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BMW investe 2 mil milhões de euros na Alemanha: o plano que vai transformar produção, modelos e estrutura

Automonitor

Plano foi apresentado a investidores e analistas durante o Capital Market Day da BMW e faz parte da estratégia do grupo para recuperar a rentabilidade numa altura particularmente exigente para a indústria automóvel alemã

A BMW vai investir cerca de 2 mil milhões de euros na produção de automóveis e baterias na Alemanha, ao mesmo tempo que prepara uma reorganização que deverá reduzir a complexidade da gama, acelerar o desenvolvimento de novos modelos, cortar estruturas de gestão e aumentar a utilização de inteligência artificial.
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Segundo a ‘Euronews’, o plano foi apresentado a investidores e analistas durante o Capital Market Day da BMW e faz parte da estratégia do grupo para recuperar a rentabilidade numa altura particularmente exigente para a indústria automóvel alemã.
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A transição para os veículos elétricos, os custos elevados da energia, as perturbações nas cadeias de abastecimento e a crescente concorrência dos fabricantes chineses estão a pressionar as contas. A BMW pretende responder não apenas com investimento industrial, mas também com uma estrutura mais simples e custos mais baixos.
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Os investidores reagiram positivamente às medidas apresentadas: as ações da BMW chegaram a subir mais de 3% na tarde desta quarta-feira na Europa.
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Menos modelos, menos chefias e mais inteligência artificial
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Uma das principais mudanças passará pela simplificação da gama. A BMW pretende reduzir o número de variantes disponíveis, encurtar os tempos de desenvolvimento dos automóveis e reforçar a colaboração com os fornecedores.
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A reorganização chegará também à própria estrutura do grupo. A empresa prevê reduzir em 20% o número de divisões e de cargos de gestão associados até meados de 2027.
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A inteligência artificial deverá assumir igualmente um papel maior nos processos de desenvolvimento, incluindo em simulações de colisão e nos sistemas de assistência ao condutor.
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O objetivo financeiro ajuda a perceber a dimensão da transformação. A BMW pretende elevar a margem operacional da atividade automóvel para entre 3% e 5% até 2028 e regressar ao objetivo de longo prazo de 8% a 10% no início da próxima década.
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Dois mil milhões de euros para a produção na Alemanha
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Ao mesmo tempo que procura simplificar a estrutura, a BMW vai reforçar o investimento industrial no seu país de origem. Estão previstos cerca de 2 mil milhões de euros para unidades de produção na Alemanha, dos quais mil milhões serão destinados a uma fábrica de baterias.
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“Estamos a investir na criação de valor, numa produção competitiva e na segurança do emprego na Alemanha”, afirmou Raymond Wittmann, responsável pela produção da BMW.
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Uma das maiores transformações acontecerá em Munique. A fábrica da BMW na cidade, com mais de 100 anos, está a ser preparada para produzir exclusivamente veículos elétricos a partir de 2027, incluindo o BMW i3.
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As versões com motor de combustão e híbridas plug-in do BMW Série 3 passarão, por sua vez, a ser produzidas em Dingolfing.
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As duas unidades estão integradas numa extensa cadeia de abastecimento. Cerca de 760 instalações de fornecedores abastecem as fábricas de Munique e Dingolfing com componentes e materiais, estando mais de 70% desses locais de produção na Europa e mais de 30% na Alemanha.
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Nova fábrica vai produzir baterias para o BMW i3
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Uma parte importante do investimento ficará concentrada em Irlbach-Straßkirchen, na Baviera, onde a nova fábrica de baterias de alta tensão da BMW deverá começar a fornecer baterias para o BMW i3 elétrico a partir de outubro.
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A BMW considera que a unidade permitirá reforçar a criação de valor na região, preservar emprego qualificado e integrar no tecido industrial da Baixa Baviera uma tecnologia considerada fundamental para os veículos elétricos.
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Para Wittmann, a nova fábrica demonstra também a intenção de trazer para a Alemanha tecnologia-chave associada à eletrificação. O responsável alertou, porém, que o sucesso industrial do país dependerá da existência de condições favoráveis ao investimento, à inovação e à competitividade.
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Na Áustria, a fábrica de Steyr produzirá componentes essenciais dos sistemas de propulsão elétrica, além de motores de combustão destinados à nova gama Série 3.
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A dimensão da presença industrial da BMW na Alemanha continua a ser considerável. O grupo produz mais de um milhão de veículos por ano nas fábricas alemãs, o equivalente a cerca de um quarto dos automóveis fabricados no país.
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China obriga a BMW a adaptar a estratégia
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A transformação estende-se a um dos mercados mais importantes e mais difíceis para os fabricantes europeus. Na China, a BMW seguirá uma estratégia de produção mais próxima do mercado local.
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A fábrica de Shenyang produzirá uma versão modificada do Série 3 adaptada aos compradores chineses. A empresa está também a reduzir a rede de concessionários e a aumentar a utilização de componentes normalizados produzidos localmente.
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Segundo a consultora Bernstein, citada pela Euronews, essa opção poderá reduzir entre 20% e 30% o custo desses componentes.
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A necessidade de reagir é evidente nos números das vendas. A BMW registou uma queda de 19% na China, que anulou o crescimento de 6% conseguido na Europa e de 4% nos EUA.
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Lucro operacional caiu 37%
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A pressão não se limita às vendas. A BMW emitiu um aviso de lucros em junho e, em julho, acordou um programa de rescisões voluntárias que deverá reduzir a força de trabalho global em cerca de 8.000 pessoas, de acordo com a agência dpa, citada pela ‘Euronews’.
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Uma análise da EY indica que o lucro operacional do grupo caiu 37% no primeiro semestre de 2026, para 3,64 mil milhões de euros, enquanto as receitas recuaram 8%. Foi a maior queda entre os 19 fabricantes analisados.
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É neste contexto que os 2 mil milhões de euros anunciados para a Alemanha assumem um significado mais amplo. A BMW está simultaneamente a investir na eletrificação das suas fábricas e baterias e a tentar tornar toda a organização mais simples e menos dispendiosa.
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O exemplo mais visível será Munique: uma fábrica com mais de um século de história que, a partir de 2027, deverá produzir exclusivamente automóveis elétricos.