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Elétrico, híbrido ou híbrido plug-in: qual compensa mais se faz 10 mil, 20 mil ou 30 mil quilómetros por ano?

Elétrico, híbrido ou híbrido plug-in: qual compensa mais se faz 10 mil, 20 mil ou 30 mil quilómetros por ano?
Automonitor

Resposta depende de uma combinação de fatores que vai muito além do consumo anunciado pelos fabricantes

Comprar um carro elétrico pode significar uma poupança considerável em energia, mas isso não garante que seja a escolha mais económica. Um condutor que percorre poucos quilómetros por ano pode gastar menos com um automóvel a gasolina ou híbrido, enquanto quem utiliza o carro diariamente e consegue carregá-lo em casa poderá encontrar vantagens importantes na mobilidade elétrica. Afinal, a partir de que quilometragem começa a compensar cada tecnologia?

A resposta depende de uma combinação de fatores que vai muito além do consumo anunciado pelos fabricantes. O preço de aquisição, a desvalorização, os custos de manutenção, o local de carregamento e o número de anos durante os quais se pretende conservar o automóvel podem alterar significativamente as contas.

Uma análise publicada pelo jornal espanhol ‘El Economista’, com recurso a dados oficiais do Ministério para a Transição Ecológica de Espanha e a simulações de custos de utilização, ajuda a perceber como estas diferenças se manifestam ao longo da vida de um automóvel.

E a primeira conclusão é particularmente importante: não existe uma quilometragem universal a partir da qual um elétrico se torna automaticamente mais barato.

O elétrico custa menos a utilizar, mas há uma condição importante

A principal vantagem económica dos automóveis elétricos está no custo da energia, sobretudo quando o carregamento é realizado em casa.

Segundo os dados oficiais espanhóis citados pelo ‘El Economista’, atualizados em setembro, percorrer 100 quilómetros num automóvel elétrico com carregamento doméstico custa, em média, 3,29 euros.

Quando o carregamento é realizado num posto público rápido, o custo sobe para 8,11 euros.

Para comparação, os mesmos dados apontam para 9,82 euros por cada 100 quilómetros num automóvel a gasolina e 8,20 euros num veículo a gasóleo.

Isto significa que, neste cenário, um elétrico carregado em casa pode apresentar um custo energético próximo de um terço do registado num automóvel a gasolina.

Mas há um pormenor decisivo: quando depende de carregamentos rápidos públicos, a diferença diminui consideravelmente.

Estes valores dizem respeito ao mercado espanhol e não devem ser interpretados como preços médios portugueses. Em Portugal, os custos dependem igualmente do contrato de eletricidade, do operador e das tarifas aplicáveis nos postos públicos, além do consumo real do veículo.

E importa distinguir duas coisas: gastar menos para percorrer 100 quilómetros não significa necessariamente gastar menos ao longo de vários anos de utilização.

Faz menos de 10 mil quilómetros por ano? O preço de compra pode decidir tudo

Para quem utiliza pouco o automóvel, a poupança em combustível ou eletricidade representa uma parcela relativamente pequena do custo total.

Imagine um condutor que percorre apenas 6.000 quilómetros por ano. Mesmo que um elétrico permita poupar várias centenas de euros em energia, essa vantagem pode não ser suficiente para compensar um preço de compra significativamente superior.

O ‘El Economista’ apresenta uma simulação da plataforma Entremuchos para um período de oito anos, com 6.000 quilómetros anuais e 40% dos carregamentos realizados em casa.

Nesse cenário específico, o custo total estimado é de 27.816 euros para um automóvel a gasolina, 28.241 euros para um híbrido convencional e 35.178 euros para um elétrico.

O resultado não significa que os elétricos sejam sempre mais caros para quem conduz pouco. Demonstra, isso sim, a importância do investimento inicial quando a utilização anual é reduzida.

Um híbrido convencional pode também representar uma alternativa interessante para quem circula frequentemente em cidade, onde a recuperação de energia nas travagens e o apoio do motor elétrico ajudam a reduzir o consumo.

Além disso, não exige carregamentos externos.

Entre 10 mil e 20 mil quilómetros: o híbrido pode encontrar o seu ponto forte

É nesta faixa de utilização que as diferenças entre tecnologias se tornam particularmente dependentes dos modelos comparados.

Um híbrido convencional combina consumos relativamente baixos, sobretudo em percursos urbanos, com a facilidade de abastecimento de um automóvel tradicional.

Por outro lado, um elétrico com preço de aquisição competitivo e acesso regular a carregamento doméstico pode revelar-se igualmente vantajoso.

Numa segunda simulação apresentada pelo jornal espanhol, considerando 15.000 quilómetros anuais durante cinco anos e 70% dos carregamentos realizados em casa, o híbrido convencional apresenta um custo total de 26.980 euros.

