

Importa, contudo, distinguir o risco da realidade: não existem dados que demonstrem que os encerramentos já provocaram um aumento dos preços dos combustíveis.

Porque não abrir simplesmente outra bomba de gasolina?

A resposta está numa das características mais conhecidas do Mónaco: a falta de espaço.

Instalar um posto de abastecimento exige terreno, depósitos de armazenamento e condições de segurança específicas, requisitos difíceis de cumprir num dos territórios mais densamente urbanizados do mundo.

Frédéric Cottalorda, responsável governamental pelas Finanças e Economia, reconheceu a dificuldade de encontrar uma solução. Entre as hipóteses discutidas está o eventual aproveitamento de depósitos de combustível já existentes.

Entretanto, o Principado continua a apostar na eletrificação dos transportes. Em 2025, os automóveis elétricos representaram 21,9% das novas matrículas, uma percentagem idêntica à dos modelos exclusivamente a gasolina, segundo os dados apresentados pela publicação francesa.

Mas os veículos com motor de combustão continuam a circular, incluindo os híbridos que também precisam de combustível.

E assim surge um dos maiores paradoxos do Mónaco: num lugar onde encontrar um Ferrari ou um Lamborghini não é propriamente difícil, abastecer um automóvel pode tornar-se uma tarefa cada vez menos simples.