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CEO da Ferrari dá nota máxima ao Tesla Roadster e agradece a Elon Musk: “Temos de continuar a sonhar”

CEO da Ferrari dá nota máxima ao Tesla Roadster e agradece a Elon Musk: “Temos de continuar a sonhar”
Francisco Laranjeira

Mais do que reconhecer as capacidades do novo Tesla, o responsável da Ferrari quis destacar a importância de continuar a arriscar num setor com mais de um século de história

O novo Tesla Roadster conseguiu impressionar alguém que conhece bem o mundo dos superdesportivos: Benedetto Vigna, diretor-executivo da Ferrari. Depois de assistir à apresentação do elétrico de Elon Musk, o responsável da marca italiana atribuiu-lhe duas notas máximas, uma pela tecnologia e outra pelo espetáculo. E aproveitou para deixar uma mensagem à indústria automóvel europeia.

Segundo o ‘Supercar Blondie’, Vigna avaliou a apresentação do Roadster com 10 em 10 tanto na componente tecnológica como na forma como o automóvel foi revelado ao público.

O elogio foi feito durante uma conferência dedicada à indústria automóvel, organizada pela revista italiana ‘Quattroruote’, e foi também noticiado pela ‘Reuters’.

Mais do que reconhecer as capacidades do novo Tesla, o responsável da Ferrari quis destacar a importância de continuar a arriscar num setor com mais de um século de história.

“Temos de continuar a sonhar”

A nova geração do Tesla Roadster foi apresentada com uma demonstração que incluiu manobras aéreas e a utilização de tecnologia associada à SpaceX.

O automóvel promete prestações extraordinárias e, segundo Elon Musk, deverá começar a ser produzido em 2028, depois de sucessivos adiamentos desde a primeira apresentação do projeto, em 2017.

Para Benedetto Vigna, o que mais importa é a demonstração de que ainda existe espaço para surpreender na indústria automóvel.

“Isto mostra que, mesmo no mundo automóvel, ainda há muito por fazer”, afirmou o diretor-executivo da Ferrari.

“Temos de continuar a sonhar. Como europeu, obrigado por nos mostrarem que, mesmo num mundo antigo, ainda é possível inovar e ousar”, acrescentou, dirigindo o agradecimento à Tesla e a Elon Musk.

A reação é particularmente interessante porque parte do responsável de uma marca historicamente associada aos motores de combustão, às competições e a uma tradição própria na construção de automóveis de elevado desempenho.

Mas a Ferrari também está a atravessar uma transformação importante.

Ferrari e Tesla podem estar mais próximas do que parece

A Ferrari apresentou este ano o Luce, o seu primeiro automóvel totalmente elétrico, desenvolvido com a colaboração da LoveFrom, o estúdio de design fundado por Jony Ive, antigo responsável pelo design da Apple.

O modelo representa uma mudança significativa para a marca de Maranello, que procura conciliar a sua identidade histórica com novas tecnologias e uma abordagem diferente ao luxo e ao desempenho.

Vigna reconheceu que a colaboração com profissionais exteriores à indústria automóvel foi importante para desenvolver o projeto.

Segundo o responsável, trabalhar exclusivamente com as equipas internas não teria permitido alcançar os mesmos resultados, precisamente porque as perspetivas externas ajudaram a colocar novas questões.

Apesar das diferenças entre as duas marcas, a Ferrari e a Tesla começam assim a encontrar pontos de contacto no universo dos desportivos elétricos de elevado desempenho.

Ainda assim, a Ferrari mantém características próprias, nomeadamente a ligação às competições, os programas de pista para clientes e a importância dos seus automóveis enquanto peças de coleção.

E a Tesla também elogiou a Ferrari

Os elogios não seguiram apenas numa direção.

Franz von Holzhausen, responsável pelo design da Tesla, foi questionado sobre o Ferrari Luce durante uma sessão informal de perguntas e respostas após a apresentação do Roadster.

Embora tenha evitado comentar diretamente as opções estéticas do modelo italiano, reconheceu a importância da entrada de marcas tradicionais no universo dos automóveis elétricos.

“Penso que é ótimo que até marcas historicamente associadas às corridas, à velocidade e ao ruído estejam ativamente à procura de soluções de transporte mais amigas do ambiente”, afirmou.

“É nessa direção que o nosso mundo precisa de avançar. Aplaudo-os por isso”, acrescentou.

A troca de elogios surge numa altura em que tanto a Tesla como a Ferrari enfrentam desafios importantes.

A Tesla terá de demonstrar que consegue transformar o Roadster apresentado em outubro num automóvel de produção, cumprindo finalmente um calendário que já sofreu vários adiamentos.

A Ferrari, por seu lado, terá de convencer os seus clientes de que um modelo totalmente elétrico pode preservar aquilo que torna a marca especial.

Por enquanto, há algo em que os responsáveis das duas fabricantes parecem concordar: a indústria automóvel ainda tem muito espaço para inovar.

E, pelo menos desta vez, a rivalidade ficou em segundo plano.

O novo Tesla Roadster continua a dar que falar. A Automonitor já mostrou a impressionante demonstração em que o desportivo subiu uma rampa de cabeça para baixo, explicou a ambição de atingir 531 km/h e revelou um detalhe menos entusiasmante: é possível pagar mais de 200 mil euros por uma reserva sem garantia de receber o automóvel.