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Pertenceu a um rei, foi confiscado e desapareceu durante mais de 30 anos. A história extraordinária de um Maserati que voltou do esquecimento

Pertenceu a um rei, foi confiscado e desapareceu durante mais de 30 anos. A história extraordinária de um Maserati que voltou do esquecimento
Automonitor

História foi agora recuperada pela própria Maserati, que anunciou a certificação de autenticidade deste exemplar através do programa Maserati Classiche. É o primeiro 5000 GT a receber este reconhecimento oficial

Há automóveis que ficam famosos pela velocidade, pelo preço ou pelo número reduzido de exemplares. E há outros cuja história parece saída de um romance.

O Maserati 5000 GT Frua pertence à segunda categoria. Foi apresentado nos anos 60, chegou às mãos de um rei e acabou esquecido durante mais de 30 anos num armazém egípcio.

A história foi agora recuperada pela própria Maserati, que anunciou a certificação de autenticidade deste exemplar através do programa Maserati Classiche. É o primeiro 5000 GT a receber este reconhecimento oficial.

Mas, para perceber como um dos automóveis mais exclusivos da marca italiana acabou abandonado no Cairo, é preciso recuar mais de seis décadas.

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Um automóvel digno de reis

Tudo começou no final dos anos 50, quando o xá da Pérsia, depois de conduzir um Maserati 3500 GT, pediu à marca italiana um automóvel ainda mais exclusivo.

Nasceu assim o Maserati 5000 GT, um luxuoso desportivo equipado com um motor V8 de cinco litros, desenvolvido a partir da experiência da marca na competição.

Entre 1959 e 1964, foram construídos apenas 34 exemplares, com carroçarias assinadas por alguns dos mais prestigiados nomes do design italiano.

Um deles era Pietro Frua, responsável pelo desenho do automóvel que protagoniza esta história.

O exemplar, identificado pelo número de chassis 103.064, foi o primeiro 5000 GT com carroçaria Frua. Depois de servir como automóvel de demonstração da Maserati, esteve exposto no Salão Automóvel de Genebra, em 1963.

Seguiram-se várias mudanças de mãos, até que, em 1966, o príncipe saudita Magid bin Saud adquiriu o automóvel e decidiu oferecê-lo ao pai, o rei Saud bin Abdulaziz Al Saud.

Antes disso, a Maserati tinha-o pintado num elegante tom vermelho, denominado “Rosso Rubino Chiaro”.

O que parecia ser mais um capítulo de luxo e exclusividade estava prestes a transformar-se numa história de desaparecimento.

Uma guerra, um confisco e três décadas de silêncio

Em 1967, na sequência da Guerra dos Seis Dias e da saída do rei saudita do Egito, as autoridades egípcias confiscaram o Maserati.

A partir desse momento, o automóvel desapareceu de circulação.

Durante mais de 30 anos, o luxuoso desportivo permaneceu guardado num armazém do Cairo, longe dos salões automóveis, dos colecionadores e das estradas para as quais tinha sido construído.

Só em 2000 voltou a aparecer.

E havia um detalhe surpreendente: apesar das décadas de imobilização, o Maserati conservava grande parte da sua configuração original e apresentava apenas 12.700 quilómetros no contador.

O automóvel acabou por ser adquirido por um colecionador do Texas, nos EUA, que decidiu enviá-lo de volta a Modena, em Itália, para uma recuperação minuciosa.

O restauro demorou quatro anos.

Em 2004, o 5000 GT Frua regressou finalmente aos holofotes, ao participar no prestigiado Concorso d’Eleganza Villa d’Este, onde recebeu uma distinção.

O capítulo que faltava à história

Mais de 60 anos depois da sua criação, este Maserati voltou a merecer atenção graças a uma novidade anunciada pela própria marca.

Segundo o comunicado divulgado pela Maserati, o departamento Classiche certificou oficialmente a autenticidade do chassis 103.064, reconhecendo a importância histórica e a identidade deste exemplar.

É a primeira vez que um Maserati 5000 GT recebe esta certificação.

O reconhecimento não altera o passado do automóvel, mas acrescenta-lhe um novo capítulo: depois de pertencer à realeza, ser confiscado, desaparecer durante décadas e regressar às mãos de colecionadores, passa a ter também a sua autenticidade formalmente reconhecida pelo fabricante.

De Modena a Genebra, de Roma ao Cairo e depois aos EUA, poucos automóveis terão tido uma vida tão movimentada enquanto passaram tanto tempo parados.

E pensar que tudo começou com um pedido simples de um rei: queria um Maserati ainda mais especial.