Depois de assistirmos ao lançamento do novo BMW i3, percebemos que este modelo pouco tem que ver com o pequeno i3 original, de carroçaria alta. Este é, na prática, a interpretação 100% elétrica do Série 3, construída de raiz sobre a plataforma Neue Klasse.
A BMW apresenta-o como o segundo modelo desta nova geração, depois do iX3, e é precisamente aqui que já se começa a notar a evolução face ao primeiro.
O que mais impressiona
Na versão i3 50 xDrive, os números são:
- Dois motores elétricos e tração integral;
- Binário máximo de 645 Nm;
- Bateria com 108,7 kWh de capacidade útil;
- Aceleração dos 0 aos 100 km/h em 4,7 segundos;
- Velocidade máxima de 200 km/h;
- Autonomia WLTP até 912 km;
- Arquitetura elétrica de 800 V;
- Carregamento rápido DC até 400 kW;
- Peso aproximado de 2.205 kg.
Uma das grandes evoluções da Neue Klasse surge com a nova arquitetura elétrica de 800 V, que permite ao i3 suportar potências de carregamento até 400 kW, colocando-o tecnologicamente entre os elétricos mais avançados da atualidade.
Dito de outro modo, a BMW não procurou apenas colocar uma bateria de grande capacidade num Série 3. Quis combinar bateria, eficiência, eletrónica e carregamento numa arquitetura desenvolvida de raiz.
Heart of Joy: o novo cérebro do BMW i3
Esta é uma das tecnologias mais interessantes presentes no i3: um sistema central que coordena a dinâmica do automóvel.
Com esta solução, a marca procura preservar o comportamento típico de um BMW na transição para a mobilidade elétrica. É aqui que também merece destaque o contributo da Critical TechWorks, empresa tecnológica criada pela BMW em parceria com a portuguesa Critical Software.
Em resumo, a Neue Klasse não significa apenas mais autonomia. Representa também uma nova forma de utilizar o software e a eletrónica para melhorar a dinâmica do automóvel.
Este “supercérebro” concentra as funções relacionadas com a condução e coordena a propulsão, a desaceleração, a travagem e o controlo dinâmico num único sistema.
Ao reduzir a fragmentação entre as várias unidades de controlo, a BMW procura tornar as respostas mais rápidas, consistentes e naturais.
Há alguns anos, num elétrico, a aceleração era um fator de diferenciação suficiente. Hoje, vejo o Heart of Joy não apenas como software, mas como uma nova forma de engenharia dinâmica.
Se funcionar como espero confirmar no ensaio dinâmico, o ADN do automóvel deixará de ser determinado exclusivamente pela afinação mecânica do chassis, passando também a depender da qualidade do código, da capacidade computacional e da integração entre software e hardware.
E o interior?
Também aqui há uma mudança profunda, com a introdução do BMW Panoramic iDrive.
Em vez de depender do tradicional painel de instrumentos atrás do volante, o BMW Panoramic Vision apresenta informação numa zona que percorre toda a largura inferior do para-brisas, de um pilar A ao outro.
A este sistema junta-se um ecrã central Free-Cut de 17,9 polegadas, o BMW 3D Head-Up Display e os comandos Shy Tech, que apenas se iluminam quando necessário.
A tecnologia está presente, mas procura desaparecer visualmente quando não é necessária. O objetivo é reduzir a complexidade do habitáculo e tornar a interação mais intuitiva.
O conjunto inclui ainda o BMW Intelligent Personal Assistant e a integração da tecnologia de inteligência artificial Amazon Alexa+.
Mais do que a quantidade de ecrãs ou funcionalidades, interessa perceber se esta nova organização da informação consegue simplificar a experiência de condução.
Mas continua a ser um Série 3?
Sim, e essa é uma escolha deliberada.
A BMW adotou uma configuração de dois volumes e meio, com uma dianteira que recupera elementos históricos da marca, reinterpretados de forma mais minimalista, como a tradicional grelha de duplo rim.
O novo BMW i3 não deve, por isso, ser apresentado simplesmente como um Série 3 elétrico, mas como o modelo através do qual a BMW procura transportar para a era elétrica tudo aquilo que construiu ao longo de cinco décadas em torno do Série 3: proporções, envolvimento do condutor, eficiência e prazer de condução.
E isso não é fácil!
Veja-se a autonomia anunciada de até 912 km, resultado da combinação entre bateria, aerodinâmica, eletrónica de potência, software e uma arquitetura elétrica de 800 V.
Ou o coeficiente aerodinâmico de 0,21 Cd, um valor que impressiona.
Senão vejamos: o i3 pode alcançar mais 101 km de autonomia do que o BMW iX3, apesar de ambos partilharem a mesma distância entre eixos e uma configuração mecânica semelhante.
É aqui que se percebe como a forma de uma berlina continua a ter um papel importante na eficiência de um automóvel elétrico.
Outro número interessante é a possibilidade de recuperar até 400 km de autonomia em apenas dez minutos, mediante a utilização de um carregador compatível e em condições ideais.
Acompanhe a Automonitor no LinkedIn e no Instagram para descobrir as novidades do mundo automóvel, os nossos ensaios e as tecnologias que estão a transformar a mobilidade.
Agora falta o ensaio dinâmico
Os números são promissores, mas há aspetos que só poderão ser devidamente avaliados ao volante.
No ensaio dinâmico, será importante perceber:
- Como é feito o controlo dos movimentos verticais da carroçaria;
- Qual é o nível de precisão e naturalidade da direção;
- Até que ponto os travões mantêm uma resposta consistente;
- Como funciona a integração entre a travagem regenerativa e a travagem por fricção;
- Se o comportamento se mantém previsível e consistente quando o peso se faz sentir numa estrada exigente;
- Com que naturalidade o automóvel consegue gerir e tirar partido da sua massa;
- Como funciona, em utilização real, o novo sistema de projeção de informação na zona inferior do para-brisas e se consegue reduzir o tempo durante o qual o condutor desvia os olhos da estrada.
É nesta avaliação que poderemos perceber se a tecnologia consegue cumprir aquilo que os números e a apresentação prometem.
O detalhe histórico que não deve passar despercebido
A recuperação do nome i3 é uma decisão interessante.
O primeiro BMW i3 tinha uma carroçaria compacta, uma arquitetura pouco convencional e uma utilização intensiva de materiais compósitos.
O novo i3 segue uma estratégia praticamente inversa: a BMW coloca-o no centro comercial e simbólico da marca, no território do Série 3.
E esta mudança é reveladora da maturidade da mobilidade elétrica.
A eletrificação deixou de precisar de uma silhueta alternativa para justificar a sua existência e começa a demonstrar que pode assumir o lugar de modelos históricos, eventualmente até superando-os em determinadas áreas.
Neste caso, falamos de um dos automóveis que melhor ajudaram a definir o conceito de berlina desportiva premium.
A BMW posiciona, assim, o novo i3 não apenas como o segundo automóvel da Neue Klasse, mas como um marco na sua própria evolução: o momento em que o software deixa de ser apenas um complemento da engenharia e passa a fazer parte integrante do ADN da marca.
Fonte oficial: BMW Group, apresentação do novo i3
A transformação elétrica da BMW já tem vindo a merecer destaque na Automonitor. Descubra por que razão a procura levou a marca a antecipar as encomendas do novo Série 3 elétrico, conheça a tecnologia de condução assistida do iX3, que permite circular sem as mãos no volante até 130 km/h e recorde o nosso ensaio ao BMW 230i, um dos representantes da tradição desportiva da marca.















