Lewis Hamilton desfez-se da sua coleção de automóveis no ano passado, mas deixou desde logo uma exceção em aberto. Havia um carro que continuava disposto a ter na garagem. Agora encontrou-o — coberto de pó e depois de ter passado mais de três décadas praticamente esquecido.
O sete vezes campeão mundial de Fórmula 1 comprou um Ferrari F40, um dos modelos mais emblemáticos da história da marca de Maranello e aquele que Hamilton descreve como o automóvel dos seus sonhos.
Mas, apesar de ter capacidade financeira para procurar um exemplar em estado de concurso, o atual piloto da Ferrari escolheu um caminho bastante diferente.
Segundo revelou nas redes sociais, encontrou um F40 que tinha permanecido guardado numa garagem durante mais de 30 anos. O automóvel precisava de uma recuperação profunda e Hamilton decidiu enviá-lo para um lugar particularmente apropriado: a fábrica da Ferrari, em Maranello.
“É o carro dos meus sonhos e tem sido desde que me lembro. Quando era criança sonhava ter um”, escreveu Hamilton, citado pela ‘Road & Track’.
Mais de três décadas coberto de pó
Não são conhecidos muitos detalhes sobre a vida deste F40 antes de chegar às mãos do piloto britânico. De acordo com a ‘Motor1’, a matrícula sugere que o automóvel poderá ter estado registado em Itália, mas desconhecem-se as razões pelas quais o anterior proprietário terá deixado de o utilizar.
O que Hamilton conta é que o encontrou coberto de pó depois de mais de três décadas parado numa garagem.
“Estes carros são obras de arte e incrivelmente raros, por isso, quando encontrei este, coberto de pó depois de ter estado numa garagem durante mais de 30 anos, sabia que tinha de o levar para casa”, explicou.
Antes de chegar definitivamente à garagem do piloto, porém, houve uma passagem obrigatória por Maranello.
Engenheiros e mecânicos da Ferrari trabalharam durante várias semanas na recuperação do automóvel. As imagens divulgadas por Hamilton mostram diferentes fases do processo e indicam que não se tratou apenas de recuperar a pintura ou o habitáculo: o motor chegou a ser retirado durante os trabalhos.
“Primeiro para Maranello, onde os engenheiros e mecânicos da fábrica trabalharam durante semanas para o trazer de volta à vida. Um enorme obrigado a todos os que participaram neste projeto. Foi realmente um sonho tornado realidade”, escreveu Hamilton.
O Ferrari que Hamilton queria desde criança
A escolha está longe de ser uma surpresa. Hamilton já tinha assumido publicamente a sua admiração pelo F40 e fez questão de ter um exemplar por perto num dos momentos mais simbólicos da sua chegada à Ferrari.
Quando iniciou oficialmente a nova etapa da carreira em Maranello, em janeiro de 2025, posou junto de um F40 numa fotografia cuidadosamente preparada diante da histórica sede da marca.
“Quando entrei para a Ferrari no ano passado, fiz questão de ter um comigo no meu primeiro dia em Maranello. É isso que este carro significa para mim”, recordou agora.
O F40 foi apresentado em 1987, quando Hamilton tinha apenas dois anos, e tornou-se um dos supercarros mais reconhecidos de sempre. Foi também o último automóvel de estrada da marca aprovado pessoalmente por Enzo Ferrari antes da sua morte, em 1988.
Foram construídos pouco mais de 1.300 exemplares.
Equipado com um V8 biturbo de 2,9 litros e concebido com uma obsessão particular pela redução de peso e desempenho, o F40 ficou ainda na história por ter sido o primeiro automóvel de produção a ultrapassar a barreira das 200 milhas por hora, cerca de 322 km/h.
Quanto vale hoje um F40?
Hamilton não revelou quanto pagou pelo exemplar encontrado nem o custo da extensa recuperação realizada em Maranello.
Mas o mercado dá uma ideia da dimensão dos valores atualmente envolvidos.
Segundo a ‘Motor1’, a RM Sotheby’s vendeu em abril um Ferrari F40 com apenas 1.799 quilómetros por 4,3 milhões de euros. O preço de um exemplar depende naturalmente do historial, quilometragem, estado de conservação e especificação.
No caso de Hamilton, porém, o valor parece ser sobretudo sentimental.
O piloto já chegou, aliás, a revelar que gostaria de ir ainda mais longe e colaborar com a Ferrari na criação de uma interpretação moderna do F40.
Hamilton deu até um nome à ideia: “F44”, numa referência ao número 44 que utiliza na Fórmula 1. O conceito passaria por recuperar a filosofia do F40 e, significativamente numa época dominada por transmissões automáticas, manter uma verdadeira caixa manual.
Por enquanto, não precisa de esperar por essa eventual criação. O original já está na sua garagem — depois de passar mais de 30 anos esquecido noutra.






