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Ribacôa Clássicos: cultura, histórias e automóveis no interior de Portugal

Jorge Farromba

Objetivo Ribacôa Clássicos não é o crescimento em escala mas manter um ambiente familiar e garantir ligações pessoais porque organizador e autarquias visam criar um ciclo de retorno, onde os participantes voltam ao território de forma independente, gerando valor económico sustentado

O evento “Ribacôa Clássicos” é, na sua essência, um veículo para a promoção económica e cultural de um território de baixa densidade populacional, com o apoio de um encontro de carros clássicos que se está a tornar uma referencia nacional!

O organizador Telmo Ramalho mantém-no restrito a 20 participantes, não por falta de inscritos mas para manter a autenticidade, a proximidade; quase um espírito familiar!

A sua estratégia – ao ser um “filho da terra” – assenta em criar uma experiência de imersão de três dias (gastronómica, paisagística, histórica) na região da Beira Alta, utilizando os automóveis como pretexto.

Este modelo que tem o apoio e assenta numa estratégia inteligente das autarquias locais (Sabugal, Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel) e na amplificação mediática através de “padrinhos” como Rui Unas, e de uma agência de comunicação tem o mérito de promover territórios de baixa densidade, de beleza incontestável, com um património gastronómico, cultural e histórico inegável. Com isto pode e deve-se criar num novo roteiro turístico do país.

O objetivo Ribacôa Clássicos não é o crescimento em escala mas manter um ambiente familiar e garantir ligações pessoais porque organizador e autarquias visam criar um ciclo de retorno, onde os participantes voltam ao território de forma independente, gerando valor económico sustentado.

O Telmo refere “acredito que não somos somente um clube de automóveis mas uma plataforma de marketing territorial” e a “curadoria dos embaixadores é fundamental; pois são pessoas que se identificam com os meus valores e acreditam nos valores do evento (autenticidade, raízes)” e isso é mais importante do que a sua mera celebridade.

Um Encontro de Carros Clássicos com Propósito

Esta sua terceira edição intercala com outro evento, “Estradas de Contrabando” – onde conta com o relato dos próprios, à época, mas também com o canal de YouTube “Carburador”, criado em 2017 por paixão por carros clássicos, que serve como a plataforma original e ponto de agregação da comunidade.

Para Rui Unas, o embaixador deste ano reflete “uma visão estratégica sobre a promoção territorial e a valorização do património nacional”. A sua presença, motivada por uma promessa de longa data ao organizador e amigo Telmo, “transcende o âmbito pessoal, consolidando-se como um apoio fundamental para a dinamização da região da Beira Alta”.

“A experiência proporcionou uma imersão profunda – gastronómica, cultural e paisagística – que, de outra forma, dificilmente seria alcançada em apenas três dias” complementa Rui Unas no decurso do evento no mercado de produtores em Figueira de Castelo Rodrigo, onde sublinha que o evento se alinha com a sua filosofia de vida pois este conceito dos passeios de automóveis clássicos – do qual confessa não entender muito de automóveis e de clássicos – aposta “na valorização do tempo, um elemento hoje tão precioso, que permitem um ritmo pausado, essencial para desfrutar da riqueza do território”.

Esta análise pragmática de ambos evidencia o papel das figuras públicas e a evolução dos meios de comunicação com as redes sociais a serem, hoje, desde que bem geridas um veículo de promoção mais ágil e eficaz do que os meios tradicionais.

Encontrei territórios que desconhecia, estradas e paisagens únicas, territórios bem preservados e sobretudo bem requalificados que simbolizam que este “interior não está morto” mas onde eventos como este do Telmo não devem ser um acontecimento isolado, mas um ciclo regular que se consolida naturalmente ao longo do tempo para evidenciar que “este interior não está morto” (sim, a frase é do autor, pois esta abordagem, vista como uma forma de valorização do património que complementa, com uma escala mais humana e pessoal, ajuda exponencialmente o trabalho dos organismos oficiais de turismo).

Transformar o evento numa ferramenta de marketing de experiência onde o objetivo final não é o evento em si, mas que os participantes se tornem futuros turistas e embaixadores da região, regressando de forma autónoma é a chave mestra e foi-me garantido que a 4.ª edição está garantida.

Mais sobre o Ribacôa Clássicos

Antes de os 20 clássicos se fazerem à estrada, a Automonitor falou com Telmo Ramalho, responsável pelo Ribacôa Clássicos, sobre a filosofia de um evento em que “os automóveis são o chamariz, mas o território é a razão de ser”, o limite deliberado de apenas 20 viaturas e o futuro dos automóveis clássicos. Mostrámos também o percurso desta terceira edição, numa viagem de cerca de 200 quilómetros entre castelos, muralhas, vinhas e escarpas, do Sabugal a Vila Nova de Foz Côa, com passagens por Almeida, Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo.