Há automóveis que marcam uma geração e outros que atravessam várias. O Toyota Corolla pertence ao segundo grupo. Lançado em 1966, o modelo japonês chega aos 60 anos com mais de 57 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, distribuídas por 12 gerações que acompanharam profundas mudanças na indústria automóvel.
De um pequeno familiar com motor de 1,1 litros e 60 cv aos atuais híbridos, o Corolla passou por diferentes carroçarias, tecnologias e soluções mecânicas, mantendo-se como um dos nomes mais reconhecidos da Toyota.
Segundo recorda o jornal espanhol ‘El País’, a marca assinala agora as seis décadas do seu modelo mais popular com uma edição comemorativa, mas também com uma viagem pela história de um automóvel que se tornou um fenómeno de vendas à escala mundial.
E há um detalhe particularmente interessante para Portugal: o Corolla começou a ser produzido em Ovar em 1971, na primeira fábrica da Toyota na Europa.
1966: o nascimento de um automóvel que queria conquistar as famílias
A primeira geração do Toyota Corolla chegou ao mercado em 1966, numa altura em que a indústria automóvel japonesa procurava afirmar-se através de modelos acessíveis, práticos e fiáveis.
O Corolla começou por ser comercializado como um pequeno automóvel de duas portas, equipado com um motor de 1,1 litros e 60 cv.
Apesar do posicionamento familiar, apresentava características pouco habituais no segmento, como uma caixa manual de quatro velocidades e a disponibilidade de travões de disco.
A gama foi crescendo com novas carroçarias e versões, incluindo propostas familiares.
O sucesso surgiu rapidamente. Apenas três anos depois do lançamento, o Corolla já era o automóvel mais vendido do Japão.
O que começou como um modelo destinado sobretudo ao mercado doméstico acabaria por transformar-se num dos maiores sucessos comerciais da história do automóvel.
Dos anos 70 ao lendário AE86: quando o Corolla também se tornou desportivo
A segunda geração, lançada em 1970, trouxe melhorias no conforto, na segurança e no comportamento em estrada.
A gama passou a incluir motores mais potentes, entre os quais um bloco de 1,6 litros com 115 cv utilizado na versão Levin.
Em 1974, a terceira geração introduziu uma carroçaria desenvolvida com recurso a ensaios em túnel de vento, procurando melhorar a aerodinâmica.
A produção desta geração ultrapassou os 3,75 milhões de unidades, confirmando a crescente importância internacional do Corolla.
A quarta geração, apresentada em 1979, acrescentou soluções como a direção de pinhão e cremalheira e passou a contar também com uma motorização diesel.
Mas foi a quinta geração, lançada em 1983, que deu origem a uma das versões mais célebres da história do modelo.
O Toyota Corolla AE86, conhecido pela configuração de tração traseira e pelo comportamento dinâmico, tornou-se uma referência entre os entusiastas da condução desportiva.
Esta geração marcou igualmente uma mudança técnica importante: a Toyota começou a introduzir versões de tração dianteira, solução que acabaria por dominar as gerações seguintes.
Anos 90: o Corolla cresce e começa a adaptar-se à Europa
A sexta geração, apresentada em 1987, apostou num maior conforto interior, com melhorias nos bancos, na posição de condução e nos equipamentos disponíveis.
A oferta mecânica tornou-se mais diversificada, incluindo seis motores a gasolina e um diesel, com potências entre 64 e 145 cv.
Em 1992, a sétima geração aumentou de dimensões e procurou elevar a qualidade de construção e o refinamento, numa altura em que a Toyota já desenvolvia a marca premium Lexus.
Entre as novidades encontravam-se equipamentos de segurança como o airbag para o condutor.
A oitava geração, lançada em 1995, marcou uma mudança de estratégia.
A Toyota começou a desenvolver versões mais especificamente adaptadas ao mercado europeu, tendo em conta as preferências dos consumidores e as exigências relacionadas com consumos e emissões.
Esta orientação foi aprofundada com a nona geração, apresentada em 2000, que incluiu carroçarias compactas de três e cinco portas e manteve a oferta de motores a gasolina e diesel.
O Corolla já não era apenas um automóvel japonês vendido em vários continentes. Tornara-se um modelo desenvolvido para responder a necessidades muito diferentes consoante o mercado.
