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Portugueses entre os mais castigados da UE: encher o depósito exige quase o dobro do esforço face aos Países Baixos

Revista de Imprensa

Portugal esteve entre os países da União Europeia onde o aumento dos preços dos combustíveis teve um impacto mais severo sobre os orçamentos familiares durante os meses marcados pela guerra no Médio Oriente.

Portugal esteve entre os países da União Europeia onde o aumento dos preços dos combustíveis teve um impacto mais severo sobre os orçamentos familiares durante os meses marcados pela guerra no Médio Oriente. Embora a subida dos preços tenha ficado a meio da tabela europeia em termos nominais, o peso que os combustíveis têm nas despesas das famílias e o menor rendimento disponível dos portugueses fizeram com que o esforço financeiro exigido fosse significativamente superior ao registado em muitas economias europeias.

Segundo uma análise divulgada pelo Público, com base em dados oficiais do Eurostat, entre março e maio os combustíveis em Portugal registaram uma subida homóloga média trimestral de cerca de 20,4%. Apesar de países como Luxemburgo, Letónia, Roménia, França ou Países Baixos terem registado aumentos percentuais iguais ou superiores, a realidade económica portuguesa tornou o impacto muito mais pesado para os consumidores nacionais.

Quando os dados são ajustados ao rendimento disponível das famílias e ao peso dos combustíveis no orçamento doméstico, Portugal surge entre os países mais afetados da União Europeia. Numa classificação baseada no chamado “índice de esforço real”, apenas Roménia, Letónia, Bulgária, Lituânia, Grécia e República Checa apresentaram uma situação mais gravosa. A análise demonstra que o sacrifício financeiro exigido às famílias portuguesas foi quase o dobro daquele sentido em países como os Países Baixos. Enquanto um consumidor neerlandês registou um índice de esforço de 57,1, o português atingiu 104,2, refletindo uma realidade em que os rendimentos são mais baixos e os gastos com combustíveis representam uma fatia maior das despesas mensais.

A diferença explica-se por fatores estruturais. De acordo com os indicadores de poder de compra do Eurostat, o rendimento disponível das famílias portuguesas situa-se cerca de 15% abaixo da média da União Europeia. Ao mesmo tempo, os combustíveis representam aproximadamente 3,5% do orçamento mensal de consumo em Portugal, uma proporção superior à registada em países como os Países Baixos, onde esse peso ronda os 2,4%, ou a Alemanha, com cerca de 2,8%. A estrutura fiscal aplicada aos combustíveis também contribui para agravar o impacto. O preço final pago pelos consumidores inclui não apenas o custo da matéria-prima, mas também impostos como o Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP), a taxa de carbono e o IVA de 23%, que incide igualmente sobre os restantes encargos fiscais, criando um efeito multiplicador quando os preços sobem.

A comparação com Espanha evidencia ainda mais a diferença de impacto. Durante o período de forte pressão inflacionista, o Governo espanhol adotou medidas mais agressivas de apoio aos consumidores, incluindo subsídios diretos e reduções temporárias da carga fiscal sobre a energia. Como resultado, em maio os combustíveis em Espanha registaram uma subida homóloga de 15,9%, com um índice de esforço real de 58,1. Considerando o trimestre completo entre março e maio, a inflação média dos combustíveis em território espanhol foi de 14,3%, traduzindo-se num esforço médio de 52,3. Em Portugal, pelo contrário, a subida média de 20,4% elevou o índice médio de esforço para 84,0, colocando o país entre os mais penalizados da União Europeia pelo encarecimento dos combustíveis durante o conflito no Médio Oriente.