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Estivemos na apresentação do novo BMW i3: a eletrificação chega ao coração da marca

Estivemos na apresentação do novo BMW i3: a eletrificação chega ao coração da marca
Jorge Farromba

Jorge Farromba esteve na cerimónia de lançamento do modelo alemão ‘controlado’ por um “supercérebro” com inspiração portuguesa

Depois de assistirmos ao lançamento do novo BMW i3, percebemos que este modelo pouco tem que ver com o pequeno i3 original, de carroçaria alta. Este é, na prática, a interpretação 100% elétrica do Série 3, construída de raiz sobre a plataforma Neue Klasse.

A BMW apresenta-o como o segundo modelo desta nova geração, depois do iX3, e é precisamente aqui que já se começa a notar a evolução face ao primeiro.

O que mais impressiona

Na versão i3 50 xDrive, os números são:

  • Dois motores elétricos e tração integral;
  • Binário máximo de 645 Nm;
  • Bateria com 108,7 kWh de capacidade útil;
  • Aceleração dos 0 aos 100 km/h em 4,7 segundos;
  • Velocidade máxima de 200 km/h;
  • Autonomia WLTP até 912 km;
  • Arquitetura elétrica de 800 V;
  • Carregamento rápido DC até 400 kW;
  • Peso aproximado de 2.205 kg.

Uma das grandes evoluções da Neue Klasse surge com a nova arquitetura elétrica de 800 V, que permite ao i3 suportar potências de carregamento até 400 kW, colocando-o tecnologicamente entre os elétricos mais avançados da atualidade.

Dito de outro modo, a BMW não procurou apenas colocar uma bateria de grande capacidade num Série 3. Quis combinar bateria, eficiência, eletrónica e carregamento numa arquitetura desenvolvida de raiz.

Heart of Joy: o novo cérebro do BMW i3

Esta é uma das tecnologias mais interessantes presentes no i3: um sistema central que coordena a dinâmica do automóvel.

Com esta solução, a marca procura preservar o comportamento típico de um BMW na transição para a mobilidade elétrica. É aqui que também merece destaque o contributo da Critical TechWorks, empresa tecnológica criada pela BMW em parceria com a portuguesa Critical Software.

Em resumo, a Neue Klasse não significa apenas mais autonomia. Representa também uma nova forma de utilizar o software e a eletrónica para melhorar a dinâmica do automóvel.

Este “supercérebro” concentra as funções relacionadas com a condução e coordena a propulsão, a desaceleração, a travagem e o controlo dinâmico num único sistema.

Ao reduzir a fragmentação entre as várias unidades de controlo, a BMW procura tornar as respostas mais rápidas, consistentes e naturais.

Há alguns anos, num elétrico, a aceleração era um fator de diferenciação suficiente. Hoje, vejo o Heart of Joy não apenas como software, mas como uma nova forma de engenharia dinâmica.

Se funcionar como espero confirmar no ensaio dinâmico, o ADN do automóvel deixará de ser determinado exclusivamente pela afinação mecânica do chassis, passando também a depender da qualidade do código, da capacidade computacional e da integração entre software e hardware.

E o interior?

Também aqui há uma mudança profunda, com a introdução do BMW Panoramic iDrive.

Em vez de depender do tradicional painel de instrumentos atrás do volante, o BMW Panoramic Vision apresenta informação numa zona que percorre toda a largura inferior do para-brisas, de um pilar A ao outro.

A este sistema junta-se um ecrã central Free-Cut de 17,9 polegadas, o BMW 3D Head-Up Display e os comandos Shy Tech, que apenas se iluminam quando necessário.

A tecnologia está presente, mas procura desaparecer visualmente quando não é necessária. O objetivo é reduzir a complexidade do habitáculo e tornar a interação mais intuitiva.

O conjunto inclui ainda o BMW Intelligent Personal Assistant e a integração da tecnologia de inteligência artificial Amazon Alexa+.

