Durante décadas, os piscas dos automóveis mudaram de formato, passaram a utilizar LED e até ganharam efeitos luminosos sequenciais. Agora, a Audi prepara uma evolução diferente: um sistema capaz de projetar setas no chão para mostrar aos outros condutores a direção que o automóvel pretende seguir. A ideia é simples, mas pode ser especialmente útil numa situação comum do dia a dia.
Há momentos em que um condutor faz tudo corretamente, mas os outros automobilistas não conseguem perceber a sua intenção. Basta pensar num carro estacionado entre dois veículos, cujos piscas podem ficar parcialmente escondidos quando se prepara para sair do lugar.
É precisamente esse problema que a Audi pretende resolver com uma nova tecnologia de iluminação, segundo a revista francesa ‘L’Automobile Magazine’.
Nos futuros SUV Q7 e Q9, a marca alemã prepara um sistema que complementa os indicadores de mudança de direção tradicionais com setas luminosas projetadas diretamente no pavimento.
O pisca continua no mesmo sítio, mas a seta aparece no chão
O funcionamento é relativamente simples.
Durante o dia, os piscas funcionam como os de qualquer outro automóvel. À noite, porém, entram em ação pequenos projetores integrados nos conjuntos óticos dianteiros e traseiros.
Quando o condutor assinala uma mudança de direção, o sistema projeta uma seta luminosa no chão, indicando para onde o veículo pretende deslocar-se.
O objetivo não é criar um efeito visual para chamar a atenção, mas tornar a intenção do condutor mais fácil de identificar pelos restantes utilizadores da estrada.
Imagine um Audi estacionado entre dois automóveis. Ao preparar-se para sair, os veículos à frente e atrás podem dificultar a visibilidade dos piscas convencionais.
A seta projetada no pavimento poderá continuar visível para quem circula na estrada, permitindo antecipar a manobra.
Uma ajuda à segurança, mas não substitui os piscas
Apesar do potencial da tecnologia, a Audi não pretende substituir os indicadores de mudança de direção tradicionais.
As setas projetadas funcionam como um complemento, até porque a sua eficácia depende de fatores como a luminosidade ambiente, as condições meteorológicas e a existência de obstáculos entre o projetor e o pavimento.
Há também questões regulamentares a considerar, uma vez que os sistemas de iluminação automóvel estão sujeitos a regras específicas nos diferentes mercados.
A solução deverá estar associada à evolução dos faróis Digital Matrix LED, que permitem controlar a distribuição da luz com grande precisão.
E quanto custa esta inovação?
Para já, a Audi não divulgou o preço do sistema nem esclareceu se estará incluído no equipamento de série ou disponível como opção.
A revista francesa chama, contudo, a atenção para uma possível desvantagem: o custo de substituição dos conjuntos óticos.
Os faróis modernos já podem representar despesas elevadas em caso de avaria ou acidente. A integração de projetores adicionais poderá tornar uma eventual reparação ainda mais dispendiosa.
Ainda assim, a proposta mostra que até uma tecnologia aparentemente tão simples como o pisca continua a ter margem para evoluir.
Mais de um século depois das primeiras soluções para indicar mudanças de direção, a Audi quer que os outros condutores deixem de ter de procurar o pisca: a indicação poderá estar mesmo à sua frente, desenhada no chão.
Há quem se esqueça de dar pisca. A Audi, pelo contrário, quer que até o chão saiba para onde vamos virar. Descubra mais curiosidades automóveis no LinkedIn da Automonitor e no Instagram da Automonitor.






