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Porque é que os carros elétricos chineses são mais baratos? Estudo revela uma diferença difícil de combater

Porque é que os carros elétricos chineses são mais baratos? Estudo revela uma diferença difícil de combater
Automonitor

Segundo os especialistas, a vantagem dos fabricantes chineses não é temporária e dificilmente poderá ser eliminada apenas através de tarifas de importação

Os fabricantes chineses conseguem produzir um automóvel elétrico por cerca de 9.500 euros menos do que os concorrentes europeus. Mas o preço é apenas uma parte do problema: a China também desenvolve novos modelos em menos de metade do tempo. Um estudo revela até que ponto a indústria automóvel europeia está a perder terreno.

A conclusão é de uma análise da consultora AlixPartners, divulgada por ocasião do Salão Automóvel de Paris e citada pelo ‘Motor1’. Segundo os especialistas, a vantagem dos fabricantes chineses não é temporária e dificilmente poderá ser eliminada apenas através de tarifas de importação.

Os números ajudam a perceber porquê. Produzir um elétrico de uma marca chinesa custa, em média, cerca de 17.300 euros, enquanto um modelo europeu equivalente representa aproximadamente 26.800 euros. São quase 9.500 euros de diferença antes de o automóvel chegar ao mercado.

Cinco anos contra dois: a diferença que preocupa a Europa

A velocidade de desenvolvimento é outro dos problemas identificados.

Enquanto alguns fabricantes europeus podem demorar até 60 meses a desenvolver e lançar um novo automóvel, os concorrentes chineses conseguem fazê-lo em aproximadamente 24 meses.

Esta diferença reflete-se na idade dos modelos vendidos. Na Europa, menos de um terço das vendas dos fabricantes tradicionais corresponde a automóveis lançados nos últimos três anos. Entre os construtores chineses analisados, essa proporção varia entre 76% e 100%.

Na prática, as marcas chinesas conseguem renovar as gamas mais rapidamente, introduzir novas tecnologias e adaptar os preços às exigências do mercado.

Há 15 fábricas europeias a trabalhar abaixo da capacidade

A pressão também se faz sentir nas contas dos fabricantes.

Segundo a AlixPartners, a margem EBITDA da indústria automóvel europeia caiu de 13,2%, em 2021, para 6,9%, em 2025. Isto significa que os construtores dispõem de menos recursos para financiar o desenvolvimento de novos elétricos, baterias e sistemas digitais.

Ao mesmo tempo, 15 fábricas de montagem europeias estão a funcionar abaixo de 60% da respetiva capacidade. Em conjunto, poderiam produzir cerca de 2,5 milhões de automóveis adicionais por ano.

Alguns fabricantes chineses já estão a estudar a possibilidade de aproveitar estas instalações para estabelecer ou reforçar a produção na Europa.

Existe ainda outro obstáculo: aproximadamente 80% da capacidade de refinação de determinados materiais utilizados nas baterias encontra-se fora do continente europeu. Construir novas fábricas de baterias não resolve, por si só, esta dependência.

Ainda é possível recuperar terreno?

A AlixPartners defende que os fabricantes europeus precisam de reduzir os ciclos de desenvolvimento, utilizar inteligência artificial para acelerar processos e estabelecer parcerias tecnológicas com maior rapidez.

A consultora considera igualmente necessário adaptar a capacidade das fábricas à procura e garantir condições que permitam produzir automóveis elétricos a custos mais competitivos.

O alerta é claro: a Europa continua a ter conhecimento técnico, marcas reconhecidas e capacidade industrial, mas dispõe de cada vez menos tempo para transformar essas vantagens em automóveis capazes de competir com os modelos chineses.

E, perante uma diferença de quase 9.500 euros por veículo e três anos no desenvolvimento de novos modelos, aumentar as tarifas poderá não ser suficiente.