Quando o Corolla passou a chamar-se Auris na Europa
Uma das mudanças mais curiosas da história do Corolla aconteceu com a décima geração, lançada em 2007.
Em vários mercados europeus, a Toyota abandonou temporariamente a designação Corolla nas versões compactas, substituindo-a pelo nome Auris.
O objetivo passava por reforçar a identidade do modelo no mercado europeu, embora a designação Corolla continuasse a ser utilizada noutras regiões do mundo.
Foi também durante esta fase que a eletrificação começou a ganhar importância.
Em 2010, o Auris Hybrid tornou-se um marco na estratégia europeia da Toyota, ao integrar a produção em série de automóveis híbridos da marca na Europa.
A geração seguinte, apresentada em 2013, manteve o nome Auris em vários mercados europeus, recuperou a carroçaria familiar Touring Sports e aprofundou a aposta nas motorizações híbridas.
O nome Corolla regressaria à gama compacta europeia com a geração seguinte.
2019: o regresso do nome Corolla e a aposta nos híbridos
A décima segunda geração, lançada em 2019, recuperou a designação Corolla para as versões compactas comercializadas na Europa.
Desenvolvido sobre a plataforma TNGA-C, o modelo passou a privilegiar as motorizações híbridas, numa estratégia que acompanhou a crescente eletrificação da gama Toyota.
Entre as propostas disponíveis encontram-se sistemas híbridos baseados em motores de 1,8 e 2,0 litros, com diferentes níveis de potência consoante a versão e o mercado.
A atual geração apresenta também uma evolução significativa nos sistemas de segurança, assistência à condução, conectividade e equipamento digital.
É uma transformação considerável face ao pequeno familiar apresentado em 1966.
Apesar das mudanças, o Corolla manteve a sua identidade como automóvel destinado a um público alargado, capaz de combinar utilização quotidiana, eficiência e diferentes formatos de carroçaria.
O capítulo português: o Corolla também foi fabricado em Ovar
A história do Toyota Corolla tem uma ligação direta a Portugal.
Em 1971, apenas cinco anos depois do lançamento do modelo, a fábrica da Toyota em Ovar iniciou a produção do Corolla, tornando-se a primeira unidade de produção automóvel da marca japonesa na Europa.
A produção portuguesa do modelo prolongou-se até 1980.
A ligação é particularmente relevante porque demonstra que Portugal fez parte da expansão internacional da Toyota numa fase ainda relativamente inicial da presença industrial da marca no continente europeu.
Décadas depois, o Corolla continua a integrar a oferta da Toyota em Portugal, agora com tecnologia híbrida e um posicionamento muito diferente do automóvel que começou a sair da linha de montagem de Ovar.
Uma edição especial para celebrar os 60 anos
Para assinalar o aniversário, a Toyota criou uma edição comemorativa denominada Style 60th Anniversary.
Segundo o ‘El País’, esta versão distingue-se pela pintura bicolor azul, jantes de liga leve de 17 polegadas e elementos identificativos do 60.º aniversário na carroçaria e no habitáculo.
A edição é apresentada em diferentes configurações híbridas, incluindo a carroçaria familiar Touring Sports.
Em Portugal, a Toyota já tinha anunciado a chegada da edição comemorativa, com elementos específicos de acabamento e identificação.
Mais do que uma transformação mecânica, trata-se de uma forma de assinalar a longevidade de um modelo que atravessou seis décadas sem perder a relevância comercial.
Com mais de 57 milhões de unidades vendidas, o Corolla continua a ocupar um lugar singular na história do automóvel.
E, se as primeiras gerações ajudaram a afirmar a indústria japonesa nos mercados internacionais, as mais recentes mostram como o mesmo nome conseguiu acompanhar a passagem dos motores tradicionais para a eletrificação.
Sessenta anos depois, o Toyota Corolla continua a ser um exemplo raro de continuidade numa indústria em permanente transformação.
Leia também: O Toyota Corolla tem uma ligação especial a Portugal, onde começou a ser produzido em Ovar em 1971. Descubra a história portuguesa do Corolla e a edição especial dos 60 anos, saiba porque é que a próxima geração poderá vir da China e recorde o nosso ensaio ao Toyota Corolla.