O automóvel a gasolina surge com 27.356 euros, enquanto o elétrico atinge 29.189 euros.

Neste exemplo, o híbrido é a opção mais económica, embora a diferença para o automóvel a gasolina seja relativamente pequena.

O resultado poderia ser diferente com outros modelos, preços de aquisição, tarifas de eletricidade ou valores de revenda.

Por isso, mais importante do que escolher uma tecnologia com base numa quilometragem genérica é comparar automóveis de dimensões, equipamento e características semelhantes.

E o híbrido plug-in? Tudo depende de uma rotina

Os híbridos plug-in apresentam uma particularidade que pode transformar completamente os seus custos de utilização: a necessidade de carregar regularmente a bateria.

Estes automóveis combinam um motor de combustão com uma bateria recarregável externamente, permitindo realizar deslocações quotidianas em modo elétrico, dentro dos limites da autonomia disponível.

Para quem percorre diariamente distâncias relativamente curtas, dispõe de carregamento em casa ou no trabalho e realiza ocasionalmente viagens longas, esta solução pode fazer sentido.

O problema surge quando o condutor raramente liga o automóvel à tomada.

Nesse caso, deixa de aproveitar uma das principais vantagens da tecnologia e passa a transportar o peso adicional da bateria e dos componentes elétricos, sem beneficiar plenamente da circulação em modo elétrico.

O consumo de combustível pode aumentar consideravelmente face aos valores homologados, dependendo do modelo e do percurso.

Há ainda o preço de aquisição, frequentemente superior ao de um híbrido convencional equivalente.

Assim, antes de comprar um plug-in, convém responder a uma pergunta simples: quantos dos quilómetros realizados habitualmente poderão ser percorridos com a bateria carregada?

Se a resposta for poucos, a vantagem económica poderá ser bastante reduzida.

Faz 30 mil quilómetros por ano? O elétrico começa a ganhar terreno

Quanto maior for a quilometragem anual, maior será o peso dos custos energéticos no orçamento.

É por isso que os automóveis elétricos tendem a tornar-se particularmente competitivos para condutores que percorrem grandes distâncias e conseguem realizar uma parte significativa dos carregamentos em casa.

O ‘El Economista’ apresenta uma terceira simulação, desta vez para uma utilização de 30.000 quilómetros anuais durante seis anos.

Neste cenário, o custo total estimado do elétrico é de 34.712 euros, abaixo dos 35.882 euros do híbrido convencional, dos 38.430 euros do automóvel a gasóleo e dos 38.995 euros do modelo a gasolina.

A diferença entre o elétrico e o automóvel a gasolina ultrapassa, assim, os 4.000 euros durante o período analisado.

Importa, contudo, não transformar este resultado numa regra absoluta.

Um elétrico mais caro, com consumos elevados ou dependente de carregamentos públicos dispendiosos pode apresentar contas menos favoráveis. Da mesma forma, um modelo com preço competitivo e carregamento doméstico económico poderá compensar mesmo com quilometragens inferiores.

A manutenção também deve entrar na equação. Os elétricos dispensam operações associadas aos motores de combustão, como mudanças de óleo do motor, mas continuam a exigir pneus, travões, verificações e eventuais reparações.

O que deve ter em conta antes de comprar?

Há cinco perguntas que podem ajudar a evitar uma escolha financeiramente desajustada:

– Quantos quilómetros percorre realmente por ano?

– Consegue carregar um elétrico ou híbrido plug-in em casa ou no trabalho?

– Qual é a diferença de preço entre os modelos que está a considerar?

– Durante quantos anos pretende conservar o automóvel?

– Quanto poderá valer cada veículo quando decidir vendê-lo?

A estas questões devem juntar-se os custos de seguro, manutenção, impostos e eventuais incentivos à aquisição, que podem variar de acordo com o país, o veículo e a situação do comprador.

No caso português, também é importante calcular os custos efetivos do carregamento na rede pública, em vez de assumir que todos os postos apresentam preços semelhantes.

A conclusão é que não existe um vencedor universal.

Para quem conduz pouco, um automóvel a gasolina com preço competitivo ou um híbrido convencional pode representar a solução mais económica.

Para quem percorre distâncias intermédias, o híbrido pode oferecer um equilíbrio interessante, embora um elétrico acessível e carregado em casa possa alterar essa comparação.

Já para quem faz muitos quilómetros, a poupança energética dos elétricos ganha importância e pode compensar um investimento inicial superior.

Quanto aos híbridos plug-in, a regra é particularmente simples: só fazem sentido do ponto de vista da poupança energética se o condutor aproveitar regularmente a possibilidade de carregar a bateria.

No final, a melhor escolha não é necessariamente o automóvel que consome menos, mas aquele que custa menos ao longo dos anos em que realmente vai ser utilizado.