Há projetos que nascem a acelerar. Outros precisam de encontrar o seu ritmo, ultrapassar obstáculos e ganhar experiência a cada edição. O Douro MotorShow chega à terceira edição e o Clube Automóvel da Régua já olha para o futuro com uma ambição clara: transformar o evento numa referência do automobilismo nacional.
Mas fazer crescer uma prova automóvel no interior de Portugal exige muito mais do que paixão pelos motores. Há dificuldades na procura de patrocinadores, desafios logísticos e um trabalho de bastidores que começa muito antes de os primeiros carros entrarem em ação.
Em entrevista à ‘Automonitor’, o Clube Automóvel da Régua fala dos desafios de organizar o Douro MotorShow, da ligação à região e do caminho que pretende percorrer nos próximos anos. Uma conversa sobre o crescimento de um evento que quer ir mais longe sem esquecer as pessoas que o tornam possível.
Automonitor: O Douro MotorShow regressa este sábado ao Peso da Régua. Para quem nunca assistiu à prova, o que distingue esta terceira edição e qual é o momento que ninguém deveria perder?
Clube Automóvel da Régua: O Douro MotorShow é um evento que procura oferecer muito mais do que uma prova de automobilismo. Queremos proporcionar um verdadeiro espetáculo, juntando diferentes tipos de viaturas, modalidades e estilos de condução, num ambiente de proximidade entre pilotos, máquinas e público.
Se tivesse de destacar um momento, diria que ninguém deveria perder a Super Especial noturna na Avenida do Douro. É um momento que reúne a adrenalina da competição, o ambiente criado pelo público e um cenário muito próprio, com a cidade e o Douro como pano de fundo. É precisamente essa combinação que torna o Douro MotorShow tão especial.
Para além do espetáculo na estrada, esta edição conta também com a ExpoCar, uma exposição de viaturas clássicas e de competição, que estará patente ao longo de todo o fim de semana na zona envolvente à Biblioteca Municipal do Peso da Régua. Será uma oportunidade para os visitantes apreciarem de perto viaturas com histórias, características e preparações muito diferentes, tornando o evento ainda mais abrangente e atrativo para todas as gerações.
O nosso objetivo é que as pessoas não venham apenas assistir a uma prova, mas que encontrem no Douro MotorShow uma experiência completa, com motivos de interesse ao longo de todo o fim de semana.

Automonitor: Num calendário nacional com tantas provas e eventos motorizados, o que torna o Douro MotorShow diferente? O que encontram os pilotos e o público na Régua que dificilmente encontrariam noutro lugar?
Clube Automóvel da Régua: Penso que aquilo que nos distingue é a forma como conseguimos juntar o espetáculo automóvel à identidade da nossa região.
O Douro MotorShow não pretende ser apenas mais uma prova no calendário. Queremos criar uma experiência diferente, tanto para quem participa como para quem assiste. Procuramos reunir viaturas de diferentes modalidades, proporcionar momentos de espetáculo e, ao mesmo tempo, aproximar os pilotos do público.
A localização também tem um peso muito importante. Ter o automobilismo no coração do Douro, com uma Super Especial na Avenida do Douro, dá ao evento uma identidade própria.
Depois, há o lado humano. Somos um clube com uma forte ligação ao território e às pessoas. Queremos que os pilotos sintam vontade de regressar, que o público saia satisfeito e que todos reconheçam no evento uma iniciativa que valoriza a Régua e a região.

Automonitor: A paixão pelo automobilismo não conhece fronteiras, mas os recursos nem sempre estão distribuídos da mesma forma. Qual é a maior dificuldade de organizar uma prova desta dimensão no interior do país? E como se traduz esse obstáculo na prática?
Clube Automóvel da Régua: Um dos maiores desafios é conseguir reunir os meios financeiros, logísticos e humanos necessários para organizar um evento desta dimensão, sobretudo quando estamos longe dos grandes centros urbanos e dos principais polos empresariais.
