O Nissan Juke prepara-se para uma das maiores transformações desde que apareceu em 2010. A terceira geração abandona os motores a combustão, torna-se 100% elétrica e leva ainda mais longe o desenho pouco convencional que sempre distinguiu o crossover japonês. O modelo chega em 2027 e os protótipos já estão na estrada.
A Nissan já tinha levantado oficialmente o véu sobre o próximo Juke, mas os testes continuam. Novas imagens de protótipos em circulação, divulgadas pelo ‘Motor1’, mostram que o fabricante está agora a afinar aquele que será um dos modelos fundamentais da sua nova geração de elétricos europeus.
E quem esperava que a passagem à eletrificação tornasse o Juke mais discreto pode esquecer a ideia.
Juke elétrico vai buscar inspiração ao Hyper Punk
As formas extremamente angulares vistas nos protótipos estão muito próximas das imagens já reveladas pela Nissan.
A inspiração vem do Hyper Punk, o concept elétrico apresentado pela marca em 2023, caracterizado pelas superfícies poligonais, linhas vincadas e uma abordagem deliberadamente pouco convencional.
É precisamente essa filosofia que deverá chegar à terceira geração do Juke.
As óticas assumem um papel central tanto na dianteira como na traseira e ajudam a criar uma assinatura luminosa própria, enquanto as superfícies da carroçaria são bastante mais geométricas do que no modelo atual.
Apesar da transformação, há elementos familiares.
O vidro traseiro mantém uma inclinação acentuada, preservando parte da silhueta de crossover com influência coupé, enquanto os puxadores das portas traseiras continuam escondidos junto aos vidros — uma solução visual que acompanha o Juke desde a primeira geração.
Vai partilhar tecnologia com a nova Leaf
A revolução não fica pelo desenho.
O novo Juke será exclusivamente elétrico e recorrerá à arquitetura CMF-EV, utilizada pela Nissan para os seus modelos elétricos e que está também na base da nova Leaf e do Ariya.
A ligação à Leaf é particularmente importante.
Os dois modelos serão produzidos na fábrica britânica da Nissan em Sunderland, que está no centro da estratégia de eletrificação europeia da fabricante japonesa.
As especificações definitivas do Juke ainda não foram anunciadas. Por isso, números relativos à bateria e autonomia devem, para já, ser tratados como previsões.
Uma das possibilidades avançadas pelo Motor1 passa pela utilização de soluções semelhantes às da nova Leaf.
Esta última está disponível com baterias de 52 e 75 kWh, sendo que a versão de maior capacidade pode ultrapassar os 600 quilómetros de autonomia WLTP.
Caso a Nissan transfira estas opções para o Juke, é possível que o crossover venha a oferecer autonomias na região dos 400 aos 600 quilómetros, dependendo da versão. Mas a marca ainda não confirmou que assim será.
Dois grandes ecrãs também são esperados
O interior continua praticamente em segredo.
Ainda assim, o novo Juke deverá aproveitar parte da tecnologia introduzida na mais recente geração de modelos elétricos da Nissan.
Entre os equipamentos apontados estão dois ecrãs de 14,3 polegadas, destinados ao painel de instrumentos digital e ao sistema multimédia, além da integração dos serviços Google.
São também esperadas atualizações de software à distância e um sistema de navegação preparado para integrar as necessidades de carregamento no planeamento das viagens.
Mais uma vez, porém, são características ainda por confirmar especificamente para o Juke.
E o atual Juke? Não desaparece imediatamente
Há um detalhe particularmente interessante na estratégia da Nissan.
A chegada da terceira geração elétrica não significará o desaparecimento imediato do Juke que atualmente encontramos nos concessionários.
Segundo o ‘Motor1’, a geração atual deverá continuar a ser comercializada em paralelo durante algum tempo, incluindo nas versões híbridas.
A Nissan poderá, assim, fazer uma transição gradual: de um lado, manter o Juke atual para quem ainda procura motorizações convencionais ou híbridas; do outro, colocar no mercado uma terceira geração concebida desde o início como automóvel elétrico.
A Nissan confirma oficialmente que o novo Juke chegará em 2027 e será produzido em Sunderland.
Até lá, os protótipos continuarão a acumular quilómetros.
E, pelo que já se consegue perceber, a eletrificação não vai tornar o Juke mais convencional. Pelo contrário: a Nissan parece determinada a fazer da terceira geração o Juke mais radical de sempre.






