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Hidrogénio como energia alternativa à mobilidade de veículos. Sim ou não?

Automonitor

Embora seja a fonte de energia mais abundante do planeta, o hidrogénio continua a ser um tema de amplo debate no setor automóvel.

Embora seja a fonte de energia mais abundante do planeta, o hidrogénio continua a ser um tema de amplo debate no setor automóvel. Numa altura em que é cada vez mais fundamental encontrar formas alternativas e menos poluentes de promover a mobilidade, com a regulação a apertar em muitos países, a energia elétrica vai tendo um crescimento que já não pode ser ignorado, mas o hidrogénio não reúne o consenso do setor.

O site Autocar descreve a dualidade do debate, dizendo que de um lado temos o patrão da Tesla, Elon Musk, a descrever a possível utilização do hidrogénio em veículos de estrada como uma “estupidez”, devido à elevada quantidade de energia requerida à produção deste tipo de gás. Do outro lado da barricada, Sae Hoon Kim, o responsável pela investigação de células de combustível da Hyundai desde 2003, disse no ano passado que “as pessoas vão acabar por perceber que o hidrogénio é a resposta às regulações sobre emissões poluentes”.

Mas os argumentos não ficam por aqui. Citado pelo Autocar, Elon Musk explica que “o hidrogénio é um mecanismo de armazenamento de energia e não uma fonte. Então, temos de ir buscar esse hidrogénio a algum lado. A eletrólise é extremamente ineficiente como processo energético. No caso da energia solar, por exemplo, é possível usar painéis para captar a energia e carregar uma bateria diretamente. No hidrogénio, é preciso o movimento da água, a extração do gás, a retirada do oxigénio e a compressão a altíssima pressão, para depois colocar o hidrogénio num carro. Não é eficiente, nem faz sentido”.

No entanto, Sae Hoon Kim afirma que “o hidrogénio é produzido como um subproduto de fertilizante e petróleo refinado. O que torna difícil a sua adoção neste mercado é um investimento inicial que é muito elevado. No caso da tecnologia de baterias, tudo o que precisamos é de um conversor. Já nas células de combustível, há muitos mais componentes necessários. Mas tanto a Hyundai como a Toyota têm uma forte confiança no hidrogénio, comparativamente a outras empresas. Será muito difícil atingir as zero emissões apenas com baterias”.

Assim, se olharmos para estes dois pontos de vista, verificamos que para Elon Musk, o caminho seguido pela maioria dos países atualmente é o correto. Dado o investimento e o tempo requeridos para criar uma infraestrutura de carregamento de EV, faz sentido apostar na tecnologia que está pronta a usar e que hoje em dia é financeiramente mais viável. Por outro lado, sendo este o caminho que está a ser seguido, o que poderá acontecer se a visão de Sae Hoon Kim for a correta e o hidrogénio for mesmo a forma de atingir mais rapidamente as zero emissões? 

Independentemente de quem tiver razão, é claro o caminho que foi escolhido, pelo menos até agora. Se o hidrogénio não conseguir prevalecer sem escala, o mais provável é que os seus defensores percam o debate. O que não significa necessariamente que a decisão certa tenha sido tomada.