A McLaren está a preparar uma das maiores transformações da sua história recente. Um novo supercarro híbrido, o primeiro SUV da marca e, potencialmente, um grand tourer de motor dianteiro fazem parte de uma ofensiva que deverá alargar a gama muito para além dos supercarros de dois lugares pelos quais o construtor britânico é conhecido.
Quando começaram a surgir informações sobre estes projetos, grande parte do plano permanecia no campo da especulação. Isso mudou entretanto: a McLaren confirmou oficialmente que vai desenvolver um SUV de altas prestações, quebrando uma resistência que durante anos fez parte da própria identidade da marca.
A confirmação surgiu juntamente com o anúncio de um investimento de 500 milhões de libras, cerca de 577 milhões de euros, destinado a expandir as operações da McLaren no Reino Unido, desenvolver novos modelos e aumentar significativamente a capacidade de produção. Está também prevista uma segunda fábrica britânica, separada das atuais instalações de Woking.
Primeiro poderá chegar um novo supercarro
Antes dessa revolução, porém, deverá chegar algo bastante mais familiar para os clientes da McLaren.
Segundo informações avançadas pelo ‘Carscoops’, a partir de dados transmitidos aos concessionários, a marca está a desenvolver um novo supercarro conhecido internamente pelo código P34, destinado a ocupar o espaço entre o Artura e o 750S.
O modelo deverá utilizar um V6 biturbo híbrido e superar a potência do atual 750S. As informações transmitidas aos concessionários apontam para cerca de 810 cv e 1.085 Nm de binário.
O desenho deverá assumir proporções mais longas e dramáticas, enquanto o habitáculo deverá reforçar a componente de luxo, com novos bancos em pele e ecrãs LED.
Nos EUA, o preço de entrada apontado ronda os 313 mil dólares, aproximadamente 264 mil euros à conversão atual, e estará prevista uma produção de cerca de mil unidades durante o primeiro ano. A chegada ao mercado é apontada para 2027.
Estes detalhes, ao contrário do SUV, ainda não foram oficialmente confirmados pela McLaren.
O SUV que a McLaren dizia que nunca faria
É no modelo seguinte que começa a verdadeira rutura.
Durante anos, a ideia de colocar o símbolo da McLaren num SUV parecia praticamente incompatível com uma marca construída em torno de carros baixos, leves, de motor central e com dois lugares. Antigos responsáveis chegaram mesmo a rejeitar publicamente a possibilidade.
Agora já não há dúvidas: o SUV vai existir.
A McLaren confirmou que a futura gama incluirá um “performance SUV”, que será produzido no Reino Unido e ajudará a justificar a construção da segunda unidade industrial. Segundo a ‘Autocar’, o modelo deverá chegar antes do final da década.
Michael Straughan, diretor de operações da McLaren, revelou à publicação que está inclusivamente em estudo a utilização de uma estrutura em fibra de carbono, procurando transferir para um automóvel maior parte da tecnologia que caracteriza os supercarros da marca.
E o SUV poderá não ser um caso isolado.
A arquitetura em estudo poderá servir de base a outros McLaren com motor dianteiro e tração integral, abrindo caminho para uma gama muito mais ampla do que aquela que existe atualmente.
Um McLaren para quem tem filhos
A explicação para uma mudança tão profunda é também comercial.
Nick Collins, CEO da McLaren Automotive, considera que o sucesso da marca na Fórmula 1 criou uma base de potenciais clientes que gostam da McLaren, mas para quem um supercarro de dois lugares simplesmente não funciona no quotidiano.
A ideia é chegar precisamente a essas pessoas com um automóvel mais prático, capaz de transportar uma família sem abandonar o posicionamento de altas prestações da marca.
Straughan acredita mesmo que a entrada neste segmento poderá ajudar a duplicar as vendas da McLaren, atualmente na ordem dos três mil automóveis por ano.
O alvo será um território onde já se encontram modelos como o Lamborghini Urus, Aston Martin DBX, Bentley Bentayga e Ferrari Purosangue.
E depois do SUV pode chegar um GT
É aqui que a informação oficial volta a encontrar aquilo que tinha sido revelado aos concessionários.
Antes da confirmação do SUV, a ‘Automotive News’ tinha avançado que a McLaren estudava também um segundo modelo radicalmente diferente da gama atual: um grand tourer de motor dianteiro e configuração descrita como semelhante à de uma berlina.
A informação, recuperada pela ‘Road & Track’, deixava em aberto várias possibilidades, desde um automóvel próximo da filosofia de um Porsche Panamera até um grande coupé de quatro lugares na linha de um Bentley Continental GT.
A McLaren ainda não confirmou esse modelo.
Mas a revelação de que a arquitetura do futuro SUV poderá originar outros automóveis de motor dianteiro torna agora esse cenário bastante mais plausível. A ‘Autocar’ refere precisamente que a nova base poderá dar origem a outros modelos com motor dianteiro e tração integral.
500 milhões de libras para mudar a McLaren
A transformação vai muito além dos novos modelos.
O investimento de 500 milhões de libras permitirá criar uma nova fábrica no Reino Unido e expandir a capacidade industrial da empresa. A McLaren pretende ainda criar pelo menos mil postos de trabalho até 2032, segundo os planos anunciados esta semana.
Há também uma alteração importante debaixo do capot. A McLaren pretende deixar de depender da Ricardo para a produção dos seus motores e passar a desenhá-los e fabricá-los internamente. Dois novos sistemas híbridos de motor e transmissão já estão em desenvolvimento.
Por enquanto, um elétrico puro não está nos planos imediatos. A prioridade está nos novos modelos e motorizações híbridas.
Uma McLaren mais próxima das grandes marcas de luxo
A transformação poderá chegar até aos concessionários.
Segundo as informações anteriormente transmitidas aos representantes da marca, os futuros espaços da McLaren deverão aproximar-se mais do ambiente encontrado nas grandes casas de luxo, abandonando parte da atual imagem exclusivamente centrada na tecnologia e nas prestações.
A estratégia começa, assim, a ganhar uma forma muito mais clara.
O P34 deverá manter a ligação ao território tradicional dos supercarros. O SUV está agora oficialmente confirmado e poderá tornar-se o modelo capaz de aumentar radicalmente o número de clientes da marca. E, se as informações sobre o futuro grand tourer se confirmarem, a McLaren poderá acabar com uma gama que há poucos anos pareceria praticamente impensável.
Ainda há muito por conhecer: não existem especificações oficiais para o SUV, a McLaren não anunciou o seu nome, preço ou motorização definitiva e o GT continua por confirmar.
Mas já não estamos apenas perante rumores transmitidos numa reunião de concessionários.
A McLaren confirmou a peça que faltava para perceber a dimensão da mudança: vai mesmo construir um SUV.
E uma marca que durante anos viveu quase exclusivamente de supercarros de dois lugares prepara-se agora para descobrir até onde pode levar o nome McLaren.






