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Fórmula 1, Le Mans e um passeio pela pit lane: o que não pode perder no Estoril Classics

Francisco Laranjeira

O Estoril Classics regressa esta sexta-feira para a 10.ª edição e a organização alterou este ano o programa precisamente para permitir que o público passe mais tempo a descobrir o que existe para lá da pista. Há novas bancadas, mais pontos de observação, um paddock que continua aberto à proximidade com carros e equipas e,…

São 184 carros, 10 competições e 12 corridas espalhadas por três dias. Pelo meio há Fórmula 1, protótipos de Le Mans, GT, Turismos, máquinas dos anos 60 e carros que ainda competiam já no século XXI. Perante tanta coisa a acontecer, surge um problema bastante agradável: por onde começar?

O Estoril Classics regressa esta sexta-feira para a 10.ª edição e a organização alterou este ano o programa precisamente para permitir que o público passe mais tempo a descobrir o que existe para lá da pista. Há novas bancadas, mais pontos de observação, um paddock que continua aberto à proximidade com carros e equipas e, pela primeira vez, um Pit Walk.

Mas há momentos que merecem ficar desde já assinalados.

1. Os Fórmula 1 voltam a correr no Estoril

Se houver apenas uma corrida para escolher, o Classic GP é uma das candidatas inevitáveis.

Não se trata de uma demonstração. Os Fórmula 1 anteriores a 1986 regressam ao circuito onde se disputaram 13 Grandes Prémios de Portugal entre 1984 e 1996 para competir.

E a grelha deste ano tem argumentos difíceis de ignorar.

Há dois Williams FW07B, modelo associado ao título mundial de Alan Jones em 1980; um Lotus 78, um dos carros que ajudaram a revolucionar a Fórmula 1 através do efeito de solo; e um McLaren MP4, representante da família que introduziu na categoria o chassis integralmente construído em compósito de fibra de carbono.

Há ainda Surtees, Hesketh e um Alfa Romeo 179C equipado com V12 — uma sonoridade particularmente diferente numa grelha dominada pelo célebre Cosworth DFV.

Depois dos treinos de sexta-feira e da qualificação de sábado, a primeira corrida do Classic GP está prevista para sábado, das 15h40 às 16h00. A segunda acontece domingo, entre as 14h00 e as 14h20.

São apenas 20 minutos de cada vez. Mas serão 20 minutos de Fórmula 1 históricos a competir no Estoril.

2. Procure o Fórmula 1 que chegou 45 anos atrasado

Nem todos os Fórmula 1 presentes têm um palmarés para contar.

Um deles tem precisamente a história contrária.

O Riviera F.1 170 foi concebido para tentar chegar ao Campeonato do Mundo de 1980, mas a falta de orçamento impediu o projeto de disputar sequer um Grande Prémio.

Durante décadas permaneceu como uma das curiosidades da história da categoria. E só em 2025, cerca de 45 anos depois de ter sido concebido, o automóvel rodou pela primeira vez.

Estará no Estoril neste fim de semana.

No meio de carros celebrizados por vitórias e títulos, vale a pena procurar aquele que representa uma história diferente: o Fórmula 1 que nunca chegou à Fórmula 1.

3. Não passe pelo Porsche 917 K sem parar

Se os monolugares contam uma parte da história, a resistência conta outra.

O Classic Endurance Racing 1 reúne alguns dos grandes protótipos das décadas de 1960 e 1970 e há um nome que sobressai mesmo numa grelha onde aparecem Ford GT40 e Lola T70: Porsche 917 K.

O modelo regressa ao Estoril depois de já ter sido uma das atrações da edição anterior.

Junta-se-lhe um Porsche 908 LH, que estará pela primeira vez no Estoril Classics, além de dois 908/3 com histórias particulares: um exemplar Martini ex-Helmut Marko e outro com decoração Gulf ex-Brian Redman.

A corrida do Classic Endurance Racing 1 está marcada para sábado entre as 14h35 e as 15h20.

4. E depois chegam os monstros de Le Mans dos anos 1990 e 2000

Para uma geração mais nova, talvez seja aqui que a palavra “clássico” começa realmente a despertar memórias.

A Endurance Racing Legends traz de volta protótipos e GT das décadas de 1990 e 2000.

Entre eles estará pela primeira vez a competir no Estoril um Panoz LMP1 Roadster S, imediatamente reconhecível pela arquitetura invulgar e pelo motor colocado à frente do piloto.

Há também um Pescarolo C60, um Courage C65 e um DBA 03S, além dos vários Porsche e Ferrari GT.

Durante sexta-feira e sábado, os LMP/GT1 e GT2 têm sessões separadas. Mas no domingo acontece algo diferente: as duas grelhas serão reunidas numa única corrida.

Está marcada para as 14h40 e terá 40 minutos.

É provavelmente um dos melhores momentos do fim de semana para perceber como carros muito diferentes podem partilhar a mesma pista.

5. Cobras, Jaguar e Porsche numa corrida de duas horas

Se a ideia é escolher a corrida em que vale a pena sentar-se com tempo, sábado ao final da tarde merece um círculo no programa.

Às 17h20 começa a Sixties’ Endurance.

São duas horas de corrida e a grelha inclui alguns dos GT mais emblemáticos anteriores a 1966.

Entre eles estão Shelby Cobra Daytona Coupé — foram construídas apenas seis unidades do modelo —, Jaguar E-Type, Lotus Elan 26R e Morgan Plus 4 Super Sports.

E há uma novidade em 2026: o pelotão da 2.0 Litre Cup, composto por Porsche 911 de dois litros, junta-se à Sixties’ Endurance.

Resultado: carros de características diferentes, uma grelha mais numerosa e duas horas de competição que avançam até às 19h20.

6. Se gosta de Turismos, domingo começa cedo

BMW 3.0 CSL contra Ford Capri RS 3100.

Para muitos, não é preciso dizer muito mais.

A Heritage Touring Cup recupera o ambiente dos campeonatos europeus de Turismos das décadas de 1970 e 1980, incluindo modelos que chegaram a competir no próprio Estoril quando o Campeonato Europeu de Carros de Turismo visitou o circuito português.

Há também Ford Escort RS 1600 e BMW 3.5 CSL.

A corrida começa às 11h25 de domingo e dura uma hora.

7. Ao domingo, saia da bancada e entre na pit lane

Esta é uma estreia.

No domingo, durante a pausa para almoço, os espectadores com acesso ao paddock poderão participar no primeiro Pit Walk do Estoril Classics.

Entre as 13h30 e as 14h00 não haverá carros em competição. É precisamente nessa janela que vale a pena trocar a bancada pelas boxes.

O público poderá caminhar pela pit lane e aproximar-se das máquinas e das equipas antes de a atividade regressar à pista.

E o momento seguinte não foi escolhido por acaso: às 14h00 começa a segunda corrida do Classic GP.

Ou seja, será possível estar perto dos Fórmula 1 pouco antes de os ver novamente em competição.

8. O paddock não é apenas para atravessar

Aqui talvez esteja o maior erro que pode cometer quem visita o Estoril Classics pela primeira vez: passar o dia inteiro sentado numa bancada.

O paddock é parte da experiência.

Os automóveis estão instalados nas tendas, os mecânicos trabalham a poucos metros do público e pilotos e equipas circulam pelo mesmo espaço. É aí que se consegue perceber a escala de um Porsche 917, observar a mecânica de um Fórmula 1 histórico ou simplesmente descobrir um carro que não estava na lista mental de favoritos.

A organização redistribuiu precisamente o programa deste ano para criar intervalos que permitam ao público circular pelo recinto sem sentir que está permanentemente a perder uma corrida.

Há ainda exposições e uma Food & Brand Village com restauração, marcas e memorabilia.

9. Há novos lugares para descobrir o circuito

Também não é obrigatório ver todas as corridas do mesmo sítio.

Além da bancada da reta da meta, cujo acesso continua gratuito, a edição de 2026 estreia bancadas adicionais entre as curvas 3 e 5 e na Reta Interior.

São perspetivas diferentes sobre carros igualmente diferentes.

Na reta vê-se velocidade. Nas zonas de curva percebe-se melhor aquilo que distingue máquinas separadas por várias décadas de evolução: travagem, transferência de massas, trajetória e capacidade de colocar potência no asfalto.

A recomendação é simples: mude de lugar durante o dia.

10. E se só puder ir um dia?

Sábado oferece provavelmente a maior concentração de competição.

A partir das 12h40 começam as corridas, com The Gentlemen Challenge, Classic Endurance Racing 1, Classic Endurance Racing 2, Classic GP e, ao final da tarde, as duas horas da Sixties’ Endurance. O programa prolonga-se ainda pela noite, com a 2.0 Litre Cup prevista entre as 19h30 e as 21h00 no horário disponibilizado pela organização.

Domingo, porém, tem uma vantagem que não existiu nas nove edições anteriores: o Pit Walk. Junta-lhe as corridas da Heritage Touring Cup, Classic GP, Endurance Racing Legends, Classic Endurance Racing 2 e Iberian Historic Endurance.

A escolha depende, portanto, daquilo que procura.

Para ver o máximo possível de corridas, sábado. Para combinar competição com a maior proximidade às máquinas, domingo tem um argumento muito forte.

O essencial antes de sair de casa

Os bilhetes estão disponíveis através da BOL e da FNAC e, segundo a organização, os passes para os três dias encontram-se perto de esgotar. Nas seis edições anteriores, os bilhetes com acesso ao paddock esgotaram.

A entrada no paddock é gratuita até aos 15 anos quando acompanhados por um adulto com bilhete, num máximo de duas crianças ou jovens por adulto.

Quem tiver bilhete de paddock pode utilizar gratuitamente o parque de terra, sujeito à disponibilidade de lugares. O acesso à bancada da reta da meta é também gratuito.

E há uma última recomendação: não transforme o Estoril Classics numa lista de carros que precisa de encontrar.

Entre um Fórmula 1 que ganhou, outro que nunca chegou a competir, um protótipo de Le Mans, um Turismo que parece inclinar-se demasiado numa curva e uma equipa a trabalhar no paddock, haverá provavelmente alguma coisa que não estava nos planos.

Num evento com 184 carros, talvez seja precisamente essa a graça.