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O Shelby GT500 desapareceu. A Ford responde com um Mustang de 795 cv e tecnologia do seu modelo mais extremo de sempre

Automonitor

Debaixo do enorme capô continua a estar o conhecido motor Predator V8 de 5,2 litros com compressor, agora com 795 cv, mais 35 cv do que o Shelby GT500

Não é o Mustang mais extremo que a Ford consegue fabricar — esse lugar pertence agora ao GTD —, mas é provavelmente aquele que melhor assume o papel deixado pelo Shelby GT500. Chama-se Ford Mustang Dark Horse SC, tem 795 cv, um V8 de 5,2 litros sobrealimentado e consegue percorrer os 400 metros em menos de 11 segundos.

E, segundo a ‘Road & Track’, que já o conduziu no Sonoma Raceway, nos EUA, há outro detalhe difícil de ignorar: é ensurdecedor. A Ford terá mesmo decidido torná-lo ainda mais ruidoso do que o anterior Shelby GT500.

O resultado é um Mustang que recupera a fórmula do GT500, mas recebe tecnologia desenvolvida para o muito mais exclusivo Mustang GTD.

795 cv num V8 de 5,2 litros

Debaixo do enorme capô continua a estar o conhecido motor Predator V8 de 5,2 litros com compressor, agora com 795 cv, mais 35 cv do que o Shelby GT500.

Para chegar a esse valor, a Ford recorreu, entre outras alterações, a uma polia mais pequena. O compressor é o mesmo utilizado pelo Mustang GTD.

A potência é enviada às rodas através de uma caixa automática de dupla embraiagem com sete velocidades.

Na pista de aceleração de Sonoma, a Road & Track registou passagens pelos 400 metros abaixo dos 11 segundos, com o Mustang a cruzar a meta a cerca de 209 km/h.

A Ford não anuncia oficialmente um tempo dos 0 aos 100 km/h, mas a publicação estima que, com as condições certas e utilizando o controlo de arranque, o Dark Horse SC deverá conseguir fazê-lo em aproximadamente três segundos.

Foi buscar peças ao Mustang de mais de 300 mil dólares

É quando chegam as curvas que começa a perceber-se a ligação ao Mustang GTD.

Os dois automóveis foram desenvolvidos em paralelo e o Dark Horse SC aproveita algumas das soluções criadas para o modelo mais radical da gama.

Na versão equipada com Track Pack, recebe travões carbocerâmicos derivados do GTD e jantes em fibra de carbono. Em conjunto, estas alterações permitem retirar cerca de 54 quilos de massa não suspensa.

Também a suspensão MagneRide evoluiu, passando para uma nova geração de amortecedores que permite uma afinação mais precisa.

O objetivo não foi apenas tornar o carro mais eficaz em circuito. Segundo a Road & Track, o novo sistema consegue também tornar o Mustang menos nervoso e mais tolerante em estradas irregulares do que o antigo GT500.

Cinco níveis para controlar quase 800 cv

Os pneus Michelin Pilot Sport Cup 2 R da versão Track Pack ajudam a colocar os 795 cv no asfalto, mas há outra tecnologia herdada do GTD: o controlo de tração variável.

O condutor pode escolher entre cinco níveis de intervenção eletrónica, reduzindo progressivamente a ajuda do sistema à medida que ganha confiança.

Apesar da potência e dos mais de 1.860 quilos, a publicação destaca sobretudo a evolução da direção e a capacidade do eixo dianteiro para esconder o peso e as dimensões do automóvel em circuito.

Para quem não pretende passar grande parte do tempo numa pista, existe uma configuração menos radical.

Sem o Track Pack, o Dark Horse SC utiliza jantes de liga leve, travões convencionais, pneus Pirelli P Zero R e uma afinação da suspensão mais orientada para estrada. A enorme asa traseira dá também lugar a um spoiler mais discreto e os bancos Recaro podem ser substituídos por bancos desportivos elétricos, aquecidos e com regulação lombar.

O problema está no preço

Se os 795 cv aproximam o Dark Horse SC do território dos supercarros, o preço começa a fazer o mesmo.

Nos EUA, o novo Mustang parte dos 108.085 dólares, cerca de 92 mil euros à conversão direta, aproximadamente 28 mil dólares acima do preço do Shelby GT500 quando este deixou de ser produzido.

E o salto torna-se muito maior quando se escolhe precisamente a versão que melhor mostra aquilo de que o carro é capaz.

Com o Track Pack, o preço começa nos 144.585 dólares, cerca de 123 mil euros, sobretudo devido à inclusão das jantes de carbono e dos dispendiosos travões carbocerâmicos.

É um valor que já coloca o Mustang próximo de propostas como o Chevrolet Corvette Z06.

Ainda assim, permanece muito abaixo do Mustang GTD, produzido em números reduzidos e com um preço superior a 300 mil dólares.

É precisamente aí que a Ford posiciona o novo Dark Horse SC: abaixo do extraordinário GTD, mas acima dos restantes Mustang e diretamente no espaço anteriormente ocupado pelo Shelby GT500.

Quase 800 cv, tecnologia herdada de um Mustang de mais de 300 mil dólares e 400 metros percorridos em menos de 11 segundos. O GT500 desapareceu, mas a Ford tratou de não deixar o seu lugar vazio.