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Comprou um Bugatti de milhões e só depois descobriu: os pneus duram o equivalente a Lisboa-Cascais… ida e volta

Automonitor

O mais extraordinário é que não se trata de uma recomendação exageradamente cautelosa de Khoshbin. Está no próprio manual do Bugatti

Manny Khoshbin está habituado a contas que fariam muitos proprietários de automóveis perder o sono. A garagem do empresário e YouTuber dos EUA está cheia de alguns dos hipercarros mais caros do mundo e um dos mais recentes é um Bugatti Bolide.

Mesmo assim, havia um pormenor do novo brinquedo que conseguiu surpreendê-lo.

Os pneus.

Khoshbin descobriu que os slicks utilizados pelo Bolide em circuito têm de ser substituídos ao fim de apenas 60 quilómetros. Para colocar o número em perspetiva portuguesa, é aproximadamente o suficiente para sair de Lisboa, ir até Cascais e regressar.

Depois, pneus novos.

E cada conjunto custa, segundo revelou o proprietário, cerca de 8.000 dólares, aproximadamente 6.800 euros à conversão atual.

O mais extraordinário é que não se trata de uma recomendação exageradamente cautelosa de Khoshbin. Está no próprio manual do Bugatti.

60 quilómetros e está na hora de trocar

O Bolide não é um automóvel convencional — nem sequer está homologado para circular na estrada, refere o site ‘Supercar Blondie’.

Foi desenvolvido exclusivamente para circuito e é entregue com dois jogos de pneus para funções completamente diferentes.

Um deles serve essencialmente para movimentar e transportar o automóvel fora da pista. O outro é composto pelos Michelin slick utilizados quando chega a altura de explorar verdadeiramente o W16.

É precisamente aí que começa a contagem.

A Bugatti determina no manual do Bolide que os pneus de pista sejam substituídos depois de 60 quilómetros de utilização. A marca recomenda ainda pneus novos antes de cada sessão em circuito.

Existem outras limitações. Depois de dez utilizações à velocidade máxima de 380 km/h, por exemplo, os pneus também devem ser substituídos.

Nem um colecionador de hipercarros estava à espera

Para Khoshbin, o preço de manter um automóvel deste género dificilmente será novidade.

O empresário do setor imobiliário construiu também uma presença considerável no YouTube precisamente mostrando a sua coleção e aquilo que custa comprar e manter alguns dos automóveis mais exclusivos do planeta.

Mas até ele se mostrou surpreendido ao descobrir a frequência com que terá de mudar os pneus do Bolide.

A conta ajuda a explicar porquê.

Se um conjunto de aproximadamente 6.800 euros fosse utilizado durante os 60 quilómetros completos permitidos, cada quilómetro representaria mais de 110 euros apenas em pneus. Uma viagem Lisboa-Cascais-Lisboa seria suficiente para consumir o conjunto inteiro.

Naturalmente, ninguém vai fazer esse percurso num Bolide. O automóvel só pode ser utilizado em circuito e os 60 quilómetros resultam das exigências muito particulares de uma máquina criada para desempenho extremo.

O problema está nos números do Bolide

O Bugatti utiliza o W16 de 8,0 litros com quatro turbocompressores que marcou uma era da marca francesa.

Mas são sobretudo as forças geradas em circuito que ajudam a explicar a vida tão curta dos pneus.

O Bolide foi desenvolvido para produzir níveis extremos de carga aerodinâmica e colocar enormes forças sobre os quatro Michelin durante acelerações, travagens e curvas.

Estes pneus não foram concebidos para durar milhares de quilómetros. Foram concebidos para oferecer o máximo desempenho possível durante um intervalo muito curto.

Até quando estão parados há regras a cumprir. Os slicks corretamente armazenados podem ser considerados novos durante um máximo de cinco anos e, depois de montados no automóvel, não devem permanecer instalados durante mais de um ano.

Comprar o Bolide era apenas o começo

Talvez 8.000 dólares por um conjunto de pneus não seja o maior problema para alguém capaz de comprar um Bugatti Bolide.

A marca produziu apenas 40 exemplares, com um preço na ordem dos quatro milhões de euros antes de impostos e personalizações.

Khoshbin sabia, portanto, que tinha comprado uma das máquinas mais caras e extremas do mundo.

O que aparentemente não sabia era quão depressa quatro pneus podiam desaparecer.

No tempo que um automóvel normal leva a fazer uma viagem de Lisboa a Cascais e voltar, o Bolide pode ter transformado um conjunto de pneus de milhares de euros em material para substituir.