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Uma moto com o motor dentro da roda da frente? Existiu. E há mais de 100 anos!

Uma moto com o motor dentro da roda da frente? Existiu. E há mais de 100 anos!
Automonitor

Megola, porém, foi uma verdadeira moto de produção, construída na Alemanha entre 1921 e 1925, com uma solução que ainda hoje surpreende

Muito antes das motos modernas, um engenheiro alemão decidiu colocar cinco cilindros dentro da roda dianteira de uma motocicleta. A ideia funcionou, chegou às estradas e até às competições. Mas havia um pormenor que transformava uma simples paragem numa operação pouco habitual.

À primeira vista, parece uma experiência mecânica que nunca deveria ter saído de uma oficina. A Megola, porém, foi uma verdadeira moto de produção, construída na Alemanha entre 1921 e 1925, com uma solução que ainda hoje surpreende: o motor estava integrado na roda da frente.

O responsável pelo projeto foi Fritz Cockerell, um engenheiro com experiência no setor aeronáutico. Em vez de colocar o motor no centro da moto, como seria habitual, decidiu aproveitar um princípio utilizado em motores de aviões da época.

Segundo a publicação especializada ‘Silodrome’, a Megola utilizava um motor de cinco cilindros, com cerca de 640 cm³, instalado na roda dianteira. Os cilindros giravam em torno de uma cambota fixa, criando um conjunto mecânico muito diferente daquele que encontramos nas motos convencionais.

E não se tratava apenas de uma curiosidade estética: era a própria roda da frente que recebia a força do motor.

O problema surgia quando era preciso parar

A Megola dispensava a caixa de velocidades convencional e a embraiagem. O motor tinha uma relação de transmissão fixa e força suficiente para movimentar a moto sem necessidade de mudar de velocidade.

Mas esta simplicidade tinha um preço.

Sempre que o condutor precisava de parar completamente, tinha de desligar o motor. Não existia uma posição de ponto morto que permitisse manter a máquina a trabalhar com a moto imobilizada.

E voltar a arrancar também não era tão simples como carregar num botão.

Uma das soluções consistia em empurrar a moto até o motor começar a funcionar. Outra passava por apoiar a roda dianteira num suporte e fazê-la girar para colocar o conjunto mecânico em movimento.

Imagine repetir esta operação a cada semáforo.

É verdade que, na década de 1920, o trânsito era muito diferente do atual. Ainda assim, a Megola estava longe de ser a escolha mais prática para uma utilização quotidiana.

Uma ideia tão estranha que também chegou às corridas

Apesar das dificuldades, a Megola não ficou limitada a um pequeno número de protótipos.

Foram produzidas aproximadamente 2.000 unidades ao longo de quatro anos, incluindo versões destinadas a viagens e modelos preparados para competição.

A versão desportiva podia atingir velocidades próximas dos 140 km/h, um valor impressionante para a época.

A própria ADAC, organização automóvel alemã, recorda a Megola como uma das motocicletas mais invulgares da história do país. O projeto também beneficiava da experiência de Cockerell com motores aeronáuticos, numa altura em que a indústria das duas rodas ainda experimentava soluções muito diferentes.

A produção terminou em 1925 e a arquitetura nunca se tornou uma alternativa dominante às motos convencionais.

Mais de um século depois, a Megola continua a demonstrar que nem todas as ideias extraordinárias são necessariamente práticas. Mas algumas são tão ousadas que acabam por conquistar um lugar na história.

E poucas motos conseguem surpreender tanto antes sequer de ligarmos o motor.