Mais do que a quantidade de ecrãs ou funcionalidades, interessa perceber se esta nova organização da informação consegue simplificar a experiência de condução.

Mas continua a ser um Série 3?

Sim, e essa é uma escolha deliberada.

A BMW adotou uma configuração de dois volumes e meio, com uma dianteira que recupera elementos históricos da marca, reinterpretados de forma mais minimalista, como a tradicional grelha de duplo rim.

O novo BMW i3 não deve, por isso, ser apresentado simplesmente como um Série 3 elétrico, mas como o modelo através do qual a BMW procura transportar para a era elétrica tudo aquilo que construiu ao longo de cinco décadas em torno do Série 3: proporções, envolvimento do condutor, eficiência e prazer de condução.

E isso não é fácil!

Veja-se a autonomia anunciada de até 912 km, resultado da combinação entre bateria, aerodinâmica, eletrónica de potência, software e uma arquitetura elétrica de 800 V.

Ou o coeficiente aerodinâmico de 0,21 Cd, um valor que impressiona.

Senão vejamos: o i3 pode alcançar mais 101 km de autonomia do que o BMW iX3, apesar de ambos partilharem a mesma distância entre eixos e uma configuração mecânica semelhante.

É aqui que se percebe como a forma de uma berlina continua a ter um papel importante na eficiência de um automóvel elétrico.

Outro número interessante é a possibilidade de recuperar até 400 km de autonomia em apenas dez minutos, mediante a utilização de um carregador compatível e em condições ideais.

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Agora falta o ensaio dinâmico

Os números são promissores, mas há aspetos que só poderão ser devidamente avaliados ao volante.

No ensaio dinâmico, será importante perceber:

  • Como é feito o controlo dos movimentos verticais da carroçaria;
  • Qual é o nível de precisão e naturalidade da direção;
  • Até que ponto os travões mantêm uma resposta consistente;
  • Como funciona a integração entre a travagem regenerativa e a travagem por fricção;
  • Se o comportamento se mantém previsível e consistente quando o peso se faz sentir numa estrada exigente;
  • Com que naturalidade o automóvel consegue gerir e tirar partido da sua massa;
  • Como funciona, em utilização real, o novo sistema de projeção de informação na zona inferior do para-brisas e se consegue reduzir o tempo durante o qual o condutor desvia os olhos da estrada.

É nesta avaliação que poderemos perceber se a tecnologia consegue cumprir aquilo que os números e a apresentação prometem.

O detalhe histórico que não deve passar despercebido

A recuperação do nome i3 é uma decisão interessante.

O primeiro BMW i3 tinha uma carroçaria compacta, uma arquitetura pouco convencional e uma utilização intensiva de materiais compósitos.

O novo i3 segue uma estratégia praticamente inversa: a BMW coloca-o no centro comercial e simbólico da marca, no território do Série 3.

E esta mudança é reveladora da maturidade da mobilidade elétrica.

A eletrificação deixou de precisar de uma silhueta alternativa para justificar a sua existência e começa a demonstrar que pode assumir o lugar de modelos históricos, eventualmente até superando-os em determinadas áreas.

Neste caso, falamos de um dos automóveis que melhor ajudaram a definir o conceito de berlina desportiva premium.

A BMW posiciona, assim, o novo i3 não apenas como o segundo automóvel da Neue Klasse, mas como um marco na sua própria evolução: o momento em que o software deixa de ser apenas um complemento da engenharia e passa a fazer parte integrante do ADN da marca.

Fonte oficial: BMW Group, apresentação do novo i3

A transformação elétrica da BMW já tem vindo a merecer destaque na Automonitor. Descubra por que razão a procura levou a marca a antecipar as encomendas do novo Série 3 elétrico, conheça a tecnologia de condução assistida do iX3, que permite circular sem as mãos no volante até 130 km/h e recorde o nosso ensaio ao BMW 230i, um dos representantes da tradição desportiva da marca.