Há automóveis que ficam na história pela potência, pelo luxo ou pela exclusividade. O Fiat 124 conseguiu fazê-lo de outra forma: colocou uma imagem elegante, espaço para uma família e uma mecânica relativamente simples ao alcance de milhões de condutores.
Apresentado no Salão Automóvel de Genebra de 1966, completa agora 60 anos. E os números ajudam a explicar a dimensão do fenómeno: ao longo de mais de quatro décadas e através de diferentes fabricantes, foram produzidos mais de 20 milhões de automóveis derivados do 124 em todo o mundo.
A Fiat assinala o aniversário no Heritage Hub, em Turim, com a exposição “Mi chiamo Fiat 124”, dedicada à história de um modelo que acabou por viajar muito para além de Itália.
Elegância em pouco mais de quatro metros
Desenhado por Dante Giacosa, o Fiat 124 seguia uma fórmula aparentemente simples: berlina de quatro portas e três volumes, habitáculo espaçoso e dimensões compactas, com pouco mais de quatro metros de comprimento.
Debaixo do capot estava inicialmente um motor de quatro cilindros com 1.197 cc e 60 cv. Não impressiona pelos padrões atuais, mas o automóvel pesava pouco mais de 855 kg.
A configuração era convencional, mas robusta: motor dianteiro, tração traseira e eixo rígido atrás com molas helicoidais.
O resultado convenceu rapidamente. Em 1967, apenas um ano depois da apresentação, o Fiat 124 conquistou o título de Carro Europeu do Ano.
De berlina familiar a descapotável e carro de ralis
A arquitetura do 124 permitiu à Fiat criar rapidamente uma verdadeira família de modelos.
À berlina juntou-se uma carrinha e, ainda em 1966, apareceu o 124 Sport Spider, desenhado pela Pininfarina. No ano seguinte chegaria o 124 Sport Coupé.
O Spider acabou por ganhar especial notoriedade nos EUA, mercado que absorveu quase 75% das unidades desta versão. Foi comercializado naquele país desde 1968 até 1983 e tornou-se uma das faces mais reconhecidas do 124 fora da Europa.
A história chegou também à competição. O Sport Spider entrou nos ralis e acabaria por dar origem ao Fiat Abarth 124 Rally, desenvolvido especificamente para levar a fórmula muito mais longe nas provas.
O mesmo carro com muitas nacionalidades
Mas a verdadeira dimensão do Fiat 124 percebe-se quando se olha para o mapa.
Em Espanha, começou a ser produzido em 1968 como SEAT 124. Foram comercializadas as diferentes carroçarias com exceção do Sport Spider.
Na União Soviética, a arquitetura do 124 serviu de base aos automóveis produzidos pela VAZ, conhecidos internacionalmente através da Lada. Houve ainda produção pela Tofas na Turquia e pela Premier na Índia, além de montagem noutros mercados.
Foi essa expansão que transformou um automóvel italiano relativamente simples num verdadeiro carro global.
Ao longo de mais de 40 anos, os diferentes modelos e derivados do 124 ultrapassaram os 20 milhões de unidades. Só em Itália foram comercializados quase 1,5 milhões, mais de um milhão dos quais na tradicional configuração de berlina de quatro portas.
Sessenta anos depois da estreia em Genebra, o 124 continua assim a ocupar um lugar pouco comum na história da Fiat: nasceu como um familiar compacto e acessível, ganhou versões desportivas, correu em ralis e acabou por colocar a mesma receita automóvel nas estradas de uma parte significativa do mundo.






