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Curvas a 70 metros de altura? O circuito mais extravagante da Fórmula 1 já está a ganhar forma

Automonitor

A Arábia Saudita está a avançar com a construção do Speed Park Track, em Qiddiya City, futuro circuito preparado para receber a Fórmula 1 e um dos projetos mais ambiciosos atualmente em desenvolvimento no automobilismo mundial

Parecia um daqueles projetos feitos para impressionar num computador: um circuito de Fórmula 1 que sobe até colocar os carros 70 metros acima do solo, antes de os fazer contornar a primeira curva e voltar a descer.

Só que já não é apenas um desenho.

A Arábia Saudita está a avançar com a construção do Speed Park Track, em Qiddiya City, futuro circuito preparado para receber a Fórmula 1 e um dos projetos mais ambiciosos atualmente em desenvolvimento no automobilismo mundial.

E as imagens mais recentes das obras mostram que a estrutura mais extravagante de todo o projeto começa efetivamente a tomar forma.

Chama-se The Blade e será a curva 1.

A pista sobe até cerca de 70 metros de altura — o equivalente a um edifício de aproximadamente 20 andares — antes de os pilotos enfrentarem a curva no topo e iniciarem novamente a descida.

A Qiddiya apresenta-a como a primeira secção de pista em consola deste género no mundo.

21 curvas e mais de 100 metros de desnível

O circuito foi desenhado pelo conhecido projetista alemão Hermann Tilke em conjunto com Alexander Wurz, antigo piloto de Fórmula 1 e vencedor das 24 Horas de Le Mans.

E a Blade é apenas a parte mais imediatamente visível de um traçado que pretende afastar-se bastante daquilo que existe atualmente em Jeddah.

Serão 21 curvas e mais de 108 metros de variação de elevação ao longo de uma volta.

A Qiddiya aponta ainda para velocidades superiores a 325 km/h e prevê 80 garagens para receber equipas e diferentes competições.

O traçado terá várias configurações e combinará duas filosofias distintas: uma secção mais próxima de um circuito convencional e outra integrada no ambiente urbano de Qiddiya City.

Em vez de ficar isolada do resto do empreendimento, a pista passará junto — e, em alguns pontos, através — das restantes atrações.

Uma delas será difícil de ignorar.

O circuito ficará junto da Falcon’s Flight, uma montanha-russa de grandes dimensões do parque Six Flags Qiddiya City.

A primeira curva não será apenas uma subida

É a Blade, porém, que deverá transformar-se na imagem de marca do circuito.

A aproximação à curva 1 coloca os carros numa subida que termina cerca de 70 metros acima do nível inferior do complexo.

No topo estará a própria curva, antes de o traçado voltar a perder altitude.

O objetivo não é apenas criar uma imagem espetacular para as transmissões televisivas.

Segundo os responsáveis pelo projeto, elevar esta parte da pista deverá permitir criar novos ângulos de visão para o público e libertar espaço no nível inferior.

Por baixo da estrutura está prevista uma zona destinada a espetáculos e eventos.

Também as bancadas tradicionais terão um papel diferente. O projeto prevê múltiplos pontos de observação, terraços e áreas junto à própria pista, procurando integrar os espectadores no complexo em vez de os concentrar apenas em grandes bancadas convencionais.

Um contrato de quase 500 milhões de dólares

Construir uma pista desta dimensão não será barato.

Em 2024, a Qiddiya Investment Company adjudicou um contrato avaliado em cerca de 1,8 mil milhões de riais sauditas, aproximadamente 480 milhões de dólares, para a construção da pista e respetivas infraestruturas.

O pacote inclui não apenas o asfalto, mas também redes elétricas, drenagem, água e saneamento, paisagismo e diferentes estruturas subterrâneas e à superfície.

E o projeto continua a crescer.

Já este verão foi adjudicada a construção de uma estrutura de quatro pisos destinada a zonas de visualização e hospitalidade junto ao circuito.

O Speed Park deverá cumprir os requisitos de Grau 1 da Federação Internacional do Automóvel, a classificação necessária para poder receber a Fórmula 1.

O projeto está igualmente preparado para acolher outras grandes competições internacionais de automobilismo e motociclismo.

Qiddiya quer substituir Jeddah

Desde 2021 que a casa do Grande Prémio da Arábia Saudita tem sido o circuito urbano de Jeddah, conhecido pelas velocidades elevadas e pela proximidade dos muros.

Mas sempre existiu a intenção de a passagem por Jeddah não ser a solução definitiva.

Qiddiya foi concebida para assumir esse papel no futuro.

O objetivo apontado é que o novo circuito possa receber a Fórmula 1 a partir de 2028, embora a própria Qiddiya seja prudente na informação pública atual e indique sobretudo que o Speed Park foi concebido para receber a Fórmula 1 e outras grandes competições internacionais.

As obras, entretanto, avançam.

E esse é provavelmente o elemento mais interessante do projeto neste momento.

Durante mais de dois anos, a imagem de monolugares de Fórmula 1 a subir até ao topo de uma estrutura com a altura de um prédio de 20 andares parecia apenas mais um render futurista saído dos megaprojetos sauditas.

Agora já é possível ver betão e estruturas a ocupar o lugar onde esses carros deverão passar.

A Blade está a deixar o computador e a tornar-se real.

E se é daqueles que não perde uma curva da Fórmula 1, há mais Grande Circo na ‘Automonitor’. Todas as semanas, o “Divebomb ao Grande Prémio” olha para o que aconteceu — e para o que aí vem — num registo mais descontraído, entre ultrapassagens, polémicas, surpresas e algumas dores de cabeça nas boxes. Monza, Madrid e a antevisão de Baku já passaram por lá. Na próxima segunda-feira há novo Divebomb.