O nome desapareceu dos mercados internacionais em 2021, mas uma das maiores lendas da Mitsubishi está oficialmente de volta. A marca japonesa apresentou a nova geração do Pajero, recuperando a receita que tornou o modelo famoso: chassis de longarinas, tração integral com redutoras, motor Diesel e capacidade para enfrentar terrenos onde grande parte dos atuais SUV dificilmente se aventuraria.
É um regresso com peso histórico. Lançado originalmente em 1982, o Pajero ultrapassou os 3,29 milhões de unidades produzidas ao longo de quatro gerações e chegou a mais de 170 países e regiões. Pelo caminho, construiu também uma reputação praticamente inseparável do Rali Dakar, onde conquistou 12 vitórias, sete delas consecutivas.
Agora está de volta como novo topo de gama da Mitsubishi. Só há, para já, uma incógnita importante: a Europa não consta dos mercados inicialmente anunciados.
Um verdadeiro 4×4 numa era dominada pelos SUV
Apesar da evolução tecnológica, a Mitsubishi resistiu à tentação de transformar o Pajero apenas num grande SUV com aparência aventureira.
A nova geração utiliza uma estrutura de longarinas altamente rígida, combinada com uma suspensão dianteira independente de duplos braços triangulares e um eixo rígido traseiro com cinco braços. A distância ao solo é de 230 milímetros.
Os números deixam claras as ambições fora de estrada: 30,4 graus de ângulo de ataque, 22,6 graus de ângulo ventral e 25,8 graus de saída.
O Pajero mede 4,92 metros de comprimento, 1,925 metros de largura e 1,91 metros de altura, enquanto a distância entre eixos chega aos 2,87 metros. A distribuição de peso é de 52:48 entre os eixos dianteiro e traseiro.
Diesel, 204 cv e redutoras
Debaixo do capot está um motor turbodiesel de quatro cilindros e 2,4 litros, equipado com turbo de geometria variável e associado a uma nova caixa automática de oito velocidades.
A especificação australiana anuncia 150 kW, equivalentes a 204 cv, e 480 Nm de binário máximo. O comunicado global da Mitsubishi confirma os 480 Nm, embora avise que determinadas versões poderão ficar pelos 470 Nm.
Mas é no sistema de tração que o Pajero mostra que pretende continuar a ser um verdadeiro todo-o-terreno.
O Super Select 4WD-II permite escolher quatro configurações: 2H, com tração traseira; 4H, com tração integral permanente; 4HLc, que bloqueia o diferencial central; e 4LLc, que junta ao bloqueio do diferencial central as mudanças reduzidas.
A isto junta-se pela primeira vez no Pajero o sistema S-AWC, que coordena diferentes sistemas eletrónicos para gerir aceleração, travagem e comportamento em curva.
Há ainda sete modos de condução: Normal, Eco, Gravel, Snow, Mud, Sand e Rock.
Do Dakar para um ecrã digital
Há também uma pequena homenagem à história do modelo no interior.
Os famosos mostradores adicionais dos Pajero anteriores regressam reinterpretados no chamado Multi Meter. Agora em formato digital, podem mostrar informações como altitude, bússola, temperatura exterior, inclinação longitudinal e lateral do veículo e atuação do controlo AYC.
O painel é dominado por dois ecrãs que podem chegar às 14,3 polegadas, enquanto o habitáculo pode receber até sete ocupantes, numa configuração 2+3+2.
A segunda fila pode deslizar longitudinalmente 150 milímetros e os bancos da terceira fila podem ser totalmente rebatidos para aumentar a capacidade da bagageira.
Há ainda climatização automática de três zonas, bancos ventilados, conectividade sem fios para smartphones e um sistema de áudio Dynamic Sound Yamaha Ultimate com 12 altifalantes e dois amplificadores.
Luxo sem esquecer de onde veio
A Mitsubishi quer posicionar o novo Pajero como o seu próximo modelo de referência e acrescentou mesmo “Prestige” aos tradicionais conceitos de capacidade e conforto associados ao todo-o-terreno.
Por fora, isso traduz-se numa carroçaria de linhas bastante verticais e horizontais, com uma dianteira cuja inspiração, segundo a marca, vem do kendo, a tradicional arte marcial japonesa.
Há referências deliberadas às gerações anteriores. O pilar C inspira-se na barra de proteção do primeiro Pajero, enquanto o motivo hexagonal da traseira pretende recordar a roda suplente que surgia montada no exterior dos modelos antigos.
É uma combinação pouco habitual no mercado atual: tecnologia e conforto de um SUV moderno, mas mantendo uma arquitetura concebida para utilização todo-o-terreno exigente.
E Portugal?
É aqui que começam as dúvidas.
O novo Pajero será produzido na Tailândia, país onde começa também a comercialização. Japão e Austrália recebem o modelo durante o atual ano fiscal da Mitsubishi, que termina em março de 2027.
A partir do ano fiscal de 2027, a Mitsubishi pretende alargar o Pajero a cerca de 100 países, mencionando especificamente mercados da ASEAN, América Latina e Médio Oriente.
A Europa, porém, não aparece no calendário divulgado pela marca e, até ao momento, não existe uma data anunciada para Portugal. Isso não significa que esteja definitivamente excluída uma comercialização europeia, mas apenas que esta ainda não foi confirmada.
Quase cinco anos depois de desaparecer dos mercados internacionais, o Pajero regressa assim com uma fórmula que parece ir deliberadamente contra a corrente: Diesel, chassis de longarinas, eixo rígido traseiro, redutoras e capacidade todo-o-terreno real.
Num mercado onde quase tudo passou a chamar-se SUV, a Mitsubishi decidiu recuperar algo bastante diferente: um Pajero.






