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Yamaha recusa correr no Qatar por razões de segurança. MotoGP ameaça com sanções

Yamaha recusa correr no Qatar por razões de segurança. MotoGP ameaça com sanções
Automonitor

Decisão surge num momento de crescente tensão entre pilotos, equipas e responsáveis do MotoGP, depois de várias semanas de dúvidas sobre as condições de segurança no Qatar

A Yamaha anunciou que não vai participar no Grande Prémio do Qatar de MotoGP, marcado para o próximo fim de semana, devido às preocupações de segurança relacionadas com o conflito no Médio Oriente. A decisão provocou uma reação imediata da organização do campeonato, que admite consequências contratuais e desportivas para o construtor japonês.

A decisão surge num momento de crescente tensão entre pilotos, equipas e responsáveis do MotoGP, depois de várias semanas de dúvidas sobre as condições de segurança no Qatar. Apesar das preocupações manifestadas no paddock, a organização mantém a intenção de realizar a corrida no circuito de Lusail, entre 6 e 8 de novembro.

De acordo com a ‘Reuters’, o Grande Prémio estava inicialmente previsto para abril, mas foi adiado devido ao agravamento da situação militar na região. A proximidade da nova data voltou a levantar questões sobre a segurança das deslocações, os seguros e os procedimentos de evacuação em caso de escalada do conflito.

Yamaha mantém restrições às viagens para o Médio Oriente

Num comunicado divulgado este domingo, a Yamaha explica que voltou a avaliar a situação regional e concluiu que não existem motivos suficientes para levantar as restrições internas às deslocações dos seus trabalhadores.

“Após a sua mais recente avaliação da situação no Médio Oriente, a Yamaha não identificou fundamentos suficientes para alterar as restrições de viagem atualmente em vigor em toda a empresa”, refere o fabricante.

A marca acrescenta que a decisão foi tomada de forma independente das medidas de segurança implementadas pela organização do MotoGP e pelos responsáveis do evento.

A decisão afeta diretamente a equipa oficial da Yamaha e poderá também ter implicações para a estrutura satélite Pramac.

A ausência representa um problema para o campeonato, uma vez que retira da grelha um dos seus principais construtores numa fase decisiva da temporada.

MotoGP discorda e admite consequências

A reação da organização não tardou. Num comunicado oficial, o MotoGP manifestou desagrado com a decisão da Yamaha, considerando que esta não reflete as garantias de segurança transmitidas às equipas e aos restantes participantes.

Os responsáveis pelo campeonato afirmam ter realizado consultas com as autoridades do Qatar, o circuito de Lusail e especialistas independentes em segurança, sem encontrar informações que justifiquem alterações ao calendário.

A organização garante ainda que as restantes equipas confirmaram a intenção de participar na corrida.

Contudo, a posição da Yamaha poderá ter consequências. O MotoGP esclarece que, além das implicações contratuais, a ausência poderá originar sanções desportivas, cuja eventual aplicação ficará a cargo da Federação Internacional de Motociclismo (FIM), de acordo com os regulamentos do campeonato.

Para já, não foi anunciada qualquer penalização.

Pilotos também levantaram preocupações

A decisão do construtor japonês surge depois de vários pilotos terem manifestado reservas relativamente à realização do Grande Prémio.

Segundo a ‘Reuters’, entre as principais preocupações estão as garantias de evacuação, os seguros de viagem e a possibilidade de abandonar o país rapidamente caso a situação militar se agrave.

A organização considera que as garantias fornecidas pelas autoridades locais são suficientes para manter a prova, mas a posição da Yamaha demonstra que nem todos os participantes partilham essa avaliação.

O caso poderá agora colocar o MotoGP perante um dilema: manter o calendário previsto e enfrentar a ausência de um fabricante ou reconsiderar a realização da corrida perante as preocupações de segurança.

Yamaha aponta ao regresso em Portugal

Apesar da decisão, a Yamaha garante que continua totalmente comprometida com o MotoGP e que pretende regressar à competição no Grande Prémio de Portugal, em Portimão, marcado para 20 a 22 de novembro.

O calendário prevê ainda a última prova da temporada em Valência, no final do mês.

Até lá, a organização terá de gerir uma situação invulgar: um dos principais fabricantes do campeonato decidiu não competir por considerar que não estão reunidas as condições necessárias para deslocar os seus trabalhadores ao Qatar, mesmo depois das garantias apresentadas pelos responsáveis da prova.