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Alterações climáticas: o que é o e-fuel? Alternativa aos carros elétricos e aos combustíveis fósseis em fase de estudo

Francisco Laranjeira

Construtores alemães têm desenvolvido tecnologia de combustível que já mereceu atenção da Fórmula 1

Em plena corrida para a procura de alternativas sustentáveis e amigas do ambiente para os carros de combustão fóssil, há um elemento na equação de mobilidade sustentável que atende a todos os requisitos para ser um grande competidor de motores sustentáveis. Falamos do e-fuel, uma alternativa aos combustíveis fósseis… e aos carros elétricos.

Combustíveis sintéticos ou e-fuels são combustíveis líquidos, semelhantes aos hidrocarbonetos comuns, como gasolina ou diesel, mas ao contrário destes, não provêm de fontes de energia fóssil. Diversos fabricantes, em particular os alemães, começaram a desenvolver vários estudos para garantir a sustentabilidade da produção desta nova fórmula de combustível.

Os e-fuels são combustíveis sintéticos produzidos a partir da combinação de gás de hidrogénio (H2) e dióxido de carbono (CO2). Criados através de um processo químico, são produzidos sem petróleo, mas acabam por gerar um combustível que pode ter características semelhantes à gasolina ou ao gasóleo.

Ao contrário dos combustíveis fósseis e dos biocombustíveis, os combustíveis sintéticos podem ser neutros em emissões se forem produzidos unicamente com recurso a energias renováveis. Outra vantagem é o facto de a sua combustão ser quase neutra em fuligem, o que implica uma desejável redução nos custos do tratamento dos gases de escape.

A sua vantagem passa pelo facto de puderem utilizar a rede existente de abastecimento de combustíveis fósseis e, muito importante, não exigem uma adaptação dos motores de combustão interna.

Os combustíveis obtidos, chamados, por exemplo, e-gasolina e e-gasóleo podem ser misturados com a gasolina e gasóleo convencionais ou podemos usá-los, sem receios, de forma pura. Continuam a ser gasolina e gasóleo, apenas obtidos via outro processo, pelo que os automóveis que temos de hoje não necessitam de qualquer adaptação.

No entanto, como qualquer tecnologia em estado de desenvolvimento, enfrenta ‘dores de crescimento’, apesar do ‘boost’ da Fórmula 1, que no ano passado, no Autódromo Internacional do Algarve, reuniu-se para discutir o futuro do desporto, sendo os e-fuels centrais para a categoria, uma vez que iria permitir alcançar rapidamente a neutralidade carbónica e ser relevante para a indústria automóvel.

A disciplina máxima do desporto automóvel já conta com os motores mais eficazes alguma vez construídos, conseguindo um rendimento térmico de mais 50% – em 2013 rondava os 30% – o que lhes permite apresentar credenciais ecológicas elevadas. No entanto, é preciso ir mais além e o próximo passo será criar para 2026 uma unidade de potência híbrida, tal como as atuais ainda que com uma arquitetura diferente, e introduzir já no próximo ano os e-fuels.

Os construtores automóveis perceberam já que a massificação dos veículos elétricos não é sustentável, uma vez que para que todo o parque mundial fosse substituído por este tipo de carros, a rede elétrica existente não aguentaria a procura de energia, exigindo o nascimento de novas centrais termoelétricas uma vez que as energias renováveis não dariam vazão às necessidades.

Mas há um senão: para já, o custo de um litro deste combustível tem o custo de 4 euros, mas estão a ser realizados esforços para que se chegue rapidamente a um valor inferior a 1 euro por litro e nada melhor que o mundo da competição automóvel para também acelerar este processo.

Os e-fuels, para serem vantajosos em matéria ambiental face aos seus parentes derivados de petróleo, necessitam de ser produzidos a partir de hidrogénio gerado a partir de fontes renováveis e de carbono capturado na atmosfera. Esta é a solução defendida pelas marcas alemãs, respectivamente a BMW, Mercedes e Grupo VW.

NO entanto, um estudo levado a cabo pelos cientistas do Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Ambiental (PIK) não foi ‘simpático’ para os e-fuels. “Apesar de se utilizar hidrogénio verde, face ao mix de produção de eletricidade em 2018, estes e-fuels emitiriam três a quatro vezes mais CO2 do que se estivéssemos perante gasolina e gasóleo derivados de petróleo”, podia ler-se no estudo.

Os investigadores do PIK afirmaram ainda que, mesmo com eletricidade 100% verde, o custo de evitar a emissão de uma tonelada de CO2 com recurso a combustíveis baseados no hidrogénio rondaria os 800€, para combustíveis líquidos como a gasolina, um valor bem superior ao custo atual da tonelada de CO2 na União Europeia, que ronda os 50€. Segundo os especialistas de Potsdam, só lá para 2040 os e-fuel serão competitivos em matéria de custos.