Não tem rodas, não precisa de estradas e, quando encontra trânsito, pode simplesmente passar por cima. Parece uma ideia retirada de um filme de ficção científica, mas é o mais recente veículo recebido pela polícia de uma universidade dos EUA. Chama-se Astro, é totalmente elétrico e foi concebido para transportar um agente pelo ar.
A Florida Polytechnic University, no estado da Florida, acrescentou à sua frota policial um Jetson ONE, um pequeno veículo elétrico de descolagem e aterragem vertical, conhecido pela sigla eVTOL.
Segundo o site especializado ‘autoevolution’, a iniciativa pretende explorar uma possibilidade ainda pouco habitual nas forças de segurança: utilizar uma aeronave individual como alternativa aos veículos terrestres em determinadas missões.
O aparelho já chegou à universidade, mas a sua utilização em patrulhas depende do cumprimento das exigências aeronáuticas aplicáveis.
O novo carro-patrulha não tem rodas
O Astro não se parece com um automóvel convencional. Tem uma estrutura aberta, oito hélices e um único lugar para o piloto.
Em vez de circular por ruas e estradas, levanta voo verticalmente, dispensando uma pista para descolar ou aterrar.
O nome é uma homenagem a Astro, o cão da família Jetson, protagonista de uma série de desenhos animados que imaginava um futuro com carros voadores.
A escolha dificilmente poderia ser mais apropriada.
Só que, neste caso, a intenção vai além da curiosidade tecnológica. A polícia universitária quer perceber se um veículo deste género pode oferecer vantagens concretas em situações de emergência.
E para que serve um polícia voador?
Imagine uma tempestade que bloqueia os acessos a determinada zona, ou uma ocorrência num local onde um carro-patrulha não consegue chegar rapidamente.
É precisamente neste tipo de situações que o Astro poderá revelar-se útil.
Entre as aplicações previstas estão a observação de áreas do campus, o acesso a locais difíceis e o transporte de pequenos equipamentos ou fornecimentos de emergência.
Ao contrário dos drones habitualmente utilizados pelas forças de segurança, o Jetson ONE transporta o próprio agente, permitindo-lhe observar diretamente o terreno a partir do ar.
Mas há uma limitação importante: o veículo tem uma autonomia de voo de aproximadamente 20 minutos. Por isso, não substitui um helicóptero, muito menos todos os automóveis da frota.
A ideia é complementar os meios existentes e perceber em que circunstâncias esta tecnologia pode fazer a diferença.
Antes de patrulhar, é preciso aprender a voar
A universidade não se limitou a receber o aparelho.
Os agentes envolvidos no projeto, incluindo o chefe da polícia universitária, Aaron Murray, receberam formação para o pilotar.
Há também questões regulamentares a resolver. O Jetson ONE foi inicialmente desenvolvido como aeronave ultraleve para utilização recreativa, pelo que a sua aplicação em missões policiais exige um enquadramento diferente.
A informação disponível sobre o estado final da autorização da autoridade aeronáutica dos EUA não é inteiramente coincidente entre as fontes. Por isso, a chegada do Astro à frota não deve ser confundida com o início de patrulhas aéreas regulares.
O objetivo, nesta fase, é testar o conceito e avaliar a sua utilidade.
Uma esquadra com laboratório incluído
O projeto tem ainda uma segunda missão, desta vez ligada ao ensino.
A Florida Polytechnic University passou a disponibilizar uma formação superior em engenharia aeroespacial e pretende utilizar o Astro como ferramenta de aprendizagem.
Os estudantes poderão estudar a tecnologia de voo elétrico, acompanhar o funcionamento da aeronave e participar em projetos relacionados com a mobilidade aérea.
Para a fabricante Jetson, trata-se também de uma oportunidade para demonstrar que o ONE pode ter aplicações práticas para além dos voos recreativos.
A universidade pretende ainda explorar possíveis colaborações com outras forças de segurança da região.
O futuro chegou, mas ainda está em testes
Será que, dentro de alguns anos, veremos agentes da polícia a sobrevoar cidades em pequenos veículos elétricos individuais?
É uma possibilidade que projetos como este começam a explorar, mas há obstáculos importantes: autonomia, condições meteorológicas, segurança, formação e regras de utilização do espaço aéreo.
O Astro ainda tem muito a demonstrar antes de poder ser considerado uma ferramenta policial consolidada.
Para já, a história é suficientemente invulgar: uma universidade dos EUA tem um veículo voador na sua frota policial e quer descobrir se aquilo que parecia ficção científica pode ajudar a resolver problemas reais.
Os Jetsons talvez estivessem apenas adiantados no tempo.






