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Toyota Corolla é um dos carros japoneses mais famosos. Em 2028, poderá vir da China

Toyota Corolla é um dos carros japoneses mais famosos. Em 2028, poderá vir da China
Automonitor

Possibilidade representa uma mudança na estratégia industrial de um dos modelos mais importantes da marca, atualmente produzido em 15 fábricas distribuídas por 12 países

O Toyota Corolla é um dos automóveis japoneses mais conhecidos do mundo, mas a próxima geração poderá ter uma ligação ainda mais forte à China. A fabricante japonesa está a estudar a possibilidade de aumentar a produção do modelo naquele país, incluindo unidades destinadas à exportação. A mudança poderá acontecer a partir de 2028, quando deverá chegar a 13.ª geração do Corolla, com versões a combustão, híbridas e totalmente elétricas.

Segundo a ‘L’Automobile Magazine’, que cita informações do jornal japonês ‘Nikkei’, a Toyota poderá reforçar a produção do Corolla através da FAW Toyota Motor, a empresa que mantém em parceria com o grupo chinês FAW.

A possibilidade representa uma mudança na estratégia industrial de um dos modelos mais importantes da marca, atualmente produzido em 15 fábricas distribuídas por 12 países.

Ao longo de seis décadas e 12 gerações, o Corolla acumulou cerca de 57 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, tornando-se um dos maiores sucessos comerciais da história do automóvel.

O próximo Corolla poderá ter três tipos de motorização

A eventual reorganização da produção está associada à preparação da nova geração, prevista para 2028.

A Toyota pretende desenvolver uma plataforma capaz de receber diferentes tipos de motorização, permitindo oferecer versões com motor de combustão, híbridas e totalmente elétricas.

Esta solução dará à fabricante maior flexibilidade para adaptar o Corolla às necessidades de cada mercado, sem depender exclusivamente de uma tecnologia.

A estratégia está alinhada com a posição que a Toyota tem defendido nos últimos anos: disponibilizar diferentes alternativas de motorização, em vez de apostar apenas nos automóveis elétricos.

Para um modelo comercializado em dezenas de países, com necessidades e preferências distintas, essa flexibilidade poderá ser particularmente importante.

Porque quer a Toyota produzir mais Corolla na China?

A possibilidade de aumentar a produção chinesa surge numa altura em que a Toyota enfrenta uma concorrência cada vez mais intensa naquele mercado.

Tal como acontece com outros fabricantes estrangeiros, a marca japonesa tem perdido terreno para construtores locais, sobretudo num setor em que os automóveis elétricos e as novas tecnologias ganharam importância.

Reforçar a atividade da FAW Toyota Motor poderá ajudar a aproveitar melhor a capacidade instalada e reduzir o risco de manter fábricas a funcionar abaixo do seu potencial.

A China dispõe de uma grande capacidade industrial e de uma cadeia de fornecedores desenvolvida, fatores que podem contribuir para reduzir os custos de produção.

Além de abastecer o mercado chinês, as instalações da parceria com a FAW poderão passar a produzir unidades do Corolla destinadas a outros países.

No entanto, ainda não se sabe que percentagem da produção mundial ficará concentrada na China, nem quais serão os mercados de exportação abrangidos.

Há um obstáculo: as tarifas sobre os automóveis produzidos na China

A eventual decisão da Toyota surge num contexto comercial particularmente complexo.

A União Europeia e os EUA adotaram medidas para proteger as respetivas indústrias automóveis da concorrência chinesa, incluindo tarifas que podem tornar menos competitivos determinados veículos importados daquele país.

No caso europeu, os direitos adicionais aplicados aos automóveis elétricos a bateria produzidos na China representam um fator que a Toyota terá de considerar, sobretudo se decidir exportar versões elétricas do futuro Corolla.

Estas medidas não se aplicam da mesma forma a todas as motorizações, pelo que a escolha dos países onde cada versão será produzida poderá tornar-se decisiva.

A fabricante terá de encontrar um equilíbrio entre os custos potencialmente mais baixos da produção chinesa e as vantagens de continuar a fabricar automóveis perto dos mercados onde são vendidos.

É uma questão especialmente relevante para o Corolla, cuja presença industrial internacional permite atualmente adaptar a produção às diferentes regiões.

O Toyota Corolla vai deixar de ser fabricado noutros países?

Para já, não há qualquer indicação de que a Toyota pretenda concentrar toda a produção do Corolla na China.

A informação divulgada aponta para um possível reforço do papel das fábricas chinesas, mantendo-se a produção distribuída por diferentes regiões do mundo.

Também não foi confirmado se a Europa poderá receber unidades do novo Corolla produzidas na China.

A Toyota dispõe de uma rede industrial internacional que continua a ser importante para abastecer os mercados locais e evitar custos associados à importação.

A decisão final dependerá, entre outros fatores, da evolução das vendas, dos custos industriais e das regras comerciais em vigor quando a nova geração chegar ao mercado.

O que está em preparação é, portanto, uma possível mudança na distribuição mundial da produção de um modelo que, apesar de ser um dos grandes símbolos da indústria automóvel japonesa, poderá passar a depender ainda mais das fábricas chinesas.