A Volkswagen quer ultrapassar a fasquia de um milhão de automóveis produzidos anualmente na Península Ibérica, colocando as fábricas de Navarra e Martorell, em Espanha, e a Autoeuropa, em Palmela, no centro da estratégia industrial do grupo para os próximos anos.
A previsão foi avançada por André Kleb, responsável pela produção do Grupo de Marcas Principais da Volkswagen, citado pelo ‘El Economista’, durante o arranque da produção em série do novo ID.Cross na fábrica de Landaben, em Navarra. Segundo o responsável, este conjunto de unidades poderá vir a representar mais de 10% de toda a produção mundial do grupo.
O ID.Cross completa a nova família de elétricos urbanos que a Volkswagen começou a colocar nas linhas de produção espanholas este ano. A sequência arrancou em março com o Cupra Raval, em Martorell, seguindo-se em junho o Volkswagen ID. Polo, também naquela fábrica, e o Škoda Epiq, em Navarra. O ID.Cross é o quarto modelo.
“Estamos a falar de quatro modelos, de três marcas diferentes, produzidos em duas fábricas espanholas sobre uma plataforma comum”, explicou André Kleb.
A estratégia passa precisamente por aumentar a utilização das fábricas e partilhar plataformas, tecnologias e processos de produção entre diferentes marcas, reduzindo custos e complexidade sem eliminar a identidade própria de cada modelo.
A aposta exigiu investimentos elevados. Só a transformação da fábrica de Landaben representou cerca de mil milhões de euros, enquanto a Volkswagen investiu 3,3 mil milhões de euros na adaptação de Martorell à produção de veículos elétricos. Os dois polos fazem parte do projeto Small BEV, liderado pela Seat/Cupra, destinado ao desenvolvimento e produção de uma nova geração de elétricos urbanos assente na plataforma MEB+.
Em Navarra, a Volkswagen espera produzir cerca de 264 mil veículos em 2026, mais 17% do que no ano anterior, segundo fontes sindicais citadas pelo El Economista. A capacidade poderá chegar às 360 mil unidades em 2027, crescimento que poderá implicar a contratação de até mil trabalhadores.
O reforço da produção ibérica surge, contudo, num período particularmente exigente para a Volkswagen e para a indústria automóvel europeia.
“A indústria automóvel está a passar por uma reestruturação e transformação. A concorrência internacional está a crescer e o ambiente global está a tornar-se cada vez mais exigente”, reconheceu André Kleb.
O grupo está simultaneamente a executar uma profunda redução de custos e a rever a sua estrutura industrial na Europa. É neste contexto que uma maior utilização das fábricas da Península Ibérica ganha peso na estratégia do construtor.
Para Portugal, há um dado particularmente relevante: quando a Volkswagen faz as contas ao objetivo de ultrapassar um milhão de veículos produzidos anualmente na região, inclui também a Autoeuropa, em Palmela, ao lado das unidades espanholas de Navarra e Martorell.






