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Fabricam 750 milhões de carros por ano e cada modelo demora até 18 meses a desenvolver. Bem-vindo ao mundo dos Hot Wheels

Fabricam 750 milhões de carros por ano e cada modelo demora até 18 meses a desenvolver. Bem-vindo ao mundo dos Hot Wheels
Automonitor

À primeira vista, parecem simples carros de brincar. Pequenos, coloridos e suficientemente resistentes para sobreviver a corridas improvisadas no chão da sala

Cabem na palma da mão, custam muitas vezes apenas alguns euros e fazem parte das memórias de várias gerações. Mas criar um Hot Wheels está longe de ser uma brincadeira: uma única miniatura pode exigir até 18 meses de desenvolvimento, passar por sucessivos protótipos e enfrentar testes numa pista com um looping.

À primeira vista, parecem simples carros de brincar. Pequenos, coloridos e suficientemente resistentes para sobreviver a corridas improvisadas no chão da sala.

Mas por detrás de cada Hot Wheels existe um processo de criação que, em vários aspetos, faz lembrar o desenvolvimento de um automóvel verdadeiro.

E a dimensão do negócio impressiona.

Segundo uma reportagem da revista britânica ‘Autocar’, são produzidos cerca de 750 milhões de Hot Wheels por ano. Feitas as contas, isso equivale a uma média de aproximadamente 24 miniaturas por segundo.

O mais curioso é que, apesar desta escala industrial, cada novo modelo começa com uma ideia, um desenho e uma equipa que tem de transformar essa ideia num carro com poucos centímetros de comprimento.

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Como se desenha um carro que cabe na palma da mão?

No centro de design da Mattel, na Califórnia, nos EUA, há profissionais que passam os dias a criar automóveis à escala 1:64.

Alguns são reproduções de modelos reais, desde clássicos históricos até aos superdesportivos mais desejados do mundo. Outros existem apenas na imaginação dos designers.

É o caso do Donut Drifter, uma criação que transforma um donut num pequeno automóvel de corrida.

Charlie Angulo, um dos designers apresentados pela Autocar, conhece bem os dois mundos: antes de trabalhar nos Hot Wheels, esteve envolvido no desenvolvimento de automóveis de elevado desempenho.

Mas desenhar uma miniatura tem desafios próprios.

Reduzir um carro verdadeiro à escala 1:64 não chega. Alguns elementos precisam de ser exagerados para continuarem reconhecíveis, enquanto outros têm de ser simplificados para que o modelo possa ser produzido.

As rodas, as proporções da carroçaria e os pequenos detalhes fazem parte desse equilíbrio entre fidelidade e imaginação.

Um carro de brincar que pode demorar 18 meses a nascer

É aqui que surge um dos números mais surpreendentes da reportagem.

O desenvolvimento de um novo Hot Wheels pode prolongar-se durante 12 a 18 meses.

O processo envolve desenhos, modelos digitais, protótipos, testes, escolha de materiais e definição das pinturas e dos grafismos.

Quando o objetivo é reproduzir um automóvel verdadeiro, os fabricantes podem disponibilizar ficheiros digitais para ajudar a equipa. Noutros casos, é necessário estudar ou digitalizar o veículo original.

A impressão 3D tornou este trabalho mais rápido, permitindo produzir determinados protótipos em cerca de 90 minutos.

Mas ainda falta uma etapa essencial.

Porque um Hot Wheels não pode limitar-se a ser bonito.

Até os Hot Wheels têm de provar que sabem correr

A famosa pista laranja da Hot Wheels não serve apenas para brincar. Também faz parte do processo de avaliação dos modelos.

Segundo a ‘Autocar’, as miniaturas têm de conseguir percorrer aproximadamente nove metros de pista e completar um looping.

E nem sempre os carros com aspeto mais desportivo são os que apresentam melhores resultados.

A altura ao solo, o peso, a posição das rodas e o formato da carroçaria podem influenciar o comportamento de um automóvel tão pequeno.

É um desafio curioso: criar um modelo suficientemente fiel para agradar aos entusiastas, mas também capaz de funcionar como um verdadeiro brinquedo.

De brinquedos de infância a objetos de coleção

Desde a sua criação, em 1968, os Hot Wheels conquistaram um público que vai muito além das crianças.

Há adultos que procuram reproduções dos carros que conduziram, outros que colecionam modelos de sonho e até quem mantenha as miniaturas nas embalagens originais.

A Mattel responde a esse interesse com versões mais detalhadas e edições especiais, algumas com dezenas de componentes e elementos móveis.

Mas, entre os modelos mais acessíveis e as miniaturas destinadas a colecionadores, existe uma ideia que continua a unir gerações.

Um Hot Wheels pode ter apenas alguns centímetros, mas é capaz de representar praticamente qualquer automóvel, desde um clássico que marcou a infância até um supercarro que poucos terão oportunidade de conduzir.

E pensar que um objeto tão pequeno pode exigir até um ano e meio de trabalho talvez seja a melhor prova de que, no mundo dos Hot Wheels, o tamanho está longe de contar toda a história.

O universo dos Hot Wheels já nos deu outras histórias surpreendentes. Na Automonitor, contámos como um avô passou de dois carrinhos para uma coleção de quase 39 mil miniaturas, recordámos a guerra entre Hot Wheels e Matchbox, que terminou com a compra da rival e revisitámos a batalha com os Micro Machines que marcou uma geração.