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Carros chineses conquistam a Europa, mas há um novo desafio: encomendas de peças para reparações disparam 306%

Carros chineses conquistam a Europa, mas há um novo desafio: encomendas de peças para reparações disparam 306%
Automonitor

Números acompanham a expansão de fabricantes como BYD, MG, Xpeng e Lynk & Co, mas revelam também as dificuldades de um mercado ainda relativamente recente

As marcas chinesas estão a conquistar cada vez mais espaço nas estradas europeias, mas o crescimento das vendas está a trazer um novo desafio: garantir peças de substituição para os automóveis que precisam de reparações. Em França, as encomendas de componentes usados para veículos destas marcas dispararam 306% num ano, enquanto algumas oficinas alertam para dificuldades de abastecimento e prazos de entrega que podem chegar a vários meses.

Os números constam de um estudo da Ovoko, plataforma especializada na comercialização de peças automóveis usadas, divulgado pelo ‘L’Automobile Magazine’.

Entre outubro de 2025 e outubro de 2026, as encomendas de peças usadas para automóveis de marcas chinesas, entregues a clientes franceses através da plataforma, aumentaram 306%.

A oferta também cresceu significativamente. No mesmo período, o número de novos anúncios de peças disponíveis passou de 15.826 para 53.013, um aumento de aproximadamente 235%.

Estes números acompanham a expansão de fabricantes como BYD, MG, Xpeng e Lynk & Co, mas revelam também as dificuldades de um mercado ainda relativamente recente, no qual existem poucos veículos em fim de vida para alimentar o circuito de componentes usados.

Que peças são mais procuradas?

As peças de iluminação lideram as encomendas, seguidas dos componentes da carroçaria dianteira e traseira. Portas e elementos do habitáculo também figuram entre os artigos procurados.

Entre os modelos identificados nas encomendas encontram-se os BYD Seal, Seal U e Atto 3, o Lynk & Co 01 e o Xpeng G6.

Esta distribuição sugere que uma parte importante da procura está relacionada com a reparação de danos provocados por acidentes e pequenos embates, mais do que com avarias mecânicas.

Importa, por isso, esclarecer que o aumento das encomendas não significa que os automóveis chineses sejam menos fiáveis. Reflete também o crescimento do número de veículos em circulação.

Oficinas relatam esperas de vários meses

A disponibilidade de componentes começa, contudo, a preocupar alguns profissionais da reparação.

Num comunicado divulgado pela Ovoko, três oficinas francesas descrevem dificuldades em encontrar determinadas peças, sobretudo para modelos relativamente recentes.

Karima Latreche, da Winling Automobiles, refere que o aumento das reparações de automóveis chineses obriga frequentemente a recorrer a componentes novos, devido à escassez de alternativas usadas.

Jimmy Marie, do Garage des Ronchettes, aponta prazos de entrega que podem chegar às três semanas, enquanto Marc Korban, da Super Maxi Services, relata situações em que a espera por determinadas peças novas pode atingir seis meses.

São testemunhos de oficinas específicas, não prazos médios de reparação, mas mostram como a falta de um componente pode manter um automóvel imobilizado durante um período prolongado.

Um desafio também para Portugal

Embora o estudo diga respeito às encomendas realizadas através da Ovoko para clientes em França, a questão ganha relevância com a expansão das marcas chinesas em Portugal.

O preço, o equipamento e a autonomia são argumentos importantes na escolha de um automóvel, mas a disponibilidade de peças e a qualidade da assistência técnica também devem pesar na decisão.

Os dados franceses não permitem concluir que existam atrasos semelhantes nas redes portuguesas. Ainda assim, mostram que o crescimento comercial precisa de ser acompanhado por uma estrutura de pós-venda capaz de responder às necessidades dos proprietários.

Afinal, vender um automóvel é apenas o primeiro passo. Garantir que pode ser reparado rapidamente, mesmo vários anos depois da compra, será igualmente importante para conquistar a confiança dos consumidores.