Organizar uma prova automóvel implica muito mais do que preparar o percurso e reunir os pilotos. Há questões de segurança, infraestruturas, equipamentos, autorizações, seguros, logística e uma enorme quantidade de trabalho que o público nem sempre vê.
Um exemplo concreto é a procura de apoios e patrocínios. Muitas empresas com capacidade para apoiar eventos desta natureza estão concentradas noutras regiões, o que nos obriga a um esforço adicional de contacto, apresentação do projeto e demonstração do seu valor.
No entanto, não olhamos para isso como uma razão para desistir. Pelo contrário, acreditamos que o interior tem condições para receber eventos de qualidade e que iniciativas como o Douro MotorShow ajudam a demonstrar isso mesmo. O que precisamos é de continuar a mobilizar empresas, instituições e comunidade em torno de projetos que tragam valor à região.
Automonitor: O público vê os carros, os pilotos e o espetáculo, mas raramente conhece o trabalho que está por detrás. Qual foi o maior desafio na preparação desta edição e o que foi necessário fazer para o ultrapassar?
Clube Automóvel da Régua: Quem organiza um evento desta natureza sabe que há sempre momentos em que a dimensão das responsabilidades se faz sentir. Existem muitos pormenores que têm de estar garantidos em simultâneo, desde as condições de segurança até à logística, passando pela coordenação de todas as entidades envolvidas.
Talvez o maior desafio seja precisamente conseguir que todas essas peças se encaixem, dentro dos prazos definidos e com os recursos disponíveis. Muitas vezes, o público vê apenas o resultado final, mas por detrás existem semanas ou meses de contactos, reuniões, decisões e trabalho.
O que nos permite ultrapassar essas dificuldades é a capacidade de trabalho em equipa e a vontade de levar o projeto até ao fim. O Clube Automóvel da Régua conta com pessoas que acreditam no automobilismo e que estão dispostas a dedicar muito do seu tempo para que o evento aconteça.
Não diria que o desafio está apenas em ultrapassar um momento difícil. Está em manter o nível de exigência ao longo de todo o processo, sem perder de vista aquilo que queremos oferecer aos pilotos e ao público.
No final, é essa capacidade de transformar dificuldades em soluções que nos dá satisfação e nos faz querer continuar.

Automonitor: Quando o Douro MotorShow chega ao Peso da Régua, o que muda verdadeiramente na cidade? O comércio, a restauração e o alojamento já sentem os efeitos do evento? Há números que permitam medir esse impacto?
Clube Automóvel da Régua: A primeira mudança é visível: a cidade ganha movimento, ganha ambiente e recebe pessoas que vêm de diferentes pontos do país para acompanhar o evento.
Mas o impacto não se limita ao local da prova. Os visitantes podem recorrer à restauração, ao alojamento, aos cafés e ao comércio local. É precisamente essa capacidade de atrair pessoas e de as levar a conhecer a cidade que torna estes eventos importantes para a economia local.
Há também uma dimensão que consideramos fundamental: a relação da população com o desporto automóvel. O evento leva a competição para perto das pessoas, cria entusiasmo, envolve famílias e permite que muitos espectadores vivam o automobilismo de uma forma diferente.
Sendo esta a terceira edição, sentimos que existe uma adesão crescente e uma identificação cada vez maior com o projeto. Ainda assim, para quantificar rigorosamente o impacto económico, seria necessário recolher dados específicos sobre visitantes, dormidas e consumo local. Não queremos apresentar números sem uma base concreta.
O nosso objetivo é que o Douro MotorShow seja reconhecido não apenas como um evento desportivo, mas também como uma iniciativa que contribui para dinamizar o Peso da Régua e promover o Douro.
Automonitor: O Douro MotorShow está na terceira edição, mas já olha para o futuro. Quando os motores se calarem no final de sábado, o que terá de acontecer para sentirem que valeu a pena? E onde gostariam de ver o evento daqui a cinco anos?
Clube Automóvel da Régua: Para nós, valerá a pena se conseguirmos terminar o evento com a satisfação de termos proporcionado um grande espetáculo, com segurança, organização e respeito por todos os envolvidos.
Será importante que os pilotos se sintam bem recebidos e queiram regressar, que o público tenha vivido uma experiência positiva e que as entidades parceiras reconheçam valor no trabalho desenvolvido. E, acima de tudo, que tudo decorra em segurança e que todos possam regressar a casa com boas recordações.
Mas há algo mais: queremos sentir que contribuímos para a valorização do Peso da Régua e do Douro, mostrando que a nossa região tem capacidade para acolher eventos diferenciadores e atrair pessoas através do desporto automóvel.
Daqui a cinco anos, gostaríamos de ver o Douro MotorShow consolidado como uma referência no panorama dos eventos motorizados em Portugal, com maior participação, mais público, parceiros cada vez mais envolvidos e um impacto positivo crescente na economia local.
Queremos que o evento continue a crescer, mas sem perder a sua identidade, a proximidade com as pessoas e a ligação ao território.
No fundo, queremos que o Douro MotorShow seja muito mais do que um dia de motores e adrenalina. Queremos que seja um motivo de orgulho para a Régua, para o Douro e para todos aqueles que acreditam que vale a pena fazer acontecer.
Automonitor: Por detrás de cada edição há pessoas que oferecem tempo, esforço e dedicação. Se tivessem de escolher uma história que representasse o verdadeiro espírito do Douro MotorShow, qual contariam?
Clube Automóvel da Régua: Se tivesse de escolher uma história que representa o espírito do Douro MotorShow, escolheria a das pessoas que trabalham nos bastidores, muitas vezes longe dos olhares do público.
Falo dos membros do clube, dos voluntários e de todos aqueles que disponibilizam o seu tempo, conciliando a organização com a vida profissional e familiar, porque acreditam neste projeto e gostam de automobilismo.
Há pessoas que estão presentes muito antes de os motores começarem a trabalhar e que continuam a trabalhar quando o público já regressou a casa. Tratam de tarefas que podem parecer pequenas, mas que são indispensáveis para que tudo funcione.
É difícil destacar uma única pessoa, porque acreditamos que o verdadeiro espírito do Douro MotorShow está no conjunto. Está na disponibilidade de quem ajuda, na confiança de quem participa, no apoio das entidades parceiras e no entusiasmo de quem vem assistir.
Essa dedicação marca-nos porque demonstra que um evento desta dimensão não se constrói apenas com carros ou com recursos financeiros. Constrói-se sobretudo com pessoas, com relações de confiança e com a vontade coletiva de fazer acontecer.

Automonitor: O futuro do automobilismo também depende de quem está agora a descobrir esta paixão. Que oportunidades pode o Douro MotorShow criar para os jovens da região? E já há alguém que tenha escolhido esta prova para dar os primeiros passos na competição?
Clube Automóvel da Régua: Acreditamos que o Douro MotorShow pode ser uma porta de entrada para despertar o interesse dos mais jovens pelo desporto automóvel.
Nem todos os jovens que gostam de carros têm de começar imediatamente como pilotos. O automobilismo envolve muitas outras áreas: mecânica, engenharia, eletrónica, preparação de viaturas, comunicação, fotografia, organização de provas e segurança, entre muitas outras.
Um evento como este permite-lhes contactar de perto com diferentes modalidades, conhecer pessoas ligadas à competição e perceber que, por detrás de um carro de corrida, existe uma equipa com conhecimentos técnicos e funções muito distintas.
Enquanto clube, gostaríamos de contribuir para aproximar os jovens desta realidade e criar oportunidades para que descubram onde podem encaixar os seus interesses e competências.
Mais do que prometer um caminho direto para a competição, queremos ajudar a despertar vocações e demonstrar que também a partir do Douro é possível construir um percurso ligado ao desporto automóvel.
Este ano podemos adiantar que iremos ter uma estreia de um jovem ao volante de um carro de corrida, que escolheu o Douro MotorShow para o seu batismo na competição automóvel, o que nos deixa muito orgulhosos.
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