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Menos de 800 habitantes, carros dos anos 50 e néons: bem-vindo à cidade real que inspirou o filme de animação ‘Cars’

Automonitor

Radiator Springs não existe. Mas, no Arizona, há uma pequena localidade onde é difícil não sentir que se entrou no universo criado pela Pixar

Quem viu o filme ‘Cars’ dificilmente esquece Radiator Springs. Uma pequena cidade perdida no deserto, atravessada pela antiga Route 66, cheia de néons, oficinas, bombas de gasolina e carros, que entrou em decadência quando uma nova autoestrada desviou para longe dali os viajantes.

Radiator Springs não existe. Mas, no Arizona, há uma pequena localidade onde é difícil não sentir que se entrou no universo criado pela Pixar.

Chama-se Seligman, tem menos de 800 habitantes e fica em plena histórica Route 66. A equipa responsável por ‘Cars’ percorreu várias localidades ao longo da célebre estrada antes de produzir o filme, procurando histórias, paisagens e personagens que ajudassem a construir o seu mundo. Seligman é apontada como uma das inspirações para Radiator Springs, segundo relata o Motor1.

E basta percorrer a rua principal para perceber porquê.

Quando a autoestrada quase matou uma cidade

Durante décadas, a Route 66 foi uma das grandes artérias rodoviárias dos EUA. Inaugurada em 1926, ligava Chicago a Santa Monica, na Califórnia, e tornou-se símbolo das grandes viagens de automóvel pelo país.

Seligman cresceu ligada à estrada e aos milhares de viajantes que por ali passavam. Restaurantes, oficinas, bombas de gasolina e pequenos negócios viviam desse trânsito.

Depois chegaram as autoestradas modernas.

À medida que a antiga Route 66 foi sendo substituída pelo sistema de Interstates, muitas das localidades que dependiam da estrada ficaram fora das novas rotas. Seligman perdeu tráfego, clientes e importância.

É uma história extraordinariamente parecida com aquela que a Pixar conta em Cars: Radiator Springs prosperava enquanto os automóveis atravessavam a Route 66, mas entrou em decadência depois de uma autoestrada permitir aos condutores contornar completamente a cidade.

A diferença é que Seligman conseguiu sobreviver.

A localidade acabaria por desempenhar um papel importante na preservação da memória da Route 66 e transformou precisamente aquilo que quase a condenou — a velha estrada — na razão pela qual milhares de viajantes continuam a querer passar por ali.

Carros antigos, bombas de gasolina e néons

Hoje, caminhar por Seligman é quase visitar um museu automóvel a céu aberto.

Ao longo da rua principal encontram-se carros antigos usados como decoração, bombas de gasolina de outras décadas, letreiros vintage, murais dedicados à Route 66 e edifícios coloridos que parecem ter ficado suspensos no tempo.

Os automóveis dos anos 50 e 60 são particularmente abundantes. Alguns foram restaurados; outros transformaram-se em peças decorativas e há exemplares colocados junto aos estabelecimentos como se fossem personagens da própria cidade.

Não vale, naturalmente, procurar Faísca McQueen, Mate ou Sally estacionados junto a uma oficina. Seligman não é uma recriação oficial de Radiator Springs nem foi construída pela Disney para turistas.

É precisamente o contrário que a torna interessante: a cidade já estava ali.

A Pixar foi à procura da América da Route 66 e encontrou em localidades como Seligman o ambiente que depois transportou para o grande ecrã.

Por isso, quem hoje percorre a chamada “Mother Road” pode experimentar uma sensação curiosa: visitar um lugar real que parece uma reprodução de um filme — quando, na verdade, foi o filme que tentou reproduzir lugares como aquele.