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Esta bicicleta elétrica não tem corrente e ficou sem bateria. O que aconteceu na primeira subida surpreendeu o dono

Esta bicicleta elétrica não tem corrente e ficou sem bateria. O que aconteceu na primeira subida surpreendeu o dono
Francisco Laranjeira

Numa bicicleta convencional, ficar sem bateria significa perder a assistência elétrica e continuar a pedalar. Mas o que acontece quando os pedais nem sequer estão ligados mecanicamente à roda?

Numa bicicleta convencional, ficar sem bateria significa perder a assistência elétrica e continuar a pedalar. Mas o que acontece quando os pedais nem sequer estão ligados mecanicamente à roda? Foi isso que um proprietário de uma bicicleta elétrica da ALSO decidiu descobrir. E a experiência revelou uma solução engenhosa, embora com limitações que se tornaram evidentes na primeira subida.

A experiência foi divulgada pelo ‘Electrek’ e teve como protagonista Aaron Draczynski, um dos primeiros proprietários da ALSO TM-B, uma bicicleta elétrica desenvolvida por uma empresa que nasceu ligada à Rivian, fabricante de automóveis elétricos.

O modelo distingue-se por dispensar a tradicional ligação mecânica entre os pedais e a roda traseira. Não existe uma corrente convencional que transmita diretamente a força das pernas ao movimento da bicicleta.

Em vez disso, os pedais acionam um gerador elétrico, enquanto um motor é responsável por movimentar a roda. Todo o funcionamento é controlado eletronicamente, através de um sistema que a fabricante designa por DreamRide.

Esta arquitetura permite simular diferentes mudanças, ajustar a resistência dos pedais e multiplicar o esforço do ciclista com assistência elétrica.

Mas levanta uma questão inevitável: se a bateria ficar sem energia, como é que a bicicleta continua a andar?

Começou com 31% de bateria e a assistência foi desaparecendo

Para descobrir a resposta, Draczynski iniciou uma viagem com apenas 31% de carga, deixando a bateria descarregar progressivamente.

A primeira surpresa surgiu antes de a energia terminar.

À medida que a carga diminuía, a bicicleta começou a reduzir automaticamente a assistência elétrica, limitando a potência disponível para prolongar a autonomia.

Entre os 23% e os 13%, o nível máximo de assistência desceu de oito para cinco. Aos 10%, já estava limitado ao nível quatro.

A redução continuou até restar apenas o nível mais baixo de assistência.

Quando a bateria chegou aos 4%, o sistema deixou de fornecer a ajuda elétrica habitual.

Foi então que a experiência se tornou verdadeiramente interessante.

Entrou em funcionamento um modo com um nome bastante curioso

No ecrã da bicicleta surgiu um símbolo de infinito, indicando a entrada num modo de funcionamento que o proprietário descreveu como “Infinite Turtle Mode”, ou modo tartaruga infinito.

Apesar do nome divertido, a solução é tecnicamente interessante.

Em vez de depender da energia armazenada na bateria para assistir o ciclista, o sistema utiliza a eletricidade produzida pelo movimento dos pedais para alimentar o motor que faz girar a roda traseira.

Ou seja, as pernas continuam a fornecer a energia necessária para avançar, mas essa energia passa por um circuito elétrico, em vez de ser transmitida através de uma corrente.

E, surpreendentemente, em terreno plano, o sistema funcionou.

O proprietário descreveu a sensação como semelhante à de pedalar uma bicicleta convencional numa mudança relativamente pesada, mas ainda suficientemente confortável para manter o movimento.

O problema surgiu quando o percurso deixou de ser plano.

A primeira subida transformou a experiência num verdadeiro esforço físico

Ao chegar a uma zona inclinada, Draczynski percebeu rapidamente as limitações do sistema.

A bicicleta passou a exigir um esforço consideravelmente maior, como se estivesse presa numa mudança demasiado pesada para enfrentar uma subida.

O proprietário comparou a sensação à de tentar subir uma encosta numa bicicleta convencional utilizando a sétima ou oitava mudança.

Para complicar a situação, o sistema deixou de permitir selecionar manualmente as mudanças virtuais, retirando ao ciclista a possibilidade de escolher uma relação mais leve.

O regresso a casa, através de uma zona com várias subidas, transformou-se numa tarefa fisicamente exigente.

A bicicleta continuava a deslocar-se, mas estava longe de proporcionar a experiência de uma bicicleta convencional sem assistência elétrica.

E ainda houve outro problema com a bateria

A experiência revelou também uma situação inesperada quando a bicicleta estava estacionada.

Segundo o proprietário, numa ocasião deixou a ALSO TM-B na garagem com cerca de 70% de bateria.

Na noite seguinte, a carga tinha descido para 40% e, um dia depois, encontrava-se nos 18%, apesar de a bicicleta não ter sido utilizada.

Posteriormente, o sistema apresentou uma mensagem a indicar que era necessário instalar a bateria, embora esta já estivesse colocada.

A bicicleta deixou temporariamente de reconhecer a bateria, impedindo também o carregamento normal.

O problema acabou por ser resolvido através de um botão físico de reinicialização, localizado na parte inferior do quadro.

Draczynski suspeita que a descarga anormal possa estar relacionada com a tentativa de estabelecer uma ligação à rede móvel numa garagem sem cobertura, mas essa explicação não foi confirmada pela fabricante.

Trata-se, por isso, de uma ocorrência relatada num exemplar específico, e não de um defeito que possa ser atribuído a todas as bicicletas deste modelo.

Afinal, uma bicicleta elétrica sem corrente pode funcionar sem bateria?

A resposta é sim, mas com algumas condições.

A ALSO TM-B demonstra que é possível continuar a pedalar mesmo depois de a assistência elétrica convencional desaparecer, graças à energia produzida pelo próprio ciclista.

No entanto, o sistema não oferece a mesma liberdade de uma transmissão mecânica tradicional, sobretudo quando é necessário enfrentar subidas.

Segundo a documentação da ALSO, o modo de emergência permite manter uma velocidade reduzida, aproximadamente entre 8 e 11 km/h, em condições favoráveis.

A experiência mostra também uma diferença importante entre uma bicicleta elétrica convencional e um modelo que depende inteiramente de uma transmissão eletrónica.

Na primeira, a corrente continua a permitir que o ciclista movimente a roda quando a bateria acaba. Na segunda, o movimento depende do funcionamento dos componentes eletrónicos que fazem a ligação entre os pedais e o motor.

É uma solução tecnologicamente ambiciosa, mas que pode tornar uma simples subida num desafio inesperado.

E, depois desta experiência, há uma conclusão bastante prática: numa bicicleta elétrica sem corrente, talvez seja ainda mais importante não deixar a bateria chegar ao fim.

A eletrificação das duas rodas está a abrir caminho a soluções cada vez mais inesperadas. Conheça a bicicleta elétrica construída com redes de pesca recicladas e descubra a tecnologia portuguesa que permite trocar baterias de motas elétricas em segundos.