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Há um novo Alpine A110 escondido debaixo deste véu… e já conseguimos perceber como será

Francisco Laranjeira

Será apenas a terceira vez em 71 anos que o Alpine A110 entra numa nova geração

A Alpine ainda não quer mostrar o próximo A110. Mas também já não o consegue esconder completamente. A marca francesa apresentou uma escultura que antecipa a terceira geração do desportivo e, por baixo de um véu azul, deixou à vista as primeiras pistas concretas sobre as proporções e o desenho do modelo que sucederá ao atual A110.

Será apenas a terceira vez em 71 anos que o Alpine A110 entra numa nova geração. E, em vez de começar por revelar um protótipo convencional, a marca decidiu mostrar o futuro através de uma escultura.

O automóvel permanece coberto, mas esse é precisamente o objetivo. O véu foi concebido para acompanhar os volumes da carroçaria e deixar perceber a silhueta, as proporções e alguns dos elementos que deverão chegar ao modelo de produção.

E já há bastante para observar.

Nariz de tubarão, quatro cavas musculadas e uma traseira mais baixa

A terceira geração deverá conservar vários elementos que permitem reconhecer imediatamente um A110, mas reinterpretados para uma nova época.

Na frente surge um desenho em V, acompanhado por uma assinatura luminosa dupla. A linha de cintura começa numa dianteira que a Alpine descreve como um “nariz de tubarão” e prolonga-se até uma traseira baixa.

O habitáculo assume uma forma semelhante a uma gota e aparece encaixado entre quatro cavas das rodas bastante pronunciadas, dando ao automóvel uma postura mais musculada.

As superfícies laterais deverão igualmente recuperar o movimento característico da Berlinette original e do atual A110, embora com volumes mais vincados e uma interpretação mais moderna.

Ou seja: a Alpine pretende mudar profundamente o automóvel sem apagar aquilo que tornou o A110 reconhecível.

O Concorde também está escondido neste A110

Há ainda uma inspiração inesperada.

Segundo a Alpine, a forma como o véu azul parece ser atingido pelo vento pretende reproduzir um instante de tensão e movimento, inspirado no momento em que o Concorde quebrava a barreira do som.

A referência ao avião supersónico francês não é apenas estética. A marca pretende associar ao futuro A110 as ideias de leveza, aerodinâmica e engenharia orientada para o desempenho que marcaram o Concorde.

O resultado é uma espécie de fotografia tridimensional de um automóvel ainda escondido: não mostra os detalhes, mas começa a revelar aquilo que interessa — a forma.

Por baixo haverá uma plataforma completamente nova

A mudança não será apenas visual.

O próximo A110 utilizará a nova APP, sigla de Alpine Performance Platform, arquitetura desenvolvida para a próxima geração de modelos de alto desempenho da marca.

Já tivemos, aliás, uma primeira amostra dessa base. Em julho, a Alpine levou ao Goodwood Festival of Speed um protótipo de desenvolvimento denominado A110 FUTURE.

Nesse caso, a marca utilizou uma carroçaria derivada do atual A110, mas alongada para acomodar as novas dimensões da plataforma. O objetivo não era antecipar o desenho definitivo, mas testar aquilo que estará por baixo dele.

Agora acontece praticamente o contrário: a mecânica continua escondida, mas começamos a descobrir a forma que a envolverá.

O próximo passo será Paris

A escultura estará exposta no stand da Alpine no Salão Automóvel de Paris, que abre portas a 13 de outubro.

Até lá, esta será provavelmente a imagem mais próxima que teremos da terceira geração do A110.

Está coberto por um véu, é certo. Mas a Alpine já deixou ver o suficiente para perceber que o próximo capítulo de um dos seus modelos mais importantes